Inclusão digital ganha força e muda o futuro do trabalho operacional
*Leandro Oliveira, Diretor do Brasil e EMEA da Humand
O escritório foi digitalizado. As reuniões migraram para o virtual, os e-mails substituíram os memorandos e os dashboards tomaram o lugar dos relatórios impressos. Mas enquanto essa transformação avançava nos andares corporativos, 80% da força de trabalho global ficou para trás, sem acesso, sem voz e sem ferramentas. Esses são os trabalhadores deskless: os que não passam o dia sentados diante de uma tela.
Essa desconexão é mais do que um problema social. É um erro estratégico com custo mensurável. Em setores como manufatura, varejo, logística e saúde o canal de comunicação mais efetivo ainda pode ser a "rádio peão", impulsionada por murais físicos ou grupos de WhatsApp que misturam vida pessoal e profissional sem nenhuma governança ou segurança de dados.
Os números tornam o problema ainda mais nítido. Dados da consultoria Emergence Capital apontam que, apesar de representarem a maioria da mão de obra global, os trabalhadores deskless recebem apenas 1% do investimento em software empresarial. Essa disparidade cria um abismo de produtividade e engajamento que nenhum programa de clima organizacional consegue cobrir sozinho.
A saída, então, passa pelo dispositivo que já está no bolso de cada um desses colaboradores: o smartphone. Trazer funcionalidades mobile para o centro da estratégia deixou de ser uma diretriz de design de interface para se tornar uma estratégia de sobrevivência organizacional. Ou seja, a barreira de entrada para a tecnologia no chão de fábrica não é o hardware. É a complexidade.
Um aplicativo de RH que exige treinamento extenso para ser operado já falhou antes de ser aberto, pois a verdadeira inclusão digital corporativa é entregar ao funcionário uma experiência tão intuitiva quanto a das redes sociais que ele já usa.
O impacto dessa inclusão vai além da eficiência operacional, ele atravessa o sentimento de pertencimento, que é o motor real do engajamento. Um estudo da Harvard Business Review comprovou isso ao mostrar que empresas que empoderam sua linha de frente com tecnologia móvel registram aumento significativo na satisfação do cliente final, porque quem resolve o problema tem a informação na mão, sente que pertence ao todo e age com mais autonomia.
Há ainda um componente urgente de atração e retenção de talentos que não pode ser ignorado. Em um mercado com escassez de mão de obra qualificada em setores operacionais, a experiência digital do colaborador tornou-se um diferencial competitivo concreto. As novas gerações que ingressam na força de trabalho deskless são nativas digitais. Para esse perfil, tecnologia acessível e rápida não é benefício, é expectativa básica.
Ao democratizar o acesso à informação e aos processos corporativos para 100% da força de trabalho, as empresas estão, finalmente, integrando à era digital a parcela da economia que mais a sustenta. O futuro do trabalho não será definido apenas por inteligência artificial ou automação avançada. Será definido pela capacidade das organizações de conectarem e aproveitarem o seu capital humano completo, especialmente, o que opera longe das telas.
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