Fim da escala 6x1 pressiona custos e desafia médias empresas
Mudança na jornada pode impactar margens, exigir reorganização produtiva e demandar mecanismos de transição para mitigar efeitos no curto prazo, alerta advogado trabalhista
A eventual extinção da escala 6x1, com a adoção obrigatória de jornadas mais curtas, tende a produzir impactos relevantes e desiguais sobre médias empresas, especialmente aquelas que operam com margens mais apertadas e menor capacidade de absorção de custos adicionais. Para Armando Gomes da Rocha Júnior, sócio coordenador da área trabalhista do Marcelo Tostes Advogados, do ponto de vista econômico, a principal consequência imediata é o aumento do custo da hora trabalhada, caso a remuneração mensal seja mantida. "Esse efeito pode pressionar margens, comprometer o fluxo de caixa e reduzir a capacidade de investimento, sobretudo em setores intensivos em mão de obra e com baixa possibilidade de repasse de preços ao consumidor", diz.
Na esfera operacional, acrescenta o especialista, a mudança exige reorganização das escalas de trabalho, o que pode representar um desafio significativo em atividades contínuas, como comércio, serviços, logística, turismo e saúde. "Nesses segmentos, a necessidade de ampliar equipes, redistribuir turnos ou recorrer com mais frequência a horas extras pode neutralizar parte dos ganhos esperados com a redução da jornada", afirma.
No mercado de trabalho, uma transição abrupta e sem mecanismos de adaptação pode estimular comportamentos defensivos no curto prazo, como adiamento de contratações, revisão de estruturas de custos e maior uso de informalidade ou terceirização. "Em contrapartida, em cenários de crescimento econômico ou escassez de mão de obra, algumas empresas podem buscar reorganização interna e ganhos graduais de eficiência", pondera Armando.
O advogado recorda que os efeitos sobre a produtividade também não são automáticos. Em determinados contextos, jornadas menores podem contribuir para a redução da fadiga, do absenteísmo e da rotatividade, gerando ganhos progressivos ao longo do tempo. "No entanto, em empresas com baixa digitalização e forte dependência de presença física, esses benefícios tendem a ser mais limitados no curto prazo", diz.
Para mitigar os impactos, ele aponta a necessidade de mecanismos que ampliem a capacidade de adaptação das médias empresas. "Entre as principais medidas estão a implementação gradual da mudança, permitindo ajustes em contratos e processos; a negociação coletiva por setor ou empresa; a flexibilização de modelos de jornada, como banco de horas e escalas alternativas; e a adoção de políticas de apoio econômico, incluindo incentivos fiscais temporários, linhas de crédito e desonerações específicas", defende.
Segundo Armando, também ganham relevância iniciativas voltadas à reorganização do trabalho e ao aumento da eficiência, como revisão de processos, capacitação de equipes e maior uso de tecnologias digitais, além da diferenciação das regras por porte e setor, reconhecendo que os impactos variam significativamente entre segmentos. "Para médias empresas, o fim da escala 6x1 representa um desafio de natureza econômica e organizacional. Os efeitos práticos da medida dependerão menos do princípio da redução da jornada e mais do desenho da política pública, do ritmo de implementação e da existência de mecanismos eficazes de transição e mitigação", afirma.
Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
<::::::::::::::::::::>