Mercado de M&A está mais exigente apesar das oportunidades disponíveis
*Por David John Denton, sócio da consultoria de gestão e estratégia Integration*
O mercado global de fusões e aquisições vive um aparente paradoxo. O volume financeiro das operações em 2025 foi entre US$ 3 trilhões e US$ 4,8 trilhões. segundo o BCG, com crescimento relevante em relação ao ano anterior. Ainda assim, o número de transações não acompanha esse movimento e, em alguns casos, recua. Esse cenário não indica uma desaceleração, mas uma mudança estrutural. O capital continua disponível, porém o comportamento de quem compra mudou. Em um ambiente de juros elevados, volatilidade e maior incerteza regulatória, o custo do erro aumentou. E, quando o erro fica mais caro, a régua naturalmente sobe.
Hoje, compradores não estão mais dispostos a pagar por narrativa. O foco passou a ser previsibilidade. Essa mudança se reflete no perfil das transações, com o crescimento sendo puxado principalmente por operações de grande porte, acima de US$ 10 bilhões, conduzidas por empresas com maior capacidade de absorver riscos e capturar sinergias em escala. Ao mesmo tempo, operações menores enfrentam mais obstáculos, não necessariamente por falta de interesse, mas por falta de preparo das empresas envolvidas.
A due diligence, nesse contexto, deixou de ser apenas uma etapa de validação e passou a ocupar um papel central na decisão de investimento. Mais do que analisar números, o processo passou a avaliar a resiliência do negócio como um todo. Aspectos como governança, passivos ocultos, compliance, capacidade de integração e risco reputacional ganharam o mesmo peso de indicadores financeiros tradicionais. Isso reflete uma tentativa clara do mercado de corrigir distorções históricas. Estudos mostram que cerca de 70% das transações de M&A não entregam o retorno esperado, frequentemente por falhas na execução, desalinhamento estratégico ou subestimação de riscos.
Esse novo padrão altera profundamente a dinâmica para empresas que buscam atrair investidores ou compradores estratégicos. Crescer já não é suficiente. É necessário demonstrar consistência, previsibilidade e capacidade de integração. Empresas que entram em processos sem governança estruturada, sem clareza sobre margens ou com riscos mal endereçados tendem a sofrer descontos relevantes ou até mesmo ficar fora das negociações.
O mercado de M&A não perdeu dinamismo, mas se tornou mais profissional. O capital continua circulando, especialmente em operações com alto potencial de geração de valor, porém de forma mais criteriosa. Esse movimento indica uma mudança positiva, com menos espaço para decisões baseadas em expectativa e mais foco em fundamentos. No fim, o mercado não está comprando menos, mas comprando melhor.
Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
<::::::::::::::::::::>