Recrutamento com IA cresce, mas decisões ainda dependem de análise humana
Mesmo com adoção em massa da tecnologia, apenas 22% dos líderes se sentem preparados para o novo modelo, aponta a Korn Ferry
As empresas nunca tiveram tantas ferramentas para recrutar. Ainda assim, a qualidade das decisões não evolui no mesmo ritmo. Dados de uma pesquisa realizada pelo Pandapé em parceria com a Adecco mostram que 70% das companhias já incorporaram inteligência artificial aos processos seletivos, e 77% afirmam utilizá-la diariamente. Mais da metade, 54,8%, percebeu melhorias relevantes após a adoção.
No segundo trimestre, quando empresas revisam estrutura e ajustam headcount, o processo seletivo costuma mudar de ritmo. A pressão deixa de ser apenas por velocidade e passa a ser por precisão.
A tecnologia, portanto, já é parte do dia a dia das áreas de recrutamento. O desafio começa quando o ganho de eficiência não se traduz, necessariamente, em decisões melhores.
Segundo estudo da Korn Ferry, apenas 22% dos líderes se sentem preparados para lidar com o novo modelo de Talent Acquisition. Ao mesmo tempo, mais da metade das empresas planeja ampliar o uso de inteligência artificial nos próximos anos.
O dado não aponta uma resistência à tecnologia. Aponta um desalinhamento entre adoção e maturidade.
Durante anos, o recrutamento foi medido por velocidade e volume. Preencher vagas rapidamente era o principal indicador de eficiência. Esse modelo ainda existe, mas perdeu espaço em um cenário onde cada contratação carrega mais risco.
Equipes mais enxutas, maior pressão por resultado e funções mais complexas aumentam o impacto de cada decisão. O erro deixou de ser pontual e passou a comprometer performance, cultura e capacidade de crescimento.
É nesse contexto que o papel de Talent Acquisition começa a mudar e se torna mais analítico.
Para a Korn Ferry, o pensamento crítico está entre as competências mais relevantes para os próximos anos. A leitura reforça que o diferencial não está apenas na adoção de IA, mas na capacidade de interpretar dados, questionar padrões e tomar decisões com mais consistência.
“Não é a tecnologia que define a qualidade da contratação, mas a forma como ela é utilizada no processo. Empresas que conseguem combinar dados com critérios mais claros de decisão tendem a evoluir mais rápido”, afirma Patricia Suzuki, CHRO da Redarbor Brasil, grupo que detém o Pandapé.
Há ainda um efeito estrutural menos evidente. Com a automação de etapas operacionais, o recrutamento deixa de ser um processo transacional e passa a influenciar diretamente decisões estratégicas dentro das empresas.
Isso exige novas competências das equipes, mais próximas de análise, negócio e leitura de contexto do que de execução.
O avanço da IA já é uma realidade consolidada. O ponto agora não é mais adotar tecnologia, mas garantir que ela esteja alinhada à qualidade das decisões.
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