Empresas enfrentam desafios na transição fiscal após Reforma Tributária
Apesar de maior mobilização tecnológica, inseguranças jurídicas e operacionais ainda marcam a Fase 2, segundo a NTT DATA
Para 41% das empresas brasileiras, a transição entre o atual modelo, com PIS, Cofins, ICMS, ISS e outros tributos, para o novo, que consolida as cobranças em CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), é a maior fonte de dúvidas na Fase 2 da Reforma Tributária. É o que revela uma pesquisa inédita da NTT DATA, líder global em serviços de TI e consultoria, que ouviu mais de mil empresas dos mais variados setores e escopos, espalhados por 20 estados brasileiros.
Além da transição, outras incertezas se destacam: 22% das empresas têm dúvidas sobre como ficarão os incentivos fiscais e setoriais, enquanto 15% afirmam ainda não compreender plenamente como a segunda fase da Reforma afetará seus regimes atuais. Para Diogo Brito, Product Director na NTT DATA, os números mostram que, mesmo com a promessa de simplificação, o cenário tributário brasileiro permanece complexo e desafiador. “A simplificação prometida pela Reforma Tributária não elimina a complexidade da transição. O desafio das empresas agora é transformar regra em operação, com segurança jurídica e prontidão tecnológica para conviver, durante anos, com dois modelos tributários ao mesmo tempo. Isso exige revisão de processos, sistemas e governança, porque qualquer desalinhamento pode gerar erro de apuração, retrabalho e perda de eficiência.”, afirma.
O levantamento também revela como está a mobilização para enfrentar as mudanças. 65% das empresas ouvidas já iniciaram seus projetos de adequação em sistemas fiscais e ERP – para efeito de comparação, uma pesquisa divulgada em 2025, também pela NTT DATA, apontava que, na época, 38% das companhias brasileiras ainda não haviam iniciado os seus ajustes. Entre as iniciativas de preparação, ferramentas como o GUEPARDO Tax, da NTT DATA, vêm sendo adotadas para facilitar a adaptação tecnológica e reduzir riscos operacionais.
No entanto, há um contingente que avançou pouco: 10% seguem buscando entendimento inicial sobre o tema, e 4% sequer começou seu planejamento, devido à falta de clareza sobre o que precisará ser alterado. “O perceptível avanço na preparação das empresas é algo a ser destacado, mas, ainda assim, há um grupo considerável com risco de ficar para trás. Esse descompasso pode criar uma desigualdade competitiva, em que empresas mais preparadas ganham eficiência e segurança, enquanto outras ficam expostas a riscos fiscais e operacionais”, diz Brito.
Os riscos percebidos pelas empresas reforçam a necessidade de preparação. A pesquisa aponta que 27% temem mudanças nos seus processos internos, 23% erros de apuração e autuações, e 18% dificuldades de integração com ERP e sistemas legados. Para o especialista, os desafios ressaltados pelas empresas participantes mostram que a Reforma não se limita ao aspecto legal, mas exige também uma profunda revisão da operação e infraestrutura tecnológica das organizações. “Processos internos mal ajustados ou sistemas desatualizados podem gerar inconsistências e penalidades. Por isso, investir em tecnologia e capacitação é um movimento estratégico”, analisa.
Por fim, Brito afirma que a pesquisa evidencia que, embora haja avanços significativos na preparação das empresas brasileiras para a Reforma Tributária, persistem dúvidas e riscos que podem impactar a transição. “Os resultados mostram que a Reforma Tributária continua no centro dos desafios empresariais no país, sobretudo porque a agenda agora deixou de ser apenas de entendimento e passou a ser, cada vez mais, de implementação.”, conclui.
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