Bastidores da governança: temas que preocupam empresários
Em encontros reservados entre executivos, temas como sucessão, proteção patrimonial e diversificação revelam uma mudança na forma como empresários pensam o futuro de seus negócios
Durante muito tempo, a pergunta dominante no empreendedorismo brasileiro parecia óbvia: Como crescer mais rápido? Entre empresários que já atravessaram a fase inicial de expansão, porém, o tom das conversas começa a mudar.
Em vez de falar apenas sobre faturamento, escala ou novas unidades, líderes empresariais têm dedicado cada vez mais atenção a outra questão. Como sustentar o crescimento sem comprometer a estabilidade do negócio no longo prazo.
Essa mudança de foco aparece com frequência em encontros reservados que reúnem executivos de diferentes setores. Longe de apresentações formais e discursos institucionais, as conversas ganham outra profundidade. Surgem dúvidas, experiências compartilhadas e decisões que raramente aparecem em público.
É nesse ambiente que o empresário Marcos Koenigkan passou a observar um padrão interessante. Ao circular entre empresários de mercados distintos, ele percebeu que as preocupações que surgem nessas conversas são muito menos sobre expansão imediata e muito mais sobre estrutura e continuidade. “Muitos empresários continuam crescendo, mas o foco já não é apenas velocidade. Existe uma preocupação crescente com a solidez do negócio e com o que acontece depois que ele atinge determinado tamanho”, diz.
Koenigkan atua em negócios ligados à arte, real estate, soluções de armazenamento e também no Clube de Permuta, ampliando sua presença em diferentes frentes do ecossistema empresarial. Ele integra ainda a liderança do Mercado & Opinião, rede que reúne empresários e executivos em encontros voltados à troca de experiências e discussão de estratégias de crescimento.
Quando a conversa acontece sem palco ou apresentação, alguns temas passam a surgir com frequência surpreendente, especialmente aqueles que revelam, na prática, como empresários estão lidando com risco, expansão e geração de receita em cenários cada vez mais dinâmicos.
Um deles é a diversificação de receitas. Para muitos empresários, depender de uma única frente de faturamento deixou de ser apenas uma escolha estratégica e passou a representar um risco. Empresas que amadurecem começam a olhar para o próprio modelo de negócios com mais cautela, buscando novas fontes de faturamento que reduzam a exposição a oscilações de mercado.
Esse comportamento acompanha um movimento mais amplo no ambiente empresarial brasileiro. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising, o setor de franquias registrou crescimento de três dígitos em 2025 e superou R$ 300 bilhões de faturamento, refletindo um mercado em expansão que também exige estruturas de gestão cada vez mais sofisticadas.
Outro tema recorrente é a sucessão empresarial. Fundadores que passaram décadas construindo seus negócios começam a olhar com mais atenção para o futuro da empresa além de sua própria gestão. A preocupação não está apenas em escolher quem assumirá o comando, mas em criar mecanismos de governança capazes de preservar a cultura e a estratégia da organização.
A proteção patrimonial também ocupa espaço nessas conversas. Em um ambiente econômico marcado por ciclos cada vez mais rápidos, empresários discutem formas de estruturar juridicamente seus ativos e reduzir vulnerabilidades que possam comprometer o negócio.
Há ainda um elemento que costuma surgir de maneira quase natural nesses encontros. O valor das relações de confiança. “Muitas vezes um empresário compartilha um problema que está enfrentando e outro já passou por algo parecido. A conversa evolui e, sem planejamento prévio, surge uma solução, uma parceria ou até um novo negócio”, afirma Koenigkan.
Esse tipo de interação transforma o networking em algo mais profundo do que simples troca de cartões. Em ambientes de confiança, ele passa a funcionar como um mecanismo de inteligência coletiva, capaz de antecipar tendências e encurtar caminhos que levariam anos para serem descobertos isoladamente.
Para quem está começando a empreender ou atravessa um momento de crescimento acelerado, observar esse comportamento pode trazer um aprendizado importante. “Empresas que permanecem relevantes ao longo de décadas raramente se sustentam apenas pela capacidade de expandir rapidamente. Elas também dedicam tempo a fortalecer as estruturas que sustentam o negócio quando o cenário muda. Por isso, entre empresários mais experientes, muitas das conversas decisivas começam longe do palco e é ali que estratégias ganham forma antes de aparecerem nos números”, conclui Koenigkan.
Sobre Marcos Koenigkan
Marcos Koenigkan é empresário, fundador da MK Participações e do Catálogo das Artes, além de sócio de negócios como LK Engenharia, Show Self Storage e Mercado & Opinião, além de responder pela operação do Clube de Permutas em São Paulo, uma plataforma de economia colaborativa multilateral. Atua no mercado imobiliário e de investimentos com foco em análise de viabilidade, inovação e networking corporativo de alto impacto.
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