Bancos avançam com core fiscal inteligente após Reforma Tributária
A implementação da Reforma Tributária brasileira começa a redesenhar não apenas a lógica de apuração de impostos, mas a própria espinha dorsal tecnológica das instituições financeiras. Segundo levantamento da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), o setor bancário será um dos maiores arrecadadores do novo sistema, enfrentando o que a entidade classifica como o maior desafio operacional de sua história.
A partir de 2026, a exigência de rastreabilidade total em cada transação forçará os bancos a operarem em um ambiente de altíssima complexidade, marcado pela convivência simultânea de múltiplos regimes fiscais e pela necessidade de uma infraestrutura capaz de processar dados com granularidade inédita.
Tributação em tempo real
Segundo Victor Hugo Coutinho, Arquiteto de Soluções e Gerente de Ofertas SAP da Softtek Brasil, esse cenário inaugura uma nova etapa na evolução dos sistemas bancários. “A Reforma Tributária tem sido tratada por muitas instituições apenas como um projeto de adequação regulatória. Na prática, porém, ela marca o início de uma nova geração de core bancário no Brasil, mais modular, orientado a dados e capaz de lidar com regras fiscais dinâmicas”, afirma.
Essa transformação ocorre em paralelo à agenda de modernização conduzida pelo Banco Central, responsável por iniciativas como o Pix e o Open Finance, que já ampliaram a digitalização e a interoperabilidade do sistema.
Novo core bancário
Neste novo contexto, a dinâmica tributária tende a acelerar a substituição de modelos obsoletos. “Muitos sistemas legados foram concebidos para um ambiente estável e ainda calculam tributos por lote, e não por evento transacional. Com a reforma, o core bancário deixa de ser apenas um sistema transacional e passa a atuar como um orquestrador fiscal-regulatório”, explica Coutinho.
Para lidar com essa pressão, as instituições tendem a evoluir para arquiteturas baseadas em microsserviços e event-driven architecture (EDA), capazes de capturar cada operação com contexto fiscal, utilizando tax engines centralizadas e modelos de data lakehouse para garantir a integridade das informações.
Essa base tecnológica torna-se, inclusive, um pré-requisito para a sobrevivência de novos modelos de negócio, como o Banking-as-a-Service, que dependem de integração fluida com parceiros e transparência fiscal absoluta.
IA e inteligência fiscal
O uso da Inteligência Artificial (IA) pode ampliar o potencial estratégico da infraestrutura. Modelos analíticos podem ser utilizados para simular impactos tributários por produto ou região, além de prever efeitos de mudanças fiscais sobre preços e rentabilidade.
A relevância dessa tecnologia é confirmada pelo Gartner, que aponta que cerca de 90% das funções financeiras nas grandes corporações devem utilizar ao menos uma solução de IA Agêntica até o final de 2026 para lidar com o aumento da complexidade regulatória.
“Com o apoio de IA, os bancos podem ajustar estratégias de precificação em tempo real e reduzir riscos regulatórios. Paradoxalmente, a Reforma Tributária torna-se um catalisador de eficiência e inovação”, reforça o especialista.
“Mais do que uma adequação regulatória, a Reforma Tributária tende a acelerar uma revisão estrutural da arquitetura bancária. Instituições que avançarem em motores fiscais desacoplados, arquiteturas orientadas a eventos e governança robusta de dados estarão mais preparadas para lidar com a complexidade do novo ambiente regulatório”, avalia Coutinho.
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