Reforma tributária transfere impacto dos impostos para decisões de compra e reforça papel do procurement
Com o novo modelo tributário, escolha de fornecedores, contratos e categorias de compras passam a influenciar diretamente custo real, crédito tributário e margem das empresas
A implementação da reforma tributária brasileira começa a alterar a dinâmica das decisões corporativas e amplia o papel estratégico da área de compras nas empresas. Com o novo modelo de impostos, parte relevante do impacto tributário passa a ocorrer no momento da decisão de compra, colocando procurement no centro das discussões financeiras e fiscais.
Na prática, escolhas relacionadas a fornecedores, estrutura de contratos e categorias de aquisição passam a influenciar diretamente fatores como custo real das operações, crédito tributário disponível, margem e competitividade das empresas.
Para Carolina Cabral, CEO da Nimbi, empresa especializada em soluções digitais para gestão de compras e fornecedores, a reforma representa uma mudança estrutural na forma como as empresas precisam organizar suas decisões de aquisição.
“A reforma tributária simplifica o sistema de impostos, mas também muda o momento em que o impacto tributário acontece dentro das operações. A decisão de compra passa a influenciar diretamente o custo real da empresa e o aproveitamento de créditos tributários”, afirma.
Segundo a executiva, essa mudança exige maior integração entre as áreas de compras, fiscal e financeira. “Historicamente, a estratégia tributária ficava muito concentrada nas áreas fiscal e financeira. Com a reforma, procurement passa a participar diretamente dessas discussões porque muitas decisões que impactam o resultado financeiro nascem na escolha de fornecedores e na estrutura das compras”, diz.
A reforma também tende a alterar critérios tradicionais de localização de operações e cadeias de suprimentos. Historicamente, muitas empresas estruturaram centros de distribuição, fábricas e rotas logísticas considerando incentivos fiscais regionais, o que nem sempre refletia a eficiência logística real. Com o novo modelo tributário baseado no consumo, essa lógica tende a perder relevância, abrindo espaço para decisões mais alinhadas à eficiência operacional e à proximidade com mercados consumidores.
Para Carolina Cabral, essa mudança também reforça a necessidade de uma visão mais estratégica sobre a cadeia de suprimentos. “A localização de fornecedores e centros de distribuição volta a ter um peso maior do ponto de vista logístico. Durante muitos anos, o fator tributário acabou distorcendo decisões de cadeia de suprimentos no Brasil. Com a reforma, as empresas tendem a olhar novamente para eficiência operacional, prazo de entrega e custo logístico como elementos centrais”, afirma.
Nesse cenário, procurement passa a atuar de forma ainda mais integrada com áreas de logística e planejamento da cadeia de suprimentos, avaliando não apenas preços e contratos, mas também impactos operacionais e logísticos nas decisões de compra.
A reforma prevê uma transição gradual do sistema atual para o novo modelo tributário, com etapas que se estendem até 2033, quando ocorre a consolidação definitiva do novo regime com a substituição de tributos atuais por novos mecanismos de tributação sobre consumo.
Nesse período, empresas precisarão revisar contratos, estruturas de negociação e modelos de relacionamento com fornecedores para avaliar como as mudanças tributárias podem impactar custos e margens das operações.
“Escolher um fornecedor passa a significar também escolher uma estrutura de custo e uma condição tributária para aquela operação. Isso exige um nível maior de análise e planejamento dentro das áreas de compras”, explica Carolina Cabral.
De acordo com a executiva, a disponibilidade de dados estruturados será um fator decisivo para que as empresas consigam navegar esse novo cenário com mais segurança.
“Quando a empresa tem visibilidade sobre contratos, categorias de compras e histórico de negociação com fornecedores, ela consegue avaliar não apenas o menor preço, mas o impacto financeiro completo de cada decisão”, afirma.
A tecnologia tende a ganhar protagonismo nesse processo ao permitir análises mais estruturadas sobre fornecedores, contratos e categorias de aquisição, além de apoiar o monitoramento da adaptação das empresas ao novo modelo tributário.
“A reforma tributária reforça a importância de decisões baseadas em dados. Empresas que conseguirem integrar informações de compras, fornecedores e contratos terão mais capacidade de avaliar impactos e proteger suas margens nesse novo cenário”, conclui Carolina Cabral.
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