Risco fiscal cresce com cruzamento de informações da Receita Federal para empresas
Tecnologia permite ao Fisco comparar dados fiscais, bancários e contábeis para identificar inconsistências nas declarações
O avanço das ferramentas tecnológicas tem ampliado significativamente a capacidade de fiscalização da Receita Federal do Brasil sobre empresas. Em 2025, a intensificação do cruzamento automatizado de dados fiscais, financeiros e contábeis permitiu ao Fisco identificar inconsistências com mais rapidez, aumentando o risco de notificações e autuações.
Esse modelo de fiscalização digital vem sendo intensificado com a ampliação de bases integradas de informações. Dados enviados por empresas em diferentes obrigações acessórias são comparados automaticamente com registros de instituições financeiras, fornecedores, clientes e outros órgãos públicos.
A chamada malha fiscal digital permite que a Receita identifique divergências entre faturamento declarado, emissão de notas fiscais, movimentação financeira e recolhimento de tributos.
Um exemplo recente ocorreu em dezembro de 2025, quando a Receita iniciou nova etapa da operação “Falso Simples”, dentro da estratégia de fiscalização baseada em cruzamento de dados. A iniciativa identificou 22.077 empresas com divergências fiscais que somavam mais de R$ 1,3 bilhão em contribuições previdenciárias declaradas incorretamente.
De acordo com o advogado especialista em Direito Tributário Jacques Veloso de Melo do escritório Veloso de Melo, o avanço da digitalização transformou a forma de atuação do Fisco.
“A Receita Federal trabalha hoje com grandes bases de dados que permitem cruzamentos automáticos entre informações declaradas pelas empresas e dados enviados por terceiros. Isso faz com que inconsistências sejam identificadas com muito mais rapidez”, explica.
Segundo o especialista, a tendência é que o uso de tecnologia na fiscalização tributária continue avançando nos próximos anos.
“Hoje existe uma integração cada vez maior entre diferentes sistemas fiscais e financeiros. Divergências entre faturamento declarado, notas fiscais emitidas e movimentação financeira, por exemplo, podem ser detectadas automaticamente pelos sistemas da Receita”, afirma.
Diante desse cenário, especialistas alertam que empresas precisam reforçar os controles internos e a revisão das informações enviadas ao Fisco.
Entre os principais cuidados recomendados estão:
- Revisar regularmente as obrigações acessórias enviadas à Receita;
- Garantir coerência entre dados contábeis, fiscais e financeiros;
- Monitorar divergências entre notas fiscais e faturamento declarado;
- Acompanhar notificações eletrônicas de autorregularização;
- Manter documentação organizada para eventual fiscalização.
O advogado explica que, muitas inconsistências podem ser resolvidas ainda na fase de autorregularização, antes da abertura de procedimentos fiscais que podem resultar em multas e cobrança de tributos.
Dados que a Receita cruza para fiscalizar empresas
A Receita Federal do Brasil utiliza sistemas digitais que permitem comparar automaticamente informações enviadas por empresas em diferentes obrigações fiscais.
Entre os principais dados analisados estão:
- Notas fiscais eletrônicas;
- Dados contábeis enviados pelo Sistema Público de Escrituração Digital (Sped);
- Informações da folha de pagamento e do eSocial;
- Declarações fiscais e contábeis;
- Dados compartilhados por instituições financeiras.
Fonte de dados estatísticos: informações divulgadas pela Receita Federal sobre fiscalização digital e programas de autorregularização.
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