CEO da Boyden destaca nova estratégia para sucessão empresarial
Chad Hesters, ex-oficial da Inteligência Naval dos EUA e CEO global da Boyden, analisa como empresas familiares e family offices estão adotando executivos externos e modelos de contratação modular para profissionalizar a gestão e estruturar a sucessão
As empresas familiares respondem por uma parcela importante da economia brasileira, mas enfrentam um momento crítico quando chega a transição entre gerações. Além disso, o cenário atual é marcado por desafios como o aumento de custos operacionais, pressão por transformação digital e entrada de novos herdeiros na governança.
Segundo a Boyden, consultoria global de executive search que completa 80 anos de atuação, cresce entre empresas de controle familiar e family offices a adoção de um modelo de contratação mais flexível, baseado na chamada “liderança fracionada” e em equipes executivas modulares.
“O que estamos observando globalmente é uma mudança na forma como empresas familiares estruturam sua liderança. Family offices e companhias controladas por famílias estão adotando contratações fracionadas, equipes modulares e funções consultivas especializadas para lidar com aumento de custos, transições geracionais e novas demandas tecnológicas”, afirma Chad Hesters, CEO global da Boyden.
Nesse modelo, executivos altamente experientes são contratados para atuar de forma parcial ou por projeto, assumindo desafios estratégicos específicos, como transformação digital, inovação ou expansão internacional, sem a necessidade de vínculo permanente com a organização.
A estratégia permite que empresas familiares acessem talentos de alto nível com menor estrutura fixa de custos, ao mesmo tempo em que traz competências que muitas vezes não estão disponíveis internamente.
CEO externo como “guardião do legado”
Outro movimento crescente identificado pela Boyden é a profissionalização da gestão por meio da contratação de executivos de mercado para posições de liderança, incluindo CEOs externos à família controladora. Para Hesters, esse movimento pode funcionar como uma espécie de “salvaguarda do legado” das empresas familiares.
“Nas primeiras transições geracionais, é comum que a liderança se fragmente entre diferentes núcleos familiares ou áreas comandadas por herdeiros. Um executivo externo pode trazer clareza estratégica, fortalecer a governança e criar uma estrutura de liderança unificada”, explica.
Segundo ele, esse tipo de liderança independente ajuda a transformar dinâmicas familiares complexas em processos organizacionais mais estruturados, garantindo continuidade e crescimento sustentável no longo prazo.
Liderança e experiência militar
A visão de Hesters sobre gestão também é influenciada por sua experiência anterior como oficial de Inteligência da Marinha dos Estados Unidos, onde atuou por sete anos. Ele destaca que a capacidade de “tomada de perspectiva”, quer dizer, entender diferentes motivações e visões dentro de um mesmo sistema, é essencial para lidar com empresas familiares, onde convivem fundadores, herdeiros e executivos profissionais.
Para o executivo, um modelo baseado em “liderança servidora”, no qual o líder atua como facilitador do sucesso da equipe, é especialmente eficaz nesse tipo de organização.
“Quando o líder cria as condições para que as pessoas performem no seu melhor nível, é possível preservar a cultura construída pelos fundadores enquanto se introduz inovação e profissionalização”, afirma.
O cenário brasileiro
A experiência da Boyden no Brasil confirma o avanço dessas tendências. De acordo com a consultoria, empresas nacionais estão intensificando a busca por executivos com competências digitais, visão estratégica e experiência em expansão de negócios.
Nesse contexto, o planejamento de sucessão aliado à avaliação estruturada de talentos internos tornou-se uma das principais prioridades para empresas familiares que buscam garantir crescimento sustentável e continuidade de longo prazo.
Sobre a Boyden
Fundada em 1946, a Boyden é uma das pioneiras globais em executive search e consultoria de liderança. Presente em mais de 45 países, a empresa opera sob o conceito de boutique global, combinando alcance internacional, profundo conhecimento local e atuação personalizada junto a conselhos, CEOs e acionistas.
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