Burnout feminino e dupla jornada: sete ações que empresas precisam adotar
Sobrecarga doméstica e profissional amplia afastamentos por transtornos mentais e leva companhias a estruturar políticas de prevenção e gestão de riscos psicossociais
O crescimento dos casos de burnout e outros transtornos mentais entre mulheres no mercado de trabalho tem levado empresas brasileiras a rever políticas internas de saúde corporativa. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que depressão e ansiedade provocam perdas de cerca de US$ 1 trilhão por ano à economia global, resultado de mais de 12 bilhões de dias de trabalho comprometidos.
No Brasil, o impacto também é crescente. O Painel Estatístico da Previdência Social registrou 472 mil afastamentos por transtornos mentais em 2024, o maior número da última década.
Rodrigo Araújo, CEO da Global Work e especialista em saúde ocupacional, afirma que a sobrecarga feminina tem ampliado os casos de esgotamento emocional no ambiente corporativo. Mulheres acumulam jornadas profissionais e responsabilidades domésticas, o que aumenta o estresse e afeta a produtividade. “Quando a dupla jornada se torna rotina, o desgaste emocional aparece mais rápido”, diz.
Segundo ele, o fenômeno do burnout feminino precisa ser analisado dentro de uma lógica estrutural de trabalho. “Muitas mulheres mantêm duas jornadas completas, a profissional e a doméstica. Quando não há políticas de equilíbrio e suporte dentro da empresa, a tendência é que o desgaste emocional apareça mais rápido”, afirma.
O especialista observa que empresas que tratam o tema apenas quando surgem afastamentos acabam pagando mais caro no longo prazo. “Quando a organização atua de forma preventiva, reduz absenteísmo, melhora o clima organizacional e ganha produtividade. Saúde mental deixou de ser apenas uma pauta de bem-estar e passou a ser uma questão estratégica para os negócios”, diz.
A mudança regulatória também acelerou a procura por consultorias especializadas. Desde maio de 2025, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 passou a exigir que companhias incluam riscos psicossociais como assédio, sobrecarga e desgaste emocional em seus programas de gestão de saúde e segurança do trabalho.
Para Araújo, a adaptação exige mudança cultural dentro das organizações. “O primeiro passo é reconhecer que a saúde emocional impacta diretamente o desempenho das equipes. Quando a empresa ignora esse fator, o custo aparece em rotatividade, afastamentos e queda de produtividade.” alerta.
Ele também destaca que políticas de apoio às mulheres no ambiente corporativo ajudam a reduzir esse impacto. “Ambientes que estimulam equilíbrio entre vida profissional e pessoal conseguem reter mais talentos e construir equipes mais engajadas.”destaca
A contratação de empresas especializadas em saúde ocupacional tem sido uma das estratégias adotadas para estruturar essas iniciativas. Além de atender às exigências da legislação trabalhista, o modelo permite mapear riscos antes que eles se transformem em afastamentos prolongados.
“Empresas que estruturam programas preventivos conseguem multiplicar de três a dez vezes o retorno sobre cada valor investido em saúde corporativa. O impacto aparece tanto na produtividade quanto na redução de custos assistenciais”, aponta.
O especialista aponta cinco medidas que ajudam empresas a prevenir burnout feminino e reduzir afastamentos no trabalho
Especialistas em saúde ocupacional apontam que a prevenção exige mudanças práticas dentro das organizações. A seguir, cinco ações consideradas prioritárias para reduzir o risco de esgotamento emocional nas equipes.
- Mapear riscos psicossociais no ambiente de trabalho
- A nova NR-1 exige que empresas identifiquem fatores como sobrecarga, conflitos internos e pressão excessiva. O diagnóstico permite agir antes que os problemas evoluam para afastamentos médicos.
- Treinar lideranças para reconhecer sinais de exaustão
- Gestores preparados conseguem identificar mudanças de comportamento, queda de desempenho e sinais de estresse prolongado, facilitando intervenções mais rápidas.
- Criar políticas de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal
- Flexibilidade de jornada, direito à desconexão e metas realistas reduzem o impacto da dupla jornada enfrentada por muitas profissionais.
- Oferecer apoio psicológico e canais de escuta
- Programas de atendimento psicológico, telemedicina e acompanhamento emocional ampliam o acesso ao cuidado e ajudam a prevenir crises mais graves.
- Integrar saúde mental à estratégia de gestão
- Empresas que tratam o bem-estar como indicador de desempenho organizacional tendem a reduzir custos invisíveis e aumentar o engajamento das equipes.
O aumento dos afastamentos por transtornos mentais e a exigência de gestão de riscos psicossociais colocaram a saúde emocional no centro da agenda empresarial. “A empresa que entende isso primeiro constrói vantagem competitiva. Cuidar da saúde mental não é apenas uma obrigação legal, é uma decisão inteligente de gestão”, conclui.
Sobre Rodrigo Araújo
Rodrigo Araújo é Técnico em Segurança do Trabalho, engenheiro ambiental. Com mais de 20 anos de experiência, atuou como gestor de saúde ocupacional e segurança do trabalho e atuou em grandes empresas como Lacta, Roche Farmacêutica e Ipiranga Química. Especialista em negócios B2B.
Há 13 anos, fundou a Global Work com um propósito claro: “Cuidar de forma efetiva e integrada do maior ativo de qualquer negócio, seus colaboradores, e, ao mesmo tempo, oferecer ao empresário um diagnóstico completo, capaz de gerar retornos tangíveis e intangíveis para cada valor investido, com ROI de 3 a 10 vezes”. Atualmente, é CEO da companhia.
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Sobre a Global Work
A Global Work é especializada em saúde ocupacional, segurança do trabalho e programas de qualidade de vida corporativa. Com clínica própria na Avenida Paulista no coração de São Paulo e uma rede credenciada de mais de 3.000 unidades em todo o Brasil, já realizou mais de 1 milhão de exames médicos e complementares, com expectativa de ultrapassar mais de 100.000 vidas cuidadas em 2026, oferece soluções personalizadas que unem tecnologia, atendimento humanizado e conformidade legal. A missão da empresa é apoiar organizações na promoção do bem-estar dos colaboradores e na gestão integrada da saúde e segurança no trabalho.
Mais informações estão disponíveis no site oficial, Instagram ou pelo Linkedin.
Fontes de pesquisa
Organização Mundial da Saúde (OMS)
Ministério da Previdência Social – Painel Estatístico
Organização Internacional do Trabalho (OIT)
Ministério do Trabalho e Emprego – Norma Regulamentadora nº 1
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