Alta dos custos médicos pressiona planos de saúde e muda benefícios corporativos
Judicialização crescente e despesas assistenciais elevadas levam empresas a rever contratos e adotar novos modelos para preservar equilíbrio financeiro
O aumento das despesas assistenciais e das ações judiciais envolvendo planos de saúde está pressionando contratos corporativos e afetando o planejamento financeiro das empresas. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar indicam sinistralidade acima de 80% em parte relevante do setor, enquanto o Conselho Nacional de Justiça registrou mais de 160 mil novos processos relacionados à saúde suplementar em 2023, com centenas de milhares em tramitação.
Para Leandro Lago, especialista em gestão de benefícios corporativos, proteção patrimonial e planejamento de riscos empresariais, proprietário do Grupo Futuro, corretora especializada em saúde suplementar e estruturação estratégica de contratos corporativos, o impacto já é estrutural. “A judicialização deixou de ser exceção e passou a integrar o cálculo de risco dos contratos”, afirma.
A combinação entre envelhecimento da população, incorporação de novas tecnologias médicas e decisões judiciais que ampliam coberturas fora do rol da ANS reduziu a previsibilidade dos reajustes.
Relatórios recentes apontam que despesas decorrentes de demandas judiciais representaram cerca de 1,49% dos custos assistenciais do setor no primeiro trimestre de 2025. Embora não sejam a principal linha de despesa, esses valores pressionam o equilíbrio atuarial e influenciam negociações coletivas. “Renovar contrato sem avaliar histórico de uso, cláusulas e exposição jurídica é assumir um risco silencioso no orçamento”, diz.
Com a escalada dos custos assistenciais e da judicialização, empresas passaram a migrar para modelos com coparticipação, redes segmentadas e soluções híbridas que combinam atendimento presencial, telemedicina e programas de prevenção.
A mudança não busca apenas reduzir despesas, mas tornar o benefício financeiramente sustentável. “Coparticipação bem estruturada melhora o uso do plano e reduz desperdícios, sem comprometer o acesso”, explica.
A revisão do desenho do benefício também está relacionada à estratégia de retenção de talentos. O plano de saúde segue como um dos principais diferenciais competitivos na atração de profissionais, mas exige governança técnica e acompanhamento contínuo para não se transformar em passivo financeiro.
O especialista mostra cinco caminhos para equilibrar custo e proteção
Antes de renegociar contratos, o diagnóstico detalhado é fundamental para evitar decisões baseadas apenas em reajustes pontuais.
- Diagnóstico de dados assistenciais
A análise da sinistralidade por faixa etária e tipo de procedimento permite identificar padrões de uso e oportunidades de ajuste contratual.
- Coparticipação proporcional
Modelos que compartilham parte do custo estimulam uso consciente e reduzem consultas e exames desnecessários.
- Redes segmentadas
Planos com redes regionais ou referenciadas podem oferecer melhor equilíbrio entre qualidade e previsibilidade financeira.
- Programas de prevenção
Gestão de doenças crônicas e incentivo à prevenção reduzem internações e procedimentos de alta complexidade no médio prazo.
- Revisão contratual anual especializada
Negociações baseadas em dados comparativos de mercado aumentam a capacidade de controle sobre reajustes e coberturas. “Plano de saúde é contrato dinâmico e precisa acompanhar o momento da empresa”, reforça.
A contratação de consultorias ou corretoras com experiência em análise técnica e benchmarking tornou-se diferencial estratégico. Em um ambiente de custos médicos elevados e judicialização recorrente, a gestão ativa do benefício deixou de ser opcional. Tornou-se parte central da governança financeira das organizações.
Sobre Leandro Lotto Lago
Leandro Lotto Lago é corretor especialista em proteção de riscos financeiros e seguros, além de proprietário do Grupo Futuro e sócio da ATrinca Contábil® sendo o nº 01 em Plano de Saúde, Seguro de Vida e Seguro Escolar. Engenheiro civil formado pela FEI, possui mais de 25 anos de experiência na área comercial e atua há 13 anos no mercado securitário. Com formação continuada em Programação Neurolinguística (PNL) e inteligência emocional, acumula vivência prática no desenho de estratégias de proteção patrimonial e financeira para pessoas físicas e empresas, com foco em planejamento de longo prazo e tomada de decisão baseada em risco.
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Sobre o Grupo Futuro
O Grupo Futuro é uma corretora especializada em seguros e proteção de riscos financeiros, com atuação voltada ao atendimento consultivo e personalizado. A empresa oferece soluções em seguros de vida, planos de saúde empresariais, proteção patrimonial e continuidade de negócios, acompanhando a transformação do mercado e o aumento da demanda por planejamento financeiro estruturado. Em 2024, a corretora encerrou o ano como líder regional da Unimed São José dos Campos e da Hapvida, além de segunda colocada na Santa Casa Saúde da região. Em 2025, voltou a se destacar em campanhas nacionais promovidas por seguradoras como Porto e SulAmérica.
Fontes de pesquisa
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
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