Por que as competências socioemocionais são cada vez mais importantes
Como preparam os jovens para os desafios do mundo do trabalho?
As cinco soft skills que podem moldar comportamentos, escolhas e trajetórias profissionais, segundo a coordenadora do Ensino Médio Técnico do Senac São Paulo, Fernanda Yamamoto
O mercado de trabalho vem passando por uma transformação profunda: talentos técnicos continuam valorizados, mas cada vez mais as empresas apontam as chamadas soft skills como decisivas na hora da contratação e do crescimento profissional. Algumas das mais desejadas pelos empregadores são comunicação, trabalho em equipe, resolução de problemas, proatividade e pensamento analítico.
Além disso, essas competências podem ser tão importantes quanto as habilidades técnicas para o sucesso no ambiente profissional. Nesse contexto, formar jovens com apenas conhecimentos teóricos pode não bastar. A chave atual é desenvolver um conjunto amplo de habilidades que permitam adaptação, colaboração, autonomia e pensamento crítico. Fernanda Yamamoto, coordenadora do Ensino Médio Técnico do Senac São Paulo, afirma que “as soft skills deixaram de ser diferencial; elas são pré-requisito para quem deseja entrar e se desenvolver no mundo do trabalho.
Para Fernanda, há cinco competências comportamentais que o Ensino Médio Técnico desenvolve de forma especialmente forte, e que coincidem diretamente com as mais demandadas pelo mercado de trabalho. A seguir, ela detalha quais são essas habilidades e por que fazem diferença e como os jovens podem começar a cultivá-las desde cedo.
1 - Autoconhecimento: entenda seu perfil para fazer escolhas conscientes
“O primeiro passo para buscar uma carreira alinhada com seus interesses e valores é conhecer bem quem você é. Na escola, os estudantes têm a chance de experimentar funções diferentes, programar, prototipar, documentar, apresentar, e isso ajuda a perceber: onde me sinto mais à vontade? Onde rendo melhor?”, explica. Para ela, essa consciência individual é a base para decisões profissionais mais assertivas e maior satisfação no longo prazo.
Sugestão prática: teste diferentes papéis em projetos escolares ou extracurriculares; reflita sobre suas reações; registre o que gostou e o que incomodou. Isso pode ajudar a construir uma “bússola pessoal” de interesses.
2 - Pensamento crítico e emancipação: competências essenciais num mundo incerto
O mercado valoriza quem analisa cenários, questiona o óbvio e toma decisões fundamentadas. “Quando o estudante aprende a investigar causas, levantar hipóteses, avaliar consequências e justificar escolhas, ele pratica o pensamento crítico, uma habilidade que, hoje, é tão ou mais valorizada do que a capacidade teórica”, diz Fernanda.
Dica prática: enfrente problemas reais em estudos, projetos e estágios, fazendo perguntas: por que isso acontece? Quais alternativas existem? Que impacto cada opção pode ter? Aprender a questionar é aprender a pensar.
3 - Autonomia e iniciativa: ser protagonista da própria trajetória
Com o mundo cada vez mais dinâmico, a capacidade de se organizar, decidir, cumprir prazos e adaptar-se é muito importante. “O estudante não pode esperar que tudo seja entregue de bandeja, ele deve planejar, executar, ajustar, revisar. Isso constrói autonomia e preparo para a incerteza do mundo real", diz.
Dica prática: assuma responsabilidades concretas desde cedo. Organize tarefas, cumpra compromissos e reflita sobre seus resultados. A autonomia deve ser construída.
4 - Comunicação eficaz: transmitir ideias com clareza
Se há uma soft skill que está sempre nas listas das mais importantes, é a comunicação. “Saber explicar, argumentar, documentar e apresentar ideias é tão importante quanto saber fazer, porque, sem isso, seu trabalho pode passar despercebido”, diz Fernanda.
Dica prática: pratique apresentações, relatórios ou discussões, mesmo curtas, e trabalhe a clareza da sua mensagem. Treinar o ‘como comunicar’ pode ser o diferencial em seleções e equipes.
5 - Colaboração e trabalho em equipe: unir forças para multiplicar resultados
Em ambientes cada vez mais interdisciplinares e colaborativos, ser capaz de trabalhar bem com perfis diferentes, negociar, escutar, contribuir e liderar em grupo faz toda a diferença. “Projetos escolares também exigem cooperação. Quem aprende a colaborar, construir em conjunto, conciliar ideias diversas, pode se destacar”, completa.
Dica prática: envolva-se em projetos de grupo, seja na escola, na comunidade ou em trabalho voluntário. Valorize o diálogo, divida responsabilidades, escute ativamente e busque contribuir para o coletivo.
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