O papel dos líderes organizacionais no combate aos preconceitos é tema do webinar Arena de Ideias
Live discutiu soluções para o aumento da diversidade nas empresas e para questões pessoais que vão além das atribuições da área de RH
Abordados há anos por movimentos e organizações sociais, os preconceitos e desigualdades entraram de vez na pauta das corporações em 2020. Com a pandemia e implementação do teletrabalho em larga escala, os líderes precisaram se atentar a aspectos sociais que, muitas vezes, ficavam na área de recursos humanos. O Arena de Ideias transmitido nesta quinta-feira (03), no canal da In Press Oficina no YouTube , abordou "O papel dos líderes no combate aos preconceitos" e debateu os principais desafios para a real inclusão e diversidade na empresas.
"Os líderes tiveram que conviver com uma equipe onde os dilemas pessoais, que já vinham acontecendo e estavam mais na agenda dos recursos humanos, vieram para eles também. Hoje estão em uma fase que eu chamaria de reaprendizagem, buscando sair de uma liderança mais pragmática para uma liderança de propósito, do engajamento, do valor humano. É tempo de angústia e de aprendizado.", explicou Diva Gonçalves, coach especializada na formação de líderes.
Para a idealizadora do Movimento Me Too Brasil, Marina Ganzarolli, um dos pontos que demonstrou a urgência das empresas em abordarem questões ligadas ao preconceito, discriminação e violência doméstica foi a junção de casa e trabalho, ampliada na pandemia com o home office.
Ganzarolli destacou que o Brasil tem a trágica marca de 5º país com mais feminicídios no mundo, são 180 estupros por dia. Com mais pessoas em casa, os índices de violência doméstica aumentaram em 2020. "A pandemia não é a responsável pela violência doméstica, é única e exclusivamente responsável por ter aumentado as condições em que a desigualdade e o preconceito se manifestam da forma mais material, física e concreta. Fica mais visível e latente a necessidade de abordar o tema dentro das instituições, não só sobre aspectos de gestão, as desigualdades que atravessam nossos funcionários, funcionárias, comunicação e direção".
Na visão de Patrícia Marins, sócia-diretora da In Press Oficina, "o comportamento gerado a partir do comportamento do líder é o que produz ação, efeito ou dano material". Para a gestora, é essencial que os líderes reconheçam os preconceitos e os enfrentem, em uma constante busca por autoconhecimento.
Patrícia Marins ressaltou que "é possível fazer negócios resolvendo problema social, encarando desafios que a humanidade enfrenta a séculos e, mais do que tudo, é possível fazer negócios enfrentando preconceitos e diferenças, salvando vidas na pandemia". A importância em construir um arcabouço de governança para dar aos líderes e liderados autoridade e confiança para enfrentar desigualdades e preconceitos também foi abordada pela sócia-diretora da In Press Oficina.
Outro ponto de destaque no debate foi a necessidade de tirar as ações de enfrentamento aos preconceitos e desigualdades do papel. "Não adianta nada ter políticas apenas no papel e na prática não se materializar, a igualdade não ser colocada na prática. A situação das pessoas negras é muito diferente, para pior, em diferença aos não negros. Desde as condições, sanitárias, de saúde, de ensino, isso vai refletindo nas expectativas de vida. É importantíssimo que líderes e gestores procurem abrir janelas de oportunidades para negros", disse Ana Cristina Rosa, chefe da Assessoria de Comunicação Social e de Cerimonial do Conselho da Justiça Federal (CJF) e colunista do jornal Folha de S. Paulo.
Discriminação em seleções
Com pouca diversidade nos cargos mais altos das empresas, a promoção da diversidade e capacitação também precisam ser revistas. As ações afirmativas e de construção de um ambiente acolhedor e de respeito podem ampliar os resultados. "Diversidade é riqueza, quando temos diversidade na liderança, a gente tem menos assédio, qualquer pesquisa prova isso. Temos mais lucro e menos situações de violência, violação, mais produtividade, é um ganha-ganha para todos os lados", afirmou Marina Ganzarolli.
"O líder precisa fazer a grande mudança de mentalidade", disse Diva Gonçalves. "Não dá mais para esconder preconceito e esses tipos de situações. Esse papel é muito importante nas pautas de conselhos, lideranças, mas esse assunto tem que estar na pauta da comunicação, principalmente da comunicação interna. Este assunto tem que estar ali".
Patrícia Marins afirmou necessidade em reconhecer os preconceitos e desigualdades. "Acredito que o primeiro passo é assumirmos racismo, que somos desiguais, que não temos muitas vezes políticas de diversidade, que somos preconceituosos nas horas de seleção. Qualquer processo de crescimento passa pelo autoconhecimento em primeiro lugar".
"Ter política de diversidade não significa ter política de combate a preconceitos, muitas vezes é falado: ‘eu estou sim com políticas, eu abraço a diversidade, sou uma empresa que tem valores a diversidade’. Mas e o combate ao preconceito? Isso não é algo que tem como estabelecer um manual, faço o tempo inteiro e faço pelo autoconhecimento, pela comunicação assertiva, pela capacitação desses líderes e para entender o preconceito", complementou Marins.
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