Prática integrada entre otorrino e obstetra traz benefícios na gestação
Alterações vocais e rinite gestacional podem exigir acompanhamento colaborativo entre profissionais
A gravidez pode alterar a estrutura vocal de gestantes ao causar mudanças anatômicas e fisiológicas no sistema respiratório, alerta o estudo “Impact of pregnancy on voice: a prospective observational study”. Disponível na National Library of Medicine, a pesquisa recomenda que as pacientes procurem acompanhamento conjunto entre obstetra e otorrino durante o pré-natal.
Os pesquisadores acompanharam um grupo de 49 gestantes no período de abril de 2019 a março de 2020. A ideia era entender as mudanças na voz das pacientes, especialmente no fim do terceiro trimestre de gestação, e, sobretudo, se essas alterações vocais permaneciam ou desapareceriam após o parto.
Os resultados reforçaram a necessidade de as mulheres receberem orientações sobre higiene vocal durante a gravidez. A recomendação é que a gestante encontre um otorrinolaringologista para a avaliação do aparelho vocal.
Para aquelas que trabalham com a voz, como cantoras e jornalistas, o acompanhamento médico deve ser regular. Em geral, é preciso evitar maus hábitos, como gritar e forçar regularmente a voz durante a gestação, orienta o estudo.
Acompanhamento pré-natal
O Brasil registrou cerca de 2,38 milhões de nascimentos somente em 2024, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca a necessidade de acompanhamento pré-natal para as gestantes, embora essa não seja a realidade de todas.
De acordo com a OMS, a ausência de acompanhamento médico pode causar diferentes complicações clínicas às mulheres e aos fetos. O melhor cenário é o acompanhamento multidisciplinar da gravidez, permitindo a identificação precoce de problemas de saúde.
Na prática, o médico obstetra poderá atuar em conjunto com profissionais de outras especialidades, como endocrinologista, cardiologista, ortopedista e, como sugere o estudo “Impact of pregnancy on voice: a prospective observational study”, otorrinolaringologistas para condições e sintomas relacionados a ouvido, garganta e nariz.
O Brasil tem mais de 37 mil obstetras em atividade, de acordo com dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. O contingente médico do país é ampliado com a presença de 13 mil otorrinos, que podem ser acionados também em casos de atendimento colaborativo, como destaca a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial.
O estudo “Impact of pregnancy on voice: a prospective observational study” projeta que há casos que irão demandar o auxílio de fonoaudiólogos. Os profissionais podem orientar as pacientes na prevenção de lesões nas pregas vocais, no ajuste da respiração e no direcionamento sobre o uso adequado da voz ao longo das mudanças fisiológicas da gravidez. Mais de 57 mil fonoaudiólogos nos estados brasileiros, segundo dados do Conselho Nacional de Fonoaudiologia.
Impactos da rinite gestacional
Outra indisposição que pode afetar pacientes durante a gravidez é a rinite gestacional, segundo o estudo “Gestational rhinitis: how can we manage it?”, publicado na National Library of Medicine.
A condição é descrita como “uma congestão nasal persistente sem sinais de infecção”. O seu surgimento se dá em razão das “mudanças hormonais e do aumento dos níveis de estrogênio”, informa o estudo.
Os principais sintomas da rinite gestacional incluem obstrução nasal, espirros frequentes e corrimento nasal. O estudo também aponta que febre e outros sinais de infecção não costumam ser relatados pelas pacientes nas consultas. “Os sintomas surgem frequentemente a partir do segundo trimestre e duram até o fim da gravidez”.
O estudo recomenda às gestantes procurarem o otorrino para avaliação. As indicações de tratamento devem ser individuais, considerando as condições do quadro clínico da paciente. A Caderneta da Gestante, disponibilizada pelo Ministério da Saúde, alerta que a automedicação é perigosa e deve ser evitada.
O estudo também pontua que a qualidade do sono das grávidas também deve ser observada. Caso a rinite gestacional afete o descanso das pacientes, a procura médica se torna ainda mais necessária. As oito horas de sono durante a noite são essenciais para a reposição de energia de mulheres grávidas.
O Ministério da Saúde afirma que repousos intercalados ao longo do dia podem ajudar na redução do cansaço e também na diminuição do inchaço nas pernas e nos pés. A pasta reforça que as grávidas devem ficar atentas a episódios de falta de ar intensa, cansaço excessivo e piora progressiva da respiração, e o médico deve ser procurado em casos de sintomas severos.
Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
<::::::::::::::::::::>