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Receita médica ilegível: os riscos da comunicação pouco acessível na saúde

  • Sexta, 06 Março 2026 18:46
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Kayro Almeida
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
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Especialista Christine Vieira Garrido explica 5 formas do conteúdo médico ser compreendido pela população

A produção de conhecimento científico na área da saúde avança em ritmo acelerado, mas transformar esse conhecimento em informação realmente compreensível para a população ainda é um dos maiores desafios da comunicação contemporânea. Estudos clínicos, protocolos assistenciais e descobertas médicas são, em geral, estruturados para a comunidade científica e utilizam linguagem técnica, o que cria barreiras de entendimento para pacientes, familiares e até profissionais de outras áreas.

O impacto dessa lacuna é direto na segurança e na adesão ao tratamento. Pesquisas mostram que pacientes podem esquecer entre 40% e 80% das informações recebidas durante uma consulta médica, e parte do que é lembrado pode estar incorreto, o que reforça a necessidade de estratégias de comunicação mais claras e estruturadas. Além disso, estudos indicam que, em condições reais, pacientes podem lembrar menos de 25% das informações recebidas verbalmente, evidenciando limitações naturais da memória quando o conteúdo é complexo ou transmitido rapidamente.

Nesse cenário, transformar informação médica em conteúdo acessível deixou de ser apenas uma habilidade desejável e se tornou uma necessidade estratégica para sistemas de saúde, profissionais e instituições.

Para Christine Vieira Garrido, especialista em saúde e marketing estratégico e enfermeira, o desafio não está em “simplificar demais”, mas em traduzir corretamente.“Informação em saúde precisa ser compreendida sem ser distorcida. A comunicação acessível não elimina a ciência, ela a torna utilizável para a tomada de decisão consciente”, afirma.

Para Christine, a boa comunicação em saúde fortalece a relação entre ciência e sociedade. “Quando a informação médica é bem traduzida, o público se sente mais seguro, participa das decisões e confia mais nos profissionais. A acessibilidade da informação é um compromisso com a saúde coletiva”, conclui.

A especialista destaca cinco caminhos fundamentais para tornar o conteúdo médico mais claro, ético e efetivo para diferentes públicos:

1. Traduzir termos técnicos sem perder o significado

Jargões científicos afastam o leitor leigo. O primeiro passo é explicar conceitos complexos com palavras simples, exemplos cotidianos e comparações responsáveis. “Traduzir não é empobrecer o conteúdo, é garantir que a mensagem seja entendida sem alterar seu sentido original”, explica Christine;

2. Conhecer o público antes de comunicar

Pacientes, cuidadores e população em geral possuem níveis diferentes de conhecimento e necessidades distintas. Ajustar a linguagem, o formato e a profundidade da informação é essencial. “Comunicação em saúde não pode ser genérica. Quando você entende para quem está falando, reduz ruídos e aumenta a confiança”, destaca;

3. Usar dados e evidências de forma contextualizada

Números e estudos são importantes, mas precisam de contexto. Percentuais isolados ou resultados absolutos podem gerar interpretações equivocadas. “Dados sem explicação assustam e criam falsas expectativas. O papel do conteúdo é orientar, não confundir”, alerta a especialista;

4. Priorizar formatos didáticos e visuais

Infográficos, vídeos curtos, ilustrações e perguntas frequentes ajudam a tornar o conteúdo mais compreensível e atrativo. “Formatos didáticos não diminuem a seriedade da informação, eles ampliam o alcance e a retenção do conhecimento”, afirma Christine;

5. Manter responsabilidade ética na comunicação

Mesmo ao buscar clareza, é fundamental respeitar limites éticos e regulatórios. Evitar promessas, generalizações e linguagem sensacionalista é indispensável.“Conteúdo acessível não pode ser sinônimo de promessa fácil. Na saúde, comunicar bem é também proteger o paciente”, reforça.

Sobre Christine Vieira Garrido:

Christine Vieira Garrido é especialista em marketing estratégico em saúde e enfermeira, com mais de 15 anos de experiência em ambientes altamente regulados. Atuou no Grupo Fleury e na Medtronic, onde liderou estratégias de marketing, gestão de produtos e lançamentos na América Latina, com foco em dispositivos médicos, educação profissional e expansão de mercado. Possui MBA Executivo em Marketing pela ESPM. Atualmente, atua como responsável pelo posicionamento de marcas, parcerias estratégicas e desenvolvimento de projetos internacionais nas áreas de estética, educação e saúde.


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