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Além dos fogachos: por que a ciência agora defende a reposição hormonal como prevenção de doenças

  • Terça, 03 Março 2026 18:52
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Mulheres que iniciam a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) logo no início do climatério apresentam uma redução de até 30% no risco de mortalidade por doenças cardiovasculares em comparação às que não - Freepik

Novos estudos indicam redução de até 30% na mortalidade cardiovascular com a terapia hormonal; entenda como a 'janela de oportunidade' protege o coração, o cérebro e os ossos após os 40 anos

Um estudo de longa duração publicado no final de 2024 no Journal of the American Medical Association (JAMA) trouxe novos números que estão mudando a percepção sobre a menopausa: mulheres que iniciam a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) logo no início do climatério apresentam uma redução de até 30% no risco de mortalidade por doenças cardiovasculares em comparação às que não realizam o tratamento. Além disso, dados da Sociedade Internacional de Menopausa (IMS) reforçam que a perda de densidade óssea pode chegar a 20% nos primeiros cinco anos após a última menstruação, tornando a reposição o tratamento "padrão-ouro" para evitar a osteoporose.

Esses números explicam por que o debate sobre hormônios deixou de ser apenas sobre bem-estar imediato e passou a ser uma questão de saúde pública e longevidade. O conceito central agora é a janela de oportunidade, um intervalo crítico de dez anos após o início da menopausa em que os benefícios da reposição para o coração e para o cérebro são máximos, e os riscos, mínimos.

Para a médica Dra. Camila Paes, da Clínica Casa Paes, entender esses dados é fundamental para desmistificar o tratamento. "A ciência atual é muito clara ao mostrar que o estrogênio não é um vilão, mas um protetor sistêmico. Quando a mulher para de produzir esse hormônio, ela perde um escudo natural contra infartos, diabetes e até contra a degradação cognitiva. Não estamos falando apenas de estética ou dos calorões, estamos falando de proteger a integridade do organismo para as próximas décadas", explica a especialista.

Na prática clínica, os benefícios se manifestam na recuperação da qualidade de vida que muitas mulheres acreditavam ter perdido para sempre. A TRH moderna, utilizando hormônios e vias de administração mais seguras, como implantes hormonais, géis e adesivos transdérmicos, atua diretamente na melhora do sono, na prevenção de doenças cardiovasculares e diabetes, na manutenção da massa muscular e na preservação da memória.

"Muitas pacientes chegam ao consultório sofrendo com o que chamamos de 'nevoeiro mental', uma dificuldade de concentração e perda de memória recente que afeta diretamente a vida profissional", pontua a Dra. Camila Paes. "A reposição devolve essa clareza mental e a disposição física. É uma ferramenta que permite à mulher atravessar essa transição mantendo sua autonomia e autoestima lá no alto."

Quando procurar tratamento

O momento ideal para procurar um especialista é assim que os primeiros sinais de irregularidade hormonal aparecem, muitas vezes ainda na perimenopausa. Mudanças no ciclo menstrual, insônia persistente, aumento de gordura abdominal, oscilações bruscas de humor e ressecamento de mucosas são alertas do corpo.

A dra. Camila reforça que o tratamento deve ser individualizado e encarado como um investimento. "Cada mulher tem uma assinatura hormonal única. Aqui, temos o objetivo de ajustar essa balança para que a menopausa não seja um período de declínio, mas de renovação. O foco do tratamento da menopausa mudou. Não tratamos apenas os sintomas, tratamos a saúde da mulher para que ela viva os 40 ou 50 anos pós-menopausa com a mesma energia de antes", finaliza.


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