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Dengue antes do sintoma: com até 1,8 milhão de casos previstos, dados do esgoto podem antecipar surtos e orientar o combate à doença

  • Quinta, 26 Fevereiro 2026 18:25
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Rodolfo Milone
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Tecnologia de PCR digital, já adotada mundialmente, permite identificar a circulação do vírus antes do avanço de casos e apoiar decisões rápidas do poder público

O Brasil poderá encerrar 2026 com até 1,8 milhão de casos prováveis de dengue, segundo estimativa do projeto internacional IMDC (InfoDengue-Mosqlimate Dengue Challenge), em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a FGV (Fundação Getúlio Vargas). Entre 65% e 70% das infecções devem se concentrar na Região Sudeste, o que, caso se confirme, representará o segundo maior número de registros no país desde 2010.

Nesse contexto, o monitoramento de águas residuais – ou esgoto - surge como uma ferramenta complementar, capaz de ampliar a capacidade de resposta do sistema de saúde. Por meio da tecnologia de PCR digital, é possível identificar a presença do vírus da dengue no esgoto antes do aumento de casos sintomáticos, funcionando como um sistema de alerta precoce para autoridades públicas.

Segundo Arthur Silva, Gerente Regional LATAM de Marketing para PCR digital da QIAGEN, multinacional que oferece soluções avançadas de testagem no Brasil, a análise das redes de esgoto pode contribuir para decisões mais rápidas e direcionadas no controle da doença.

“Enquanto os dados clínicos, provenientes de pacientes com dengue, mostram o problema quando ele já está instalado, o monitoramento de águas residuais permite enxergar o avanço do vírus de forma antecipada. Esse monitoramento fornece aos gestores públicos indicadores antecipados que auxiliam na definição de medidas conforme os protocolos locais.”, explica.

Vigilância epidemiológica ampliada

Considerada uma tecnologia de alta sensibilidade, capaz de detectar fragmentos do material genético do vírus da dengue (RNA) presentes nos resíduos eliminados por pessoas infectadas, inclusive assintomáticas, a PCR digital é uma grande aliada das iniciativas de vigilância epidemiológica. A partir da coleta de amostras de esgoto por equipes especializadas, os dados laboratoriais permitem mapear a circulação viral em comunidades e identificar tendências de crescimento antes da explosão de casos.

“A PCR digital constitui um instrumento de alta sensibilidade para a vigilância epidemiológica, capaz de detectar quantidades muito pequenas de material genético de agentes virais ou bacterianos presentes no esgoto. A geração desses dados permite acompanhar a circulação de patógenos em populações específicas e fornecer subsídios técnicos para o planejamento e a tomada de decisão em saúde pública antes da consolidação de surtos”, afirma Silva.

Além de antecipar a detecção do vírus, a tecnologia também pode contribuir para o acompanhamento da evolução epidemiológica e, em alguns casos, para a identificação de variantes em circulação, ampliando a capacidade de planejamento das políticas públicas de saúde.

Uma estratégia já validada globalmente

O uso da PCR digital em águas residuais já é adotado em países da Europa, Austrália e Estados Unidos. A estratégia ganhou destaque durante a pandemia de COVID-19, quando se mostrou eficaz no rastreamento do coronavírus e passou a integrar o controle epidemiológico de diferentes doenças infecciosas.

Evidências científicas recentes reforçam o potencial da vigilância ambiental como fonte complementar de informações epidemiológicas. Um estudo conduzido na Itália, durante o maior surto de dengue já registrado no país, demonstrou que o vírus pôde ser detectado em amostras de esgoto por meio de PCR digital, com sensibilidade superior às metodologias tradicionais. Os resultados indicam que a abordagem é viável em cenários reais de transmissão e pode contribuir para orientar ações de saúde pública ainda nas fases iniciais da circulação viral.

“A experiência da pandemia demonstrou que o monitoramento de águas residuais pode funcionar como um radar sanitário. Em um país com dimensões e desigualdades como o Brasil, essa abordagem pode complementar os sistemas tradicionais de vigilância e contribuir para respostas mais rápidas e eficientes”, destaca o executivo.

Diante do avanço da dengue e do impacto de fatores como mudanças climáticas, urbanização e mobilidade populacional, a incorporação de novas ferramentas de monitoramento se torna cada vez mais relevante.

“O monitoramento de águas residuais não substitui as estratégias existentes, mas amplia a capacidade de prevenção e controle. Trata-se de uma solução com grande alcance populacional, execução relativamente rápida e potencial para apoiar políticas públicas de saúde de forma contínua, e não apenas em momentos de emergência”, conclui Arthur Silva.


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