SEGS Portal Nacional

Saúde

Saúde mental no tratamento oncológico: pacientes emocionalmente amparados são mais propensos a seguir os protocolos médicos

  • Segunda, 05 Janeiro 2026 18:40
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Mariana Baiter Santos  
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
  • Imprimir

Foto: Reprodução / Freepik

Suporte emocional e psicológico na jornada contra o câncer é essencial para fortalecer o enfrentamento da doença e melhorar os resultados terapêuticos

O diagnóstico de câncer marca um divisor de águas na vida do paciente, trazendo à tona desafios físicos, emocionais e até espirituais. Além do impacto do tratamento no corpo, a mente também é profundamente afetada, com muitos pacientes enfrentando ansiedade, depressão e medo do futuro. Reconhecer e tratar essas questões é essencial para garantir a qualidade de vida e melhorar a resposta às terapias oncológicas.

Um estudo publicado na Frontiers¹ revela que 25% dos pacientes com câncer apresentam sintomas de depressão, e até 45% relatam níveis elevados de ansiedade. Esses transtornos não apenas reduzem a qualidade de vida, mas também interferem diretamente na adesão ao tratamento. "A saúde mental não é um elemento acessório; ela é uma parte essencial do cuidado integral do paciente oncológico," ressalta Cristiane Bergerot, líder nacional da especialidade equipe multidisciplinar da Oncoclínicas.

O suporte psicológico permite ao paciente enfrentar o processo terapêutico com maior resiliência, fortalecendo a comunicação com a equipe médica e favorecendo a adesão às terapias. Psicólogos especializados desempenham um papel crucial, ajudando a gerenciar emoções, criar estratégias de enfrentamento e até orientar familiares no suporte ao paciente.

Psicoterapia ainda é desafio no Brasil

Apesar de sua relevância comprovada na melhoria da qualidade de vida, a psicoterapia enfrenta barreiras consideráveis no Brasil, impedindo que muitos pacientes tenham acesso a esse recurso essencial. O Índice Instituto Cactus-Atlas de Saúde Mental² destaca que apenas 5,1% dos brasileiros recebem acompanhamento psicoterapêutico regular, enquanto 16,6% fazem uso de medicamentos psiquiátricos sem apoio complementar, uma prática que pode limitar a eficácia do tratamento.

A psicoterapia também enfrenta o estigma cultural, muitas vezes vista como desnecessária ou como um "luxo". Esse preconceito, aliado à falta de informação sobre os benefícios do acompanhamento psicológico, leva muitos pacientes a desconsiderar essa opção, mesmo quando apresentam sinais claros de sofrimento emocional.

Outro entrave significativo está na baixa integração da saúde mental ao cuidado oncológico. Faltam profissionais especializados disponíveis para atender a demanda crescente, além de uma coordenação mais eficaz entre psicólogos, oncologistas e outros profissionais da saúde para oferecer um atendimento multidisciplinar.

"Precisamos desmistificar questões como essas. O câncer não afeta apenas o corpo; ele impacta o indivíduo de forma holística, e a abordagem terapêutica deve refletir essa complexidade," acrescenta Bergerot.

Corpo, mente e espírito: a espiritualidade no cuidado oncológico

A espiritualidade surge como um componente indispensável no enfrentamento do câncer, complementando abordagens terapêuticas e psicológicas. Segundo Clarissa Mathias, a espiritualidade tem o poder de ressignificar a experiência do paciente, oferecendo conforto, equilíbrio e propósito mesmo nos momentos mais desafiadores. "Ela permite ao paciente encontrar forças internas para lidar com a jornada, promovendo bem-estar e serenidade em meio às adversidades", destaca Clarissa Mathias, oncologista da Oncoclínicas.

Diferente da religiosidade, que envolve dogmas e práticas específicas de uma fé, a espiritualidade pode ser vivenciada de diversas formas, como por meio da meditação, do contato com a natureza ou de reflexões pessoais. Essas práticas auxiliam na redução do estresse e contribuem para uma visão mais ampla e integrada da saúde mental, conectando corpo, mente e espírito.

No entanto, integrar a espiritualidade à prática médica ainda enfrenta obstáculos significativos. Falta de capacitação dos profissionais, tempo restrito nas consultas e o receio de impor crenças pessoais ao paciente são algumas das barreiras apontadas. "A medicina contemporânea precisa enxergar o paciente em sua totalidade, compreendendo que o cuidado vai além do biológico e inclui aspectos emocionais e espirituais. Essa abordagem mais humanizada é essencial para oferecer suporte completo," afirma a oncologista.

Iniciativas que promovem a espiritualidade como parte do cuidado oncológico têm mostrado impactos positivos, reforçando que a saúde integral não se limita ao físico, mas inclui a dimensão emocional e espiritual. Essa visão holística está alinhada com a busca por práticas mais humanizadas na medicina e no acompanhamento de pacientes oncológicos.

Benefícios do acompanhamento psicológico

- Adesão ao tratamento: pacientes emocionalmente amparados são mais propensos a seguir os protocolos médicos;
- Redução do estresse: técnicas como mindfulness e terapia cognitivo-comportamental ajudam a equilibrar as emoções;
- Fortalecimento da rede de apoio: psicólogos podem orientar familiares a prestar suporte de maneira mais eficaz;
- Melhora na qualidade de vida: reduzir os sintomas de depressão e ansiedade proporciona mais momentos de bem-estar durante a jornada oncológica;

Caminhos para melhorar o cenário

Garantir uma abordagem integral no cuidado oncológico, que contemple saúde mental e espiritualidade, exige uma série de transformações estruturais e culturais. Entre os passos mais urgentes estão o fortalecimento de políticas públicas, o investimento em educação profissional e a ampliação do acesso a serviços especializados de saúde mental e espiritualidade.

- Políticas públicas robustas e financiamento adequado
- O fortalecimento de políticas públicas de saúde mental é fundamental para garantir o acesso a terapias psicológicas e cuidados integrativos no contexto oncológico. Isso inclui financiamento direcionado para a contratação de psicólogos especializados, além da inclusão de práticas integrativas e complementares.
- Educação e capacitação de profissionais de saúde
- A formação dos profissionais da área médica deve ser revisada para incluir competências sobre saúde mental e espiritualidade, promovendo uma visão mais humanizada do cuidado. Cursos e treinamentos poderiam abordar técnicas de abordagem emocional, como anamnese espiritual e comunicação empática. Essa formação ajudaria médicos, enfermeiros e psicólogos a oferecer um suporte mais completo, reduzindo barreiras de tempo e desconhecimento.
- Campanhas de conscientização pública
- Campanhas voltadas ao público geral têm papel estratégico na desmistificação da psicoterapia e no incentivo ao cuidado integral. Essas iniciativas poderiam abordar temas como o impacto da saúde mental na adesão ao tratamento oncológico e o papel da espiritualidade no enfrentamento da doença, promovendo maior aceitação e busca ativa por suporte.
- Integração entre suporte psicológico e espiritual
- Modelos de atendimento integrativo, que aliam psicoterapia a abordagens de espiritualidade, têm mostrado resultados promissores. Parcerias com comunidades religiosas ou organizações que oferecem apoio espiritual podem criar redes de suporte mais amplas e acessíveis. Além disso, tecnologias como aplicativos de meditação e plataformas de suporte emocional podem ser ferramentas viáveis para complementar o atendimento presencial.
- Pesquisa e inovação
- Investir em pesquisas sobre os impactos da saúde mental e da espiritualidade no tratamento oncológico é crucial para embasar políticas e práticas clínicas. Estudos que avaliem a eficácia de abordagens integrativas, como terapias baseadas em mindfulness e grupos de apoio espiritual, podem reforçar sua inclusão no cuidado padrão.

"A verdadeira luta contra o câncer vai além da doença; é uma jornada pela dignidade, pelo equilíbrio e pelo bem-estar do paciente. Precisamos de uma medicina que enxerga o ser humano em sua complexidade, unindo corpo, mente e espírito para alcançar melhores resultados terapêuticos," conclui Cristiane Bergerot.

Referências

Habimana S, Biracyaza E, Mpunga T, Nsabimana E, Kayitesi F, Nzamwita P, et al. Prevalence and associated factors of depression and anxiety among patients with cancer seeking treatment at the Butaro Cancer Center of Excellence in Rwanda. Frontiers Public Health. Disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpubh.2023.972360
Panorama da saúde mental. Disponível em: https://institutocactus.org.br/projeto/panorama-da-saude-mental/

Sobre a Oncoclínicas&Co

A Oncoclínicas&Co, um dos principais grupos dedicados ao tratamento do câncer no Brasil, oferece um modelo hiperespecializado e inovador voltado para toda a jornada oncológica do paciente. Presente em mais de 140 unidades em 47 cidades brasileiras, a companhia reúne um corpo clínico formado por mais de 1.700 médicos especializados na linha de cuidado do paciente oncológico. Com a missão de democratizar o acesso à oncologia de excelência, realizou cerca de 670 mil tratamentos nos últimos 12 meses. Com foco em pesquisa, tecnologia e inovação, a Oncoclínicas segue padrões internacionais de alta qualidade, integrando clínicas ambulatoriais a cancer centers de alta complexidade, potencializando o tratamento com medicina de precisão e genômica. É parceira exclusiva no Brasil do Dana-Farber Cancer Institute, afiliado à Harvard Medical School, e mantém iniciativas globais como a Boston Lighthouse Innovation (EUA) e a participação na MedSir (Espanha). Integra ainda o índice IDIVERSA da B3, reforçando seu compromisso com a diversidade. Com o objetivo de ampliar sua missão global de vencer o câncer, a Oncoclínicas chegou à Arábia Saudita por meio de uma joint venture com o Grupo Al Faisaliah, levando sua expertise oncológica para um novo continente. 


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

 

+SAUDE ::

Jan 06, 2026 Saúde

Vacinação em dia! O cuidado que começa nas férias e…

Jan 06, 2026 Saúde

Janeiro Branco: estudo liga uso precoce de smartphones…

Jan 06, 2026 Saúde

Pancreatite: A Inflamação Silenciosa Que Pode Exigir…

Jan 05, 2026 Saúde

Dicas de como cuidar da pele após as festas de fim de…

Jan 05, 2026 Saúde

Verão Laranja: quando o culto ao bronze e a…

Dez 30, 2025 Saúde

Chutou o balde nas festas de fim de ano? Veja 5 dicas…

Dez 30, 2025 Saúde

Botox e verão combinam? Especialista explica os prós e…

Dez 30, 2025 Saúde

Check-up médico: por que incluir ouvido, nariz e…

Dez 29, 2025 Saúde

Suplementação no verão: o que muda na rotina com sol,…

Dez 29, 2025 Saúde

Coração em alerta: como os excesso das festas podem…

Dez 29, 2025 Saúde

Dicas para vencer o sedentarismo e começar o novo ano…

Dez 26, 2025 Saúde

Especialista alerta sobre cuidados pós-cirúrgicos no…

Dez 26, 2025 Saúde

Verão sem dor: como curtir o sol cuidando da sua saúde…

Dez 26, 2025 Saúde

Verão na praia: cuidados com a alimentação para evitar…

Dez 23, 2025 Saúde

Exageros de fim de ano podem comprometer a fertilidade,…

Dez 23, 2025 Saúde

Nódulos na Tireoide: O Sinal de Alerta Que Muitos…

Mais SAUDE>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version