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Aneurisma cerebral ainda mata 1 em cada 5 pacientes no Brasil, mas técnica moderna reduz riscos

  • Terça, 14 Outubro 2025 18:21
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Paulo Novais
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Foto Profissional. (Crédito: pexels.com)

Técnica endovascular reduz riscos, acelera a recuperação e redefine os padrões da neurocirurgia moderna

A neurocirurgia vive uma nova fase com o avanço das técnicas minimamente invasivas. O tratamento endovascular, que dispensa a abertura do crânio, já se consolidou como uma das principais alternativas para pacientes com aneurisma cerebral, dilatações nas paredes das artérias do cérebro que podem causar hemorragias fatais quando se rompem.

De acordo com a neurocirurgiã Dra. Ingra Souza, o avanço representa uma mudança profunda na forma de tratar doenças neurológicas graves. “Durante muitos anos, o tratamento dos aneurismas exigia cirurgias abertas e longos períodos de recuperação. Hoje, conseguimos acessar o interior dos vasos cerebrais por dentro do sistema circulatório, o que reduz o trauma cirúrgico e devolve qualidade de vida ao paciente em menos tempo”, afirma.

Os dados mais recentes do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram a dimensão do problema e a importância dos avanços na área. Entre 2017 e 2022, o Brasil registrou mais de 61 mil internações por hemorragia subaracnóide aneurismática, uma das complicações mais graves da doença, com taxa média de mortalidade hospitalar próxima de 20%. No mesmo período, foram realizados 8,2 mil procedimentos endovasculares em todo o país, número que confirma a expansão da técnica na rede pública e o impacto das inovações médicas sobre a sobrevida dos pacientes. Apesar do progresso, a maioria dos diagnósticos ainda ocorre em estágios avançados, quando o aneurisma já apresenta risco de ruptura. Especialistas destacam a necessidade de ampliar o rastreamento preventivo e o acesso ao diagnóstico precoce, medida capaz de salvar vidas e reduzir sequelas neurológicas permanentes.

O que é o aneurisma cerebral

O aneurisma cerebral é uma dilatação localizada na parede de uma artéria, provocada pela fragilidade da estrutura do vaso. Pode variar de poucos milímetros a mais de dois centímetros e, em grande parte dos casos, não apresenta sintomas. Quando se rompe, provoca uma hemorragia subaracnóide, quadro grave que pode levar à morte.

“Os sinais de ruptura são característicos e exigem atendimento imediato: dor de cabeça súbita e intensa, perda de consciência, rigidez no pescoço e alterações visuais. Metade dos pacientes não sobrevive à hemorragia, e muitos dos sobreviventes desenvolvem sequelas neurológicas permanentes”, explica a Dra. Ingra Souza.

Os aneurismas cerebrais são mais frequentes em mulheres e em pessoas com mais de 40 anos. Fatores como hipertensão arterial, tabagismo, histórico familiar, uso de drogas ilícitas e doenças genéticas, como a síndrome de Marfan e a doença renal policística, aumentam o risco de desenvolvimento da condição.

O diagnóstico ocorre por meio de exames de imagem como: ressonância magnética, tomografia computadorizada e angiografia cerebral, que permitem identificar a dilatação e definir a melhor estratégia terapêutica. “O rastreamento em pessoas com histórico familiar é essencial. Detectar o aneurisma antes da ruptura pode evitar complicações graves e até salvar vidas”, destaca a neurocirurgiã.

Como funciona o tratamento endovascular

No procedimento conhecido como embolização, o neurocirurgião realiza uma pequena incisão na virilha e insere um cateter fino que percorre o sistema vascular até o cérebro. No local do aneurisma, são aplicados dispositivos como espirais metálicas (coils) ou stents, que bloqueiam o fluxo sanguíneo dentro da dilatação e impedem o rompimento.

“O diferencial está na precisão e na segurança. O tratamento é feito sem abrir o crânio, com menor risco de complicações e tempo de internação reduzido. Em geral, o paciente recebe alta em dois ou três dias e retorna às atividades em pouco tempo”, explica a Dra. Ingra Souza.

Nem todos os casos são indicados para o tratamento endovascular. O formato, o tamanho e a localização do aneurisma definem a conduta mais adequada. Em situações específicas, a cirurgia aberta ainda é necessária. Após o tratamento, o acompanhamento neurológico é indispensável para garantir a oclusão completa do aneurisma e prevenir recidivas.

Para a Dra. Ingra Souza, a técnica endovascular representa uma das maiores conquistas da medicina contemporânea. “Tratar um aneurisma cerebral sem abrir o crânio simboliza a união entre tecnologia e cuidado humano. É uma mudança de paradigma que salva vidas, reduz sequelas e permite que o paciente retome sua rotina com segurança e autonomia”, conclui.

Sobre a Dra. Ingra Souza

Neurocirurgiã, com atuação em cirurgias de crânio, coluna e dor. É coautora do estudo “Therapeutic anticoagulation for venous thromboembolism after recent brain surgery” (Clin Neurol Neurosurg, 2020). Aprovada na Prova de Título de Especialista da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) em 2025, atende no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.


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