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Teste genético prevê resposta a medicamentos para perda de peso

  • Segunda, 13 Outubro 2025 18:56
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Luisa Pascoareli
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Neste estudo, os pesquisadores analisaram a saciedade em quase 800 adultos com obesidade

Pesquisadores da Mayo Clinic desenvolveram um teste genético que pode ajudar a prever como as pessoas responderão a medicamentos para perda de peso, como os da classe do GLP-1.

O teste estima a saciedade calórica (CTS, do inglês calories to satiation) de cada indivíduo — a quantidade de alimento necessária para que a pessoa se sinta satisfeita — e relaciona essa característica biológica ao sucesso do tratamento. As descobertas, publicadas na revista Cell Metabolism, representam um passo promissor em direção a tratamentos mais personalizados e eficazes para pessoas que convivem com a obesidade.

"Os pacientes merecem tratamentos que reflitam sua biologia, e não apenas o tamanho dos seus corpos," diz o Ph. D. e Dr. Andres Acosta, gastroenterologista na Mayo Clinic e autor sênior do estudo. "Esse teste nos ajuda a oferecer a medicação certa para a pessoa certa desde o início."

A obesidade é uma doença crônica e complexa que afeta mais de 650 milhões de adultos ao redor do mundo. Ela é o resultado de uma combinação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais que variam de pessoa para pessoa. Essa complexidade ajuda a explicar por que as respostas às intervenções para perda de peso são diferentes entre os indivíduos. Ainda assim, as decisões sobre o tratamento muitas vezes se baseiam em medidas simples, como o índice de massa corporal (IMC), em vez dos processos biológicos que determinam o ganho e a perda de peso.

Para descobrir esses processos, o Dr. Acosta concentrou-se na saciedade, o sinal fisiológico que indica ao corpo que ele já comeu o suficiente. Em 2021, ele e seus colegas definiram uma série de fenótipos da obesidade para descrever padrões alimentares. Por exemplo, algumas pessoas com obesidade tendem a ingerir refeições muito grandes ("cérebro faminto"), enquanto outras podem ingerir porções médias, mas realizar lanches com frequência ao longo do dia ("intestino faminto").

Neste estudo, os pesquisadores analisaram a saciedade em quase 800 adultos com obesidade, convidando-os a participar de uma refeição com lasanha, pudim e leite à vontade até se sentirem cheios. Os resultados revelaram uma variação impressionante: Alguns participantes pararam de comer após ingerirem 140 calorias, enquanto outros consumiram mais de 2 mil calorias. Em média, os homens consumiram mais calorias do que as mulheres.

A equipe investigou possíveis explicações para essa variabilidade. Diversos fatores, incluindo peso corporal, altura, percentual de gordura corporal, relação cintura-quadril e idade — bem como hormônios relacionados ao apetite, como a grelina e a leptina — tiveram apenas um pequeno papel. No entanto, nenhum desses fatores explicou a grande variação na ingestão calórica. Por isso, os pesquisadores recorreram à genética.

Utilizando o aprendizado de máquina, os pesquisadores combinaram variantes em 10 genes conhecidos por influenciar a ingestão de alimentos em uma única métrica, chamada CTS-GRS (Escore Genético de Risco para Saciedade Calórica, do inglês Calories to Satiation Genetic Risk Score). O escore, calculado a partir de uma amostra de sangue ou saliva, fornece uma estimativa personalizada do limiar de saciedade esperado de cad pessoa.

Os pesquisadores da Mayo Clinic calcularam, então, a métrica CTS-GRS em ensaios clínicos com dois medicamentos aprovados pela Food and Drug Administration: um fármaco de primeira geração para perda de peso, a combinação fentermina-topiramato (nome comercial Qsymia), e um fármaco mais recente da classe do GLP-1, a liraglutida (Saxenda). Eles descobriram que:

- Pessoas com um limiar de saciedade elevado perderam mais peso com a combinação fentermina-topiramato. Esse medicamento pode ajudar a controlar o tamanho das porções e a reduzir a ingestão excessiva de refeições muito grandes (cérebro faminto).
- Pessoas com um limiar de saciedade baixo responderam melhor à liraglutida. Esse medicamento pode reduzir a fome em geral e a frequência de ingestão dos alimentos (intestino faminto).

"Com um único teste genético, podemos prever quem tem mais chance de obter sucesso com dois tipos de medicamento," diz o Dr. Acosta. "Isso significa um cuidado com um maior custo-benefício e com melhores resultados para os pacientes."

A equipe realizou estudos adicionais para prever a resposta à semaglutida, outro medicamento da classe do GLP-1 (comercializado sob os nomes Ozempic e Wegovy), e espera-se que os resultados sejam publicados em breve. Além disso, os pesquisadores estão trabalhando para expandir o teste, incorporando dados do microbioma e do metaboloma, bem como desenvolvendo modelos para prever efeitos colaterais comuns, como náuseas e vômitos.

Conflito de interesses ou divulgação: A tecnologia CTS-GRS foi licenciada para a Phenomix Sciences, parceira da Mayo Clinic na comercialização de inovações. A tecnologia já está sendo utilizada em 300 clínicas nos Estados Unidos.

Sobre a Mayo Clinic

Mayo Clinic é uma organização sem fins lucrativos comprometida com a inovação na prática clínica, educação e pesquisa, fornecendo compaixão, experiência e respostas a todos que precisam de cura. Visite a Rede de Notícias da Mayo Clinic para maiores informações sobre a Mayo Clinic.


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