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Como evitar a obesidade infantil na pandemia?

  • Quarta, 16 Junho 2021 10:44
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Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que uma a cada três crianças com idade entre cinco e nove anos está com excesso de peso

Diversos estudos estão sendo conduzidos em todo o mundo no sentido de entender e mapear as consequências do isolamento social para a saúde física e mental da população, entre elas a obesidade, cada vez mais prevalente em adultos, adolescentes e crianças.

“Há um estudo que usou até mesmo o termo Covibesity (em tradução livre, “Coviobesidade”), para se referir a essa condição”, comenta Dra. Camila Mascaretti Dias, pediatra e endocrinologista infantil da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, que alega que as crianças estão sendo fortemente afetadas na pandemia.

Segundo os registros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada três crianças com idade entre cinco e nove anos está acima do peso, tendência que pode aumentar como reflexo do período atual.

A especialista ressalta que os principais fatores agravantes desse quadro, potencializados pelo longo período de isolamento social, foram incorporados ao dia a dia das famílias brasileiras, o que dificulta o resgate de uma rotina mais saudável, essencial para evitar a obesidade.

“As crianças sofrem bastante, pois o convívio escolar foi interrompido, a interação com os amigos e demais familiares se restringiu à videochamadas, as brincadeiras se limitaram ao espaço interno de casa, o que acabou por gerar aumento do estresse, frustração, ansiedade e depressão nas crianças, muitas vezes levando-as a comerem mais. É uma bola de neve”, explica.

Para a Dra. Camila, tudo isso associado ao comprometimento financeiro e emocional de muitas famílias, contribui para o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados.

“Esse tipo de alimento, que favorece o ganho de peso, prejudicando a qualidade da alimentação, passou a ser a opção mais barata e prática em muitos lares, atendendo às necessidades daquelas famílias que não conseguiram adaptar sua rotina para cozinhar em casa”, destaca.

Qual o risco da obesidade?

A médica explica que o excesso de gordura corporal leva a uma inflamação crônica no corpo, gerando alterações metabólicas importantes que colocam o organismo em risco de desenvolver inúmeras doenças. “Resistência à insulina, dislipidemia, hipertensão e altos níveis de citocinas pró-inflamatórias são fatores que comprometem o funcionamento dos órgãos e sistemas no indivíduo obeso”, cita.

“Além disso, o consumo de alimentos que são pobres em fibras, vitaminas e fitonutrientes, e ricos em sódio, gorduras saturadas e gorduras trans, também leva a alterações na microbiota intestinal, o que compromete a imunidade como um todo”, afirma.

Como ajudar

Diante desse cenário, o mais importante é controlar o ambiente em que a criança está inserida. “Não é uma tarefa fácil, mas a mudança no quadro é fundamental para evitar problemas graves decorrentes do excesso de peso, algo com o qual as crianças podem ter que lidar pelo resto da vida”, alerta a médica.

Uma medida simples é evitar a exposição de doces e alimentos ultraprocessados. “Em uma crise de ansiedade, é muito difícil comer 10 bananas ou 15 laranjas, por exemplo, mas um pacote de bolacha ou uma caixa de bombons inteira podem ser alvos fáceis”.

Isso ocorre, segundo a especialista do São Camilo, porque os alimentos naturais e integrais contém muitas fibras e água, sendo praticamente impossível extrapolar um excesso grande de calorias, mesmo consumindo quantidades maiores desses alimentos. “E mesmo ultrapassando a quantidade, a saciedade vai ser muito mais duradoura, pois a digestão será mais lenta, o que levará a pessoa a comer menos nas horas subsequentes”, frisa.

A principal recomendação aos pais, portanto, é focar nas refeições principais, enriquecendo-as com legumes, vegetais, grãos integrais e leguminosas. Para os lanchinhos, deve-se deixar à disposição frutas secas ou in natura, castanhas, pipoca e outros alimentos não processados ou pouco processados.

Combate ao sedentarismo

Não é segredo para ninguém que a atividade física é fundamental para benefício da saúde geral. No entanto, o isolamento social teve grande impacto no aumento do sedentarismo tanto na população adulta quanto nas crianças e adolescentes.

A endocrinologista infantil ressalta que reduzir o tempo de exposição a telas e estimular pelo menos uma hora de atividade física diária entre os pequenos é uma questão essencial.

Essa atividade pode vir por meio de brincadeiras de desafio ou dança, por exemplo. Os pais podem desafiar a criança a realizar um movimento com o corpo, imitar animais ou estimular jogos de mímica, enfim atividades divertidas que podem ser incorporadas em um momento do dia.

Os pais devem estar atentos, ainda, a qualquer sinal de distúrbio relacionado à ansiedade ou depressão:

- Alterações no sono

- Choro fácil

- Alterações bruscas de humor

- Desânimo ou desinteresse por atividades que antes eram prazerosas

- Dificuldades escolares

A recomendação da Dra. Camila, nesses casos, é buscar o atendimento do pediatra, que poderá orientar o acompanhamento psiquiátrico ou psicológico da criança, se necessário.

Sobre a Rede de Hospitais São Camilo

As Unidades da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo prestam atendimentos de emergência e eletivos em mais de 60 especialidades, cirurgias de alta complexidade e transplantes de medula óssea. O hospital da Pompeia é acreditado pela Joint Commission International (JCI). A unidade São Camilo Oncologia, por sua vez, é referência em Pesquisa Clínica no Brasil, sendo considerada Top Recruitment - o maior recrutador de pacientes com mais de 40 estudos patrocinados na área de Oncologia.

Os hospitais privados da Rede subsidiam as atividades de cerca de 40 unidades administradas pela Sociedade Beneficente São Camilo e que atendem pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) em 15 Estados brasileiros.

No Brasil desde 1922, a Sociedade Beneficente São Camilo, que pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, foi fundada por Camilo de Lellis e conta, ainda, com 25 centros de educação, dois colégios e dois centros universitários.


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