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Desvio do olho para fora também é uma forma de estrabismo

  • Quarta, 14 Outubro 2020 11:55
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Leda Sangiorgio
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
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Desvio pode ocorrer sempre ou de vez em quando

Embora a vesguice seja o tipo mais conhecido do estrabismo, o desvio do olho para fora, em direção às orelhas, também é uma forma dessa condição oftalmológica, muito comum na infância.

Segundo Dra. Marcela Barreira, oftalmopediatra especialista em Estrabismo, o desvio do olho para fora é chamado de estrabismo divergente.

“Esse desvio pode ser constante ou intermitente, ou seja, pode ocorrer sempre ou de vez em quando. O intermitente é o mais comum, sendo esse o motivo pelo qual os pais têm dificuldade de perceber o desvio”, comenta.

“O estrabismo divergente intermitente fica mais evidenciado quando a criança está cansada, com sono ou mais distraída. Esse desvio costuma aparecer após o primeiro ano de vida, mas há casos em que se desenvolve nos primeiros meses”, explica Dra. Marcela.

Longa jornada para o diagnóstico

A pequena Valentina, hoje com cinco anos, começou a desviar o olho aos oito meses. “Minha esposa comentou comigo que a Valentina estava entortando o olho para fora. Eu não reparei nada e brinquei que era excesso de preocupação. Até que um dia eu percebi que o desvio era real”, conta Thiago Nassa, empresário e pai da Valentina.

A jornada em busca do diagnóstico foi longa. “Como o estrabismo é uma condição específica, precisamos procurar um especialista e não há muitos que atendem pelo plano de saúde. Só conseguimos encontrar uma oftalmopediatra quando a Valentina tinha um ano. O diagnóstico ocorreu nos primeiros momentos da consulta e não veio sozinho. Descobrimos que ela tinha também cinco graus de miopia”, diz o empresário.

“Optamos por fazer a cirurgia de correção do estrabismo quando ela tinha quatro anos. Hoje ela não tem mais o desvio, porém fazemos acompanhamento para a miopia, pois o grau é alto”, relata Thiago.

Correção do estrabismo

Atualmente, a maior parte dos estrabismos é tratada com cirurgia. Temos quatro músculos que comandam os movimentos oculares.

"No estrabismo, esse grupo muscular está desalinhado, por isso ocorrem os desvios. Podemos fazer uma analogia desses músculos com as rédeas que comandam um cavalo. Esses músculos precisam estar alinhados para realizar os movimentos de forma simultânea e na mesma direção (para cima, para baixo, para a esquerda e para a direita)", explica Dra. Marcela.

A cirurgia visa justamente restabelecer o alinhamento e o equilíbrio desses músculos, para que funcionem de forma sincronizada.

A especialista ressalta que há casos em que o desvio divergente intermitente está bem compensado. Assim, é possível acompanhar a evolução do estrabismo em consultas periódicas, postergando a cirurgia.

“Vale lembrar que não há tratamento clínico para o estrabismo, exceto para o desvio convergente (para dentro) causado pela hipermetropia. Esse tipo e estrabismo é corrigido com o uso de óculos. Os demais só se resolvem com a cirurgia”, reforça Dra. Marcela.

Consulta de rotina é essencial na infância

“Eu nunca imaginei que fosse tão importante fazer uma consulta de rotina com um oftalmopediatra antes do primeiro ano de vida. Felizmente, minha esposa percebeu precocemente e conseguimos tratar o estrabismo da Valentina”, comenta Thiago.

“É importante dizer ainda que o tratamento do estrabismo não é estético, uma vez que o desvio pode causar prejuízos permanentes à visão, levando à ambliopia, popularmente conhecida como olho preguiçoso. Isso significa que a criança pode apresentar perda da capacidade visual para sempre, assim como perda da visão binocular, aquela que permite a visão de imagens em 3D”, finaliza Dra. Marcela.

Recomenda-se a correção cirúrgica antes dos sete anos, idade em que o desenvolvimento visual está completo. Depois disso, a correção será estética e eventuais prejuízos visuais serão permanentes.


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