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Mesmo em tempo de coronavírus, cuidados para evitar a dengue devem ser mantidos

  • Sexta, 17 Abril 2020 12:48
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Luchetti
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
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Especialista da Socesp alerta para complicações cardiológicas derivadas das doenças causadas pelo Aedes aegypti. Por conta do verão excessivamente chuvoso que enfrentamos e ainda em época de calor em grande parte do país e o combate aos criadouros do mosquito não devem ser negligenciados, mesmo com o protagonismo do coronavírus em nossa rotina.

Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde aponta que o Aedes aegypti não tirou férias: foram mais de 525 mil casos notificados de janeiro a abril deste ano e a curva epidêmica é maior que a do ano passado. Em outras palavras: os cuidados da população e das autoridades de saúde com a dengue estão longe de serem renegados a segundo plano.

“A dengue – e outras doenças causadas pelo mosquito, como a zika e da chikungunya – pode ocasionar complicações cardíacas em uma parcela dos infectados”, diz o cardiologista e diretor científico da SOCESP (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) Luciano Drager. “A miocardite é um exemplo.”

Segundo o médico, isso ocorre porque essas doenças desencadeiam uma resposta de defesa, uma inflamação – que pode, em alguns casos, ser excessiva e acabar atingindo outros órgãos, como o coração. “A miocardite pode levar ao crescimento do coração e desencadear arritmias, algumas vezes graves”, alerta. Entre os sintomas mais comuns da miocardite estão dor no peito, palpitações, sensação de cansaço e falta de ar. “Quando a doença evolui para essa complicação, essas reações normalmente aparecem entre uma e duas semanas após a contaminação.”

De acordo com Drager, apesar de, na maioria dos casos, o coração voltar ao normal após o período de inflamação, o tratamento da miocardite deve ser precoce e incluir acompanhamento de um especialista, a fim de evitar sequelas e o aparecimento de outras doenças cardiológicas.

Grupo de risco

Os incluídos no chamado grupo de risco – pessoas acima de 60 anos, cardiopatas e aqueles com patologias crônicas em geral –, ao contraírem dengue, devem buscar orientação médica para saber, inclusive, sobre parar ou não de tomar medicações de uso contínuo. “Em pacientes com problemas de coração, na ocorrência da forma mais agressiva da doença, a dengue grave (conhecida por dengue hemorrágica), o uso de medicamentos que afinam o sangue devem ser temporariamente suspensos”, explica o cardiologista. Em outras situações, a queda na pressão arterial provocada pela dengue pode exigir e redução ou suspensão dos remédios de quem controla a pressão por via medicamentosa. “Mas vale reforçar que, estatisticamente, a grande maioria dos acometidos pela dengue não apresentarão cardiopatias derivadas da infecção viral.”


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