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Quando é urgente sair de casa: Sociedades Médicas alertam para emergências durante a pandemia

  • Quarta, 15 Abril 2020 12:22
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Maria Amélia Saad
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
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Estudo mostra que nos EUA vítimas de mortes súbitas em casa aumentaram 800%, acreditando-se que boa parte seja infarto não assistido. Uma simples infecção urinária pode matar se evoluir sem tratamento

O país encontra-se mobilizado no combate à disseminação do novo coronavírus e a medida mais indicada é o isolamento social. Porém algumas doenças, como infecções e infartos, demandam uma rápida intervenção médica. Mas por medo da infecção pela Covid-19, muitas pessoas têm adiado a ida ao hospital, tendo consequências de saúde muitas vezes irreversíveis.

Uma pesquisa feita pelo Angioplasty.org com cardiologistas intervencionistas mostra que as equipes de hemodinâmica sempre preparadas para o tratamento de casos urgentes estão praticamente inativas e, ao contrário do que se possa imaginar, tais doenças continuam acontecendo. Segundo a publicação, nos Estados Unidos, o número de casos de pacientes que morreram em casa, vítimas de mortes súbitas domiciliares, aumentou 800% durante a pandemia, acreditando-se que boa parte seja infarto não assistido.

De acordo com o diretor científico da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj), Dr. Sérgio Kaiser, as recomendações sobre os sintomas de infarto e procura urgente de uma emergência continuam as mesmas.

“Em caso de falta de ar ou dor no peito opressiva, acompanhada de sudorese, ou se estiver relacionada a palpitações rápidas e irregulares, é fundamental procurar o serviço de emergência. A pandemia de coronavírus está levando muitos pacientes a subestimar sintomas de cardiopatia por medo de ir ao hospital. Quando finalmente decidem ir, um tempo precioso pode ter sido perdido”, ressalta.

Ele alerta que se o paciente já faz algum tratamento, não deve interromper ou alterar a medicação sem indicação médica.

Dez urgências urológicas

O cuidado também vale para pacientes urológicos. Há diversas intercorrências que precisam de atendimento imediato. A urologista Dra. Karin Jaeger Anzolch, membro da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Urologia, destaca dez urgências urológicas que devem fazer o paciente procurar uma emergência:

- Retenção urinária aguda / urina trancada: pessoa tem urina na bexiga, na maior parte das vezes sente grande dor ou desconforto pela vontade de urinar, mas a urina não sai ou, quando sai, só elimina algumas poucas gotas. “Se não tratada, pode evoluir com infecção, mau funcionamento da bexiga, perda de função dos rins e até choque”, explica Dra. Karin.
- Cólica renal / pedra nos rins: considerada uma das maiores na escala de dor, costuma ser referida nas costas, um pouco acima da cintura, podendo também se refletir para o flanco, baixo ventre, testículos ou grandes lábios do mesmo lado, acompanhada ou não de sudorese, náuseas ou vômitos. A febre não é um sintoma comum e deve ser sempre um sinal de alerta a respeito da gravidade, podendo indicar a presença de infecção renal.
- Infecção urinária aguda / cistite: Apesar de ocorrer em qualquer faixa etária e em ambos os sexos, sabidamente é muito mais frequente na mulher adulta, causando infecção urinária que atinge basicamente a bexiga e, apesar de muitas vezes ocasionar bastante desconforto e até sangramento urinário, geralmente não produz febre. Uma cistite negligenciada pode, eventualmente, evoluir até para uma infecção nos rins.
- Infecção nos rins: é um quadro bem mais grave, em que a infecção atingiu um ou ambos os lados. Geralmente é acompanhada de febre, calafrios e dor lombar, com ou sem os sintomas da cistite, mas, em idosos e crianças, pode ter sintomas menos característicos, como diminuição do apetite, diminuição da temperatura, desconfortos mais vagos no abdômen e até alteração da atenção e da consciência. É uma das grandes urgências urológicas, especialmente em pacientes imunossuprimidos, com cálculo urinário, diabetes, crianças, idosos, gestantes e pessoas debilitadas por outras causas.
- Dor aguda no testículo: “A torção testicular é uma emergência cirúrgica, requerendo pronta intervenção dentro de seis horas da apresentação dos sintomas para evitar o risco de perda do órgão”, enfatiza a médica.
- Parafimose / pênis estrangulado: Quando a extremidade do prepúcio, que é a pele móvel que envolve o pênis, é tracionada para trás e não retorna, pode ocorrer um problema de circulação e essa ponta pode começar a inchar, sendo mais comum em quem já tem fimose. Se o prepúcio não for reduzido, aumentam os riscos de infecção e até de necrose peniana.
- Fratura peniana: Por não ter osso, algumas pessoas jamais imaginariam que o pênis pudesse “quebrar”, mas pode. Fraturas penianas acontecem quando um ou ambos corpos cavernosos – que são dois cilindros esponjosos internos responsáveis pela rigidez do órgão – são rompidos de forma traumática, comumente durante uma atividade sexual vigorosa. “Em aproximadamente 10% a 20% dos casos de fratura peniana, ocorre ruptura também da uretra. Dois sinais quando isso acontece são sangramento e dificuldade para urinar. Se já há sangue na ponta do pênis, aconselha-se que o paciente não tente urinar espontaneamente e procure imediatamente um serviço de urgência”, diz a urologista.
- Gangrena de Fournier: os pacientes mais propensos são aqueles com diabetes, alcoolismo, com fístulas (comunicações anormais) ou pessoas com defesas diminuídas. O quadro clínico clássico é a rápida progressão e os pacientes geralmente apresentam infecção da região genital e dor que é desproporcional ao exame físico. Pode também haver uma tonalidade acinzentada dos tecidos, odor fétido e sensação de que há bolhas de gás abaixo da pele.
- Sangramento urinário: Apresentar sangue na urina não deve ser encarado como uma situação normal e sempre deve ser procurada uma assistência médica. Pode ser acompanhada de dor ou ser indolor e há várias causas possíveis. Importante descartar o uso de alimentos ou substâncias que colorem a urina, como beterraba e alguns analgésicos.
- Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs): ISTs incluem HIV, gonorreia, uretrites como a por clamídia, sífilis, cancro mole, HPV, hepatites, entre outras, que, quanto antes forem abordadas, menores serão as chances de complicações e de se iniciar uma cadeia de transmissão. Podem não apresentar sintomas no início, mas a presença de pus ou de secreção na uretra, com ou sem odor, ardência para urinar, lesões ou úlceras (feridas) na região genital, adenopatias (ínguas) nas virilhas são também altamente suspeitos.


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