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Vivência de estresse precoce afeta fertilidade feminina

  • Terça, 07 Janeiro 2020 10:16
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Fernanda d´Avila
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
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Estudo apresentado em Congresso Americano de Reprodução Humana mostra que experiência influencia também a fertilização in vitro

O impacto do estresse cotidiano na fertilidade das mulheres já é conhecido, comprovado e objeto de estudo há tempos para buscar alternativas que reduzam essa influência em mulheres que pretendem engravidar. Entretanto, há pesquisas indicando que não apenas o estresse vivenciado atualmente tem essa capacidade de afetar a fertilidade, mas também as experiências passadas. Estudo apresentado no Congresso Americano de Reprodução Humana deste ano concluiu que o estresse ainda na infância continua refletindo na saúde na vida adulta e também pode afetar a fertilidade feminina, influenciando ainda as mulheres que buscam gravidez através da fertilização in vitro.

O objetivo do trabalho era avaliar se mulheres que passaram por estresse precocemente em sua vida (ELS – do inglês ‘early life stress’) teriam sua fertilidade afetada devido às respostas hipotalâmicas-hipófise-adrenais e pelo aumento da resposta inflamatória ao estresse induzido quando comparadas a mulheres que não tiveram essa vivência. Para isso, o estudo buscou determinar a prevalência de ELS na população infértil e o impacto no processo de fertilização in vitro.

A pesquisa foi realizada com mulheres de 18 a 42 anos que iriam fazer a fertilização in vitro, que responderam a um questionário sobre adversidades na infância. O resultado foi que 29% das mulheres inférteis tiveram confirmada a vivência de estresse precoce em suas vidas. Embora os parâmetros do ciclo de fertilização in vitro e as taxas de gravidez não pareçam ser afetados, as mulheres inférteis que sofreram ELS apresentam taxas significativamente mais altas de perda precoce da gravidez por transferência.

A médica ginecologista Silvana Chedid, especialista em reprodução humana pelo Centro de Medicina Reprodutiva da Universidade Livre de Bruxelas, explica que ‘early life stress’ atua na implantação embrionária através de mecanismos epigenéticos, aumentando o risco de falha de implantação e perda da gestação. “A epigenética é definida, em linguagem simples, como a influência de fatores ambientais sobre a genética de um organismo. O estresse atua como um fator ambiental desfavorável, alterando a genética embrionária e aumentando o risco de perda. Os fatores emocionais têm uma enorme importância nesse processo, e quanto mais forem adequadamente controlados, melhor o prognóstico da gestação”.

Para as mulheres que têm histórico de ELS e querem engravidar, Silvana sugere buscar maneiras de controlar o estresse através de recursos como espiritualidade, busca do equilíbrio emocional através de psicoterapia, atividade física e eventualmente com medicamentos ansiolíticos e antidepressivos, após avaliação médica adequada. “O tratamento da infertilidade é, por si só, fonte de ansiedade e medo para os casais. Além dos recursos medicamentosos e das modernas técnicas de Reprodução Assistida, é importante que o casal tenha apoio emocional e, com isso, encontre o equilíbrio necessário para o êxito do tratamento e da gestação”, ressalta a ginecologista.

Estresse e IMC alto

Os resultados do estudo apontaram ainda que o grupo que apresentou ELS positivo também foi constatado com IMC (índice de massa corpórea) mais alto – não houve diferenciação entre os grupos para questões como histórico de ansiedade e depressão.

A médica destaca que é conhecida de longa data a relação entre sobrepeso e obesidade com estresse. “Sabemos que fatores emocionais, especialmente estresse intenso, associados a hormônios e genes, interferem no adequado peso corporal e este está intimamente relacionado com a nossa fertilidade.

Nosso organismo é uma perfeita orquestra onde todos os instrumentos precisam estar afinados e em harmonia para produzir uma boa música. Dessa maneira, a relação entre o IMC, estresse e fertilidade é bastante estreita”, diz Silvana, explicando que para haver o restabelecimento da saúde essa relação precisa ser quebrada em algum ponto - ou de preferência em todos eles. “A dieta saudável, associada ao controle do estresse através da atividade física, da espiritualidade, do acompanhamento psicológico, promovem o equilíbrio necessário para o restabelecimento da fertilidade”.


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