SEGS Portal Nacional

Info&Ti

Robôs assumem atividades de alto esforço físico enquanto profissionais migram para operação e supervisão de sistemas

  • Sexta, 20 Março 2026 18:55
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Karol Romagnoli
  • SEGS.com.br - Categoria: Info & Ti
  • Imprimir

Crédito: Divulgação

Automação industrial avança no Brasil e muda o tipo de trabalho nas linhas de produção

O avanço da automação nas fábricas ainda costuma ser tratado como sinônimo de substituição de trabalhadores. No debate público, robôs aparecem muitas vezes como ameaça ao emprego. No chão de fábrica, no entanto, a lógica que tem guiado boa parte das decisões industriais é outra: preservar a integridade física de quem trabalha ali.

Dados recentes mostram que a indústria brasileira continua gerando vagas mesmo com a modernização tecnológica. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o setor industrial registrou saldo positivo de mais de 400 mil empregos formais em somatória de 2023 e 2024. Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que a indústria mantém cerca de 8,5 milhões de pessoas ocupadas no país, com crescimento do emprego industrial nos últimos anos, um movimento que ocorre ao mesmo tempo em que fábricas investem em automação e modernização produtiva.

É nesse contexto que o engenheiro mecatrônico Jaime Galvez, especialista em automação industrial e com décadas de atuação em projetos dentro da indústria automotiva, traz uma visão que costuma surpreender fora das plantas industriais. Para ele, a função do robô não é substituir o trabalhador qualificado, mas assumir tarefas que o corpo humano não deveria repetir por anos.

Um exemplo clássico que aparece em uma etapa comum de linhas automotivas é o a aplicação de rebites em série, por exemplo. “É uma atividade extremamente repetitiva. Em cerca de alguns meses muitos funcionários já começam a apresentar sinais de LER (lesões por esforço repetitivo). A solução encontrada foi automatizar o processo. O robô passou a executar a tarefa contínua, enquanto os profissionais migraram para funções de monitoramento e operação do sistema”, explica Galvez.

Outro caso envolve o manuseio de componentes pesados em determinadas fases da montagem. A atividade exigia levantar peças com peso significativo ao longo de toda a jornada de trabalho. “Com o tempo começaram a aparecer problemas na coluna, nas articulações. Não fazia sentido insistir nisso quando a tecnologia pode assumir esse esforço físico”, afirma o engenheiro.

Segundo ele, esse tipo de decisão dentro da indústria costuma ser menos financeira do que se imagina. Em muitos casos, substituir uma operação humana por robótica exige investimento elevado em equipamentos, integração e manutenção. “Hoje, em diversas situações, o robô ainda custa mais caro do que manter a operação manual. A escolha acontece porque segurança e saúde ocupacional passaram a ser prioridade nas plantas modernas”.

Esse movimento acompanha uma transformação mais ampla no perfil do trabalho industrial. À medida que sistemas automatizados entram em operação, cresce a demanda por profissionais que operam, programam e supervisionam essas tecnologias. O trabalho muda de natureza, mas não desaparece.

Para Galvez, a principal distorção no debate sobre automação está na forma como a tecnologia é interpretada fora do ambiente industrial. “O robô não chega para substituir o trabalhador. Ele chega para substituir um tipo de trabalho que desgasta o corpo humano ao longo do tempo”.

A modernização das fábricas brasileiras, cada vez mais conectadas a sistemas de automação e robótica desenvolvidos por fabricantes globais, tendem a aprofundar essa transformação. O desafio, segundo Galvez, passa menos por evitar a tecnologia e mais por preparar trabalhadores para as funções que surgem a partir dela.

Essa é a realidade que raramente aparece fora das plantas industriais: em muitas linhas de produção, a automação não representa o fim do trabalho humano, e sim o fim de tarefas que historicamente adoeciam quem as executava.

Sobre Jaime Galvez

Jaime Galvez é engenheiro mecatrônico e especialista em automação industrial, com mais de duas décadas de atuação em projetos ligados à modernização de linhas de produção, especialmente na indústria automotiva. Ao longo da carreira, participou da implementação e integração de sistemas robóticos em ambientes industriais complexos, com foco em eficiência operacional, segurança e redução de riscos ocupacionais. Seu trabalho envolve desde a programação e integração de robôs até a análise de processos produtivos e transformação de funções dentro das fábricas diante da automação.


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

 

+INFO-TI ::

Maio 04, 2026 Info & Ti

Como a ASUS projeta notebooks que unem alta potência,…

Maio 04, 2026 Info & Ti

Do autismo à gestão hospitalar: 7 aplicações de…

Maio 04, 2026 Info & Ti

Os brasileiros são hiperconectados, mas o país tem…

Maio 04, 2026 Info & Ti

Inteligência Artificial aplicada com propósito…

Abr 30, 2026 Info & Ti

Especialistas brasileiros em tecnologia compartilham…

Abr 30, 2026 Info & Ti

Descanso sem pendências: como a IA pode apoiar o…

Abr 30, 2026 Info & Ti

Globant e Autodesk Tandem se unem para transformar as…

Abr 30, 2026 Info & Ti

Motorola lança edge 70 pro que transforma design em…

Abr 29, 2026 Info & Ti

Vai viajar no feriado? Tecnologia com IA permite…

Abr 29, 2026 Info & Ti

Ubisoft revela roadmap de The Division Resurgence com…

Abr 29, 2026 Info & Ti

Dia do Trabalho: por que as empresas têm dificuldade…

Abr 29, 2026 Info & Ti

A inteligência artificial no videomonitoramento…

Abr 29, 2026 Info & Ti

O que é VPN e como ela protege sua privacidade online?

Abr 28, 2026 Info & Ti

Tecnologia de videomonitoramento inteligente fortalece…

Abr 28, 2026 Info & Ti

Samsung apresenta ecossistema integrado de tecnologia…

Abr 28, 2026 Info & Ti

VTEX aposta na expansão do mercado e anuncia novas…

Mais INFO-TI>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version