SEGS Portal Nacional

Educação

Volta às aulas e cyberbullying: ambiente digital pode ampliar conflitos originados na escola

  • Quarta, 28 Janeiro 2026 18:26
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Jéssica Amaral
  • SEGS.com.br - Categoria: Educação
  • Imprimir

Freepik

Pesquisa do ChildFund revela percepções de insegurança e relatos de cyberbullying entre crianças e adolescentes

Com o retorno às aulas, o ambiente escolar volta a concentrar não apenas interações presenciais, mas também dinâmicas que se estendem ao espaço digital e podem gerar riscos à saúde mental e outros perigos. É o caso do cyberbullying, prática caracterizada por ataques, humilhações e exposições feitas de forma recorrente na internet em razão da condição social, da aparência física ou de outras características de uma pessoa. Discussões, exclusões e rivalidades na escola tendem a migrar para ambientes como redes sociais, jogos on-line e aplicativos de mensagens, onde ganham maior visibilidade e ampliam os impactos sobre quem sofre as agressões.

“O cyberbullying potencializa os danos à pessoa que sofre bullying, especialmente em crianças e adolescentes, que ainda não desenvolveram totalmente o seu arcabouço psíquico para enfrentar tais questões”, explica Mauricio Cunha, presidente executivo do ChildFund. Mudanças bruscas de humor, ansiedade, crises de pânico, tristeza persistente, irritabilidade, perda de apetite e isolamento social estão entre os sinais mais recorrentes entre as vítimas.

Dados do estudo Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet, realizado pelo ChildFund, mostram que o ambiente on-line é percebido por adolescentes como um território marcado pela insegurança, exposição ao bullying e outras formas de violência. A pesquisa ouviu 8.436 adolescentes de 13 a 18 anos, de escolas públicas e privadas, em todas as regiões do país, combinando métodos quantitativos e qualitativos.

Os resultados revelam diferenças importantes na percepção de segurança on-line entre meninas e meninos. O sentimento de insegurança é relatado por 21% das meninas e por 10% dos meninos. Nos grupos focais, foram registradas sete menções a bullying feitas por meninas e três por meninos, indicando que elas podem sofrer cerca de 2,3 vezes mais ameaças desse tipo. Os relatos envolvem xingamentos, comentários maldosos, exposição da aparência física e assédio.

Redes sociais e jogos ampliam a exposição à violência

Ao analisar os ambientes digitais percebidos como mais inseguros, os adolescentes apontaram o Instagram como o principal espaço de risco, concentrando 68% das menções. Em seguida aparece a plataforma de jogos on-line Roblox, com 12%. Jogos como Free Fire também foram associados a agressões verbais, enquanto o TikTok foi relacionado à exposição a comentários ofensivos.

Relatos coletados na pesquisa ilustram como essas situações se manifestam no cotidiano. Em um dos depoimentos, um adolescente descreve a invasão de uma conta no Instagram e o envio de mensagens ofensivas a partir de um perfil hackeado. Em outro, um jovem relata ter sido ameaçado por um usuário desconhecido durante uma interação no Roblox.

Diferenças entre estudantes de escolas públicas e privadas também foram identificadas. Adolescentes da rede pública relataram maior exposição ao bullying e ao assédio on-line — 63% afirmaram ter sido abordados por desconhecidos. Já entre estudantes da rede privada, os dados indicam maior eficácia de mecanismos de proteção, como orientação, controle digital e redes de apoio.

“A supervisão do acesso à internet exercida por pais e responsáveis é um mecanismo de proteção fundamental, mas ainda aparece de forma limitada na realidade dos adolescentes brasileiros. Na pesquisa, apenas 35% dos jovens relataram algum tipo de acompanhamento no uso da internet, o que evidencia a necessidade de ampliar o diálogo e a orientação sobre convivência e segurança no ambiente digital”, afirma Mauricio.

Cyberbullying é crime

Em 2024, o Brasil passou a contar com um marco legal específico para o enfrentamento do bullying e do cyberbullying. A Lei nº 14.811/2024 alterou o artigo 146-A do Código Penal e estabeleceu punições para a prática de intimidação sistemática, incluindo multa e reclusão, a depender da gravidade do caso. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública identificou, no mesmo ano, 2.935 ocorrências de bullying e cyberbullying com vítimas de 0 a 19 anos, sendo 460 classificadas como cyberbullying. O estudo, no entanto, não reflete a totalidade dos casos, mas apenas aqueles que chegaram a ser formalmente registrados pelas polícias civis estaduais.

Recomendações para o enfrentamento à violência digital

O ChildFund indica estratégias prioritárias que podem ser adotadas por escolas, pais e responsáveis para reduzir riscos, enfrentar o cyberbullying e fortalecer a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital:

- Riscos e resposta a ameaças digitais: implementação de módulos educativos, inclusive com abordagens gamificadas, sobre cyberbullying, além da disponibilização de recursos claros sobre “como denunciar” e “onde buscar ajuda”, integrados às redes sociais mais utilizadas pelos adolescentes.

- Privacidade e segurança: desenvolvimento de campanhas educativas voltadas à configuração de contas e à segurança digital em plataformas como Instagram e TikTok.

- Controle digital equilibrado: combinação de ferramentas de controle parental, como o Family Link, com diálogo e transparência entre adultos e adolescentes.

- Treinamento e capacitação de pais e responsáveis: ações voltadas à preparação de adultos para lidar com a segurança digital, incentivando conversas abertas e contínuas com crianças e adolescentes. O ChildFund criou o curso Safe Child, oferecido gratuitamente neste site.

Sobre o ChildFund

O ChildFund é uma organização que atua no desenvolvimento integral e na promoção e defesa dos direitos da criança, do adolescente e do jovem, criando futuros com mais oportunidades, para que tenham seus direitos considerados e alcancem seu potencial.

Por meio de programas desenvolvidos no Brasil em 2024, seu trabalho alcançou cerca de 1,3 milhão de pessoas no país. Para realizá-lo, a organização conta com a contribuição de pessoas físicas, por meio do programa de apadrinhamento de crianças e de doações para a causa, como o Guardião da Infância, além de parcerias com empresas, institutos e fundações que apoiam os projetos desenvolvidos.

A organização faz parte de uma rede internacional associada ao ChildFund International, presente em mais de 60 países e que gera impacto positivo na vida de mais de 24,3 milhões de crianças e suas famílias no mundo.

A organização foi premiada internacionalmente em 2025 e está entre as 20 melhores no ranking brasileiro emitido pela The Dot Good, uma certificadora de projetos sociais com sede na Suíça que avalia os impactos locais e globais de ONGs em todo o mundo. No Brasil, o ChildFund já foi eleito, também, a melhor ONG de assistência social do país em 2022 e a melhor ONG para crianças e adolescentes do Brasil por três anos (2018, 2019 e 2021) pelo Prêmio Melhores ONGs, que também a elegeu entre as 100 melhores ONGs do país por oito anos. 


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

 

+EDUCAÇÃO ::

Jan 27, 2026 Educação

Como começar 2026 e transformar o objetivo de estudar…

Jan 26, 2026 Educação

Como usar ChatGPT sem cair no plágio: o que muda na…

Jan 23, 2026 Educação

Transformação social: como a educação ambiental pode…

Jan 22, 2026 Educação

Aprender inglês depois dos 30 anos: é possível?

Jan 21, 2026 Educação

Divulgação do ENEM marca início do planejamento para o…

Jan 20, 2026 Educação

Cinco dicas de especialistas em educação para uma…

Jan 19, 2026 Educação

Nota do Enem: saiba como utilizá-la para ingressar no…

Jan 16, 2026 Educação

Volta às Aulas 2026: sete dicas para economizar no…

Jan 15, 2026 Educação

Gestação e Alfabetização: Entenda a interconexão para o…

Jan 14, 2026 Educação

Volta às aulas 2026 - como zerar a lista de materiais…

Jan 13, 2026 Educação

Onde estudar? Como o local de estudo lhe ajuda a…

Jan 12, 2026 Educação

Menos telas, mais convivência: como educar crianças…

Jan 09, 2026 Educação

Como manter o contato com o segundo idioma de forma…

Jan 08, 2026 Educação

Sete dicas para reduzir os conflitos com os filhos nas…

Jan 07, 2026 Educação

Planejamento escolar: como melhorar o desempenho em 2026

Jan 06, 2026 Educação

Escolha da Escola para 2026: o que considerar na hora…

Mais EDUCAÇÃO>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version