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Excesso de telas nas férias amplia riscos para sono e comportamento infantil

  • Sexta, 21 Novembro 2025 18:23
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Karol Romagnoli
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Reprodução internet

Dados recentes mostram alta exposição já na primeira infância

Quando chegam as férias, a casa muda de ritmo: horários mais soltos, atividades fora da escola e mais tempo livre para preencher. Nesse cenário, as telas, que são práticas, acessíveis e estão sempre à mão, acabam se tornando companhia constante. Pesquisas mostram que esse uso ampliado, especialmente entre crianças pequenas, tem efeitos que vão além da simples distração. Um levantamento nacional da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, feito em agosto de 2025, revelou que 78% das crianças de até 3 anos já as usam diariamente. E esse número sobe para 94% na faixa entre 4 e 6 anos.

Em recortes regionais, a exposição é ainda maior no Sudeste e Centro-Oeste, onde mais de 80% das famílias afirma recorrer a elas para acalmar ou entreter os pequenos, enquanto no Norte o índice é levemente menor, embora ainda elevado. A pesquisa mostrou também que quase metade das crianças brasileiras de 0 a 6 anos excede as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, que orienta que bebês não devem utilizá-las e, no máximo, uma hora por dia entre 2 e 5 anos.

Para além do volume de exposição, estudos têm analisado as consequências desse hábito com adolescentes de 15 a 17 anos e apontam que o seu uso à noite está associado a maior velocidade de esquecimento e pior qualidade do sono, indicando questões que começam na infância e se prolongam pela vida adulta.

Dados compilados pelo NIC.br e pela ONU mostram que o Brasil está entre os países com maior uso de internet por crianças e adolescentes. Esses padrões estão diretamente relacionados à queda de atividades físicas, redução de horas de sono e menor interação social ao vivo. Fatores que, segundo especialistas, influenciam humor, atenção e regulação emocional.

Nas cidades brasileiras com maior urbanização e menor acesso a espaços de lazer, o tempo de uso dos dispositivos tende a crescer em média 20% nas férias. Para a especialista em primeira infância Roberta Scalzaretto, o desafio deste período não está em eliminá-las, por ser algo pouco compatível com a realidade das famílias, e sim em evitar que elas ocupem o espaço de experiências essenciais, como brincar, explorar e conviver.

Roberta afirma que o ambiente é um dos maiores moduladores de comportamento: quando livros, blocos, papéis, tintas e jogos simples estão ao alcance da criança, a transição para atividades não virtuais se torna mais natural. Ela também destaca que bastam alguns minutos de presença do adulto para criar engajamento: sentar no chão, observar, participar do início de uma brincadeira. Depois disso, a criança tende a seguir autonomamente e escolher outras atividades com mais facilidade. A especialista completa: “Reduzir seu uso no final da tarde melhora significativamente o padrão de sono, que costuma ser um dos primeiros a sofrer com mudanças de rotina”. No fim, o ponto central é o equilíbrio. Usar tecnologia com parcimônia, oferecer alternativas reais, evitar a exposição noturna e garantir momentos de interação presencial têm impacto direto no comportamento da criança e no clima da casa.

Roberta Scalzaretto é clara ao dizer que não existe família perfeita nem férias impecáveis. “O importante é criar espaços para que a infância aconteça, com movimento, imaginação e vínculos. As telas podem estar presentes, mas não precisam comandar tudo”, finaliza. Com dias mais leves e tempo livre sobrando, as férias se tornam uma oportunidade de reconexão e de redescoberta do brincar que não depende do digital.

Sobre

Roberta Scalzaretto é especialista em Educação Infantil com atuação internacional. Graduada em Magistério, Pedagogia e Psicopedagogia, possui experiência no Brasil e nos Estados Unidos, onde hoje integra uma escola de Educação Infantil aplicando princípios da abordagem Pikler. Com formação avançada nessa metodologia, nível alcançado por poucos profissionais brasileiros, baseia sua prática na observação sensível, no respeito ao ritmo da criança e na construção de vínculos que favorecem o desenvolvimento integral. No Brasil, idealizou o projeto Brinquedoteca: um olhar para o brincar no Colégio Porto Seguro Panamby e dedicou sua carreira à formação de educadores para a primeira infância. Sua trajetória combina técnica, pesquisa e vivência prática em dois países, consolidando-a como referência em práticas pedagógicas.


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