Autismo: primeiros sinais aparecem cedo e podem ser identificados na rotina da criança
Atraso na fala, pouco contato visual e dificuldades de interação estão entre os principais alertas; especialista destaca importância da observação e da intervenção precoce
Atrasos na fala, pouco contato visual e dificuldades de interação social estão entre os primeiros sinais que podem indicar alterações no desenvolvimento infantil - muitas vezes antes mesmo de um diagnóstico formal de autismo. Durante o Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialistas reforçam a importância da observação no dia a dia e do início precoce da intervenção.
Embora o diagnóstico do autismo seja clínico e dependa de avaliação especializada, os primeiros indícios costumam aparecer na rotina da criança, sendo percebidos por pais, cuidadores e professores. Ainda assim, é comum que esses sinais sejam minimizados ou atribuídos ao “tempo da criança”, o que pode atrasar o início do acompanhamento.
Segundo a psicóloga analista do comportamento Marina Bevilacqua Alves de Lima, do Grupo Gaiadi (Grupo de Avaliação e Intervenção dos Atrasos do Desenvolvimento Infantil), o atraso no desenvolvimento da linguagem costuma ser um dos primeiros sinais observados, frequentemente antes dos dois anos de idade.
“Também é possível perceber contato visual limitado ou pouco frequente, além de dificuldades na atenção compartilhada, como a criança não apontar ou não responder quando é chamada pelo nome”, explica.
A especialista destaca que outros comportamentos também podem chamar atenção, como padrões repetitivos de brincadeira ou o uso não funcional de objetos. “A criança pode se interessar apenas por partes específicas de um brinquedo, como a rodinha de um carrinho, ou utilizá-lo de forma repetitiva, o que foge do padrão esperado para a idade”, completa.
Diante desses sinais, a orientação é não adotar uma postura de espera. “A partir dos primeiros sinais observados, é necessário agir rapidamente. Quanto antes se inicia a intervenção terapêutica, melhor é a resposta da criança, devido à neuroplasticidade”, afirma Marina.
O diagnóstico do autismo é feito de forma clínica, a partir da observação especializada e da avaliação interdisciplinar. Isso porque o transtorno pode afetar diferentes áreas do desenvolvimento, como comunicação, socialização e aspectos sensoriais e motores.
“Como não há exames específicos para detectar transtornos do neurodesenvolvimento, o olhar treinado de uma equipe especializada é fundamental, tanto para o diagnóstico quanto para a definição das intervenções mais adequadas”, explica a psicóloga.
Nesse contexto, a atuação conjunta de profissionais como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e médicos é essencial para compreender o quadro da criança de forma ampla e orientar o acompanhamento.
Intervenção precoce
A intervenção precoce é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento infantil. De acordo com a especialista, iniciar o acompanhamento nos primeiros anos de vida amplia significativamente as possibilidades de evolução.
“Quanto mais cedo o acompanhamento é iniciado, maiores são as chances de promover avanços importantes na comunicação, na interação social, no comportamento e na autonomia”, afirma.
Além dos ganhos diretos para a criança, a intervenção também tem impacto na rotina familiar. “A orientação à família é parte fundamental do processo, pois permite que os estímulos continuem no dia a dia, potencializando os resultados terapêuticos”, acrescenta.
Apesar disso, alguns fatores ainda contribuem para o atraso no diagnóstico. Entre eles, a crença de que a criança irá se desenvolver “no seu tempo” e a busca por múltiplas opiniões sem direcionamento especializado.
“Um dos erros mais comuns é esperar para ver. Esse adiamento pode fazer com que um período precioso de intervenção precoce seja perdido”, alerta Marina.
Outro equívoco frequente é aguardar um diagnóstico fechado para iniciar o acompanhamento.
“Diante de sinais de risco, a intervenção já deve começar, mesmo antes de um diagnóstico formal. Isso faz toda a diferença no desenvolvimento da criança”, conclui a psicóloga Marina Bevilacqua.
Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
<::::::::::::::::::::>