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Carnaval e autismo: como preparar a criança para uma folia mais confortável e segura

  • Quinta, 12 Fevereiro 2026 18:39
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Stefani Pereira
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Imagem: Freepik

A pesquisa "Ainda somos o país do Carnaval?", realizada pela MindMiners, mostra que 43% dos brasileiros acompanham a festa

O Carnaval é uma das festas mais marcantes da cultura brasileira. Música, cores, fantasias e encontros fazem parte dessa época do ano, mas nem todas as famílias vivem esse momento da mesma forma. Para quem tem crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o período pode exigir planejamento extra para garantir conforto, segurança e bem-estar.

A pesquisa “Ainda somos o país do Carnaval?”, realizada pela MindMiners, mostra que 43% dos brasileiros acompanham a festa de alguma forma, enquanto 57% preferem não participar diretamente. Entre quem acompanha, muitos assistem pela TV ou internet, enquanto outros escolhem blocos e festas presenciais. Para famílias de crianças neurodivergentes, não existe uma forma certa de viver o Carnaval. O mais importante é respeitar o ritmo e as necessidades da criança.

Por que o Carnaval pode ser desafiador para crianças neurodivergentes?

Segundo a terapeuta ocupacional Mariana Asseituno, da Genial Care, muitas crianças autistas, por exemplo, apresentam hipersensibilidade sensorial. “Isso acontece porque algumas crianças autistas apresentam hipersensibilidade sensorial, uma característica do Transtorno do Processamento Sensorial (TPS), que afeta a maneira como o sistema nervoso recebe e interpreta estímulos auditivos, táteis, visuais e vestibulares”, explica.

Na prática, isso significa que sons altos, multidões, luzes fortes, fantasias ou mudanças na rotina podem gerar sobrecarga sensorial e desconforto.Além disso, o Carnaval costuma alterar horários e rotinas familiares, o que também pode gerar ansiedade.

Carnaval acessível: mais famílias buscando formas adaptadas de participar

Nos últimos anos, cresce o debate sobre acessibilidade em eventos culturais. Em algumas cidades, já existem iniciativas para tornar festas e eventos mais inclusivos, com ambientes mais tranquilos ou espaços de descanso.

Além disso, blocos infantis e eventos familiares costumam ser alternativas mais previsíveis e menos lotadas, o que pode ajudar crianças com maior sensibilidade sensorial. Para muitas famílias, adaptar o tipo de programação, o horário ou até o tempo de permanência já faz toda a diferença.

Dá para aproveitar o Carnaval em casa? Sim e pode ser muito especial

Nem toda criança vai se sentir confortável em blocos ou festas grandes. E tudo bem. Criar um Carnaval em casa pode ser uma experiência divertida e segura. “Um baile de Carnaval pode acontecer na sala ou no quintal, com luzes suaves, músicas escolhidas com cuidado e brincadeiras que respeitem o interesse da criança”, sugere Mariana.

Algumas ideias:

- montar um mini baile em casa
- escolher músicas que a criança gosta
- usar fantasias confortáveis
- reduzir estímulos como sons altos ou luzes fortes
- convidar pessoas próximas e conhecidas

Carnaval na rua: 8 cuidados para uma experiência mais tranquila

Se a família decidir participar de blocos ou eventos, alguns cuidados podem ajudar:

1. Escolha eventos que combinem com a criança

Blocos infantis ou eventos familiares costumam ser menos lotados.

2. Pense na proteção contra o barulho

Abafadores podem ajudar, principalmente se a criança já estiver acostumada.

3. Priorize fantasias confortáveis

Tecidos macios e roupas já conhecidas costumam funcionar melhor.

4. Evite acessórios que possam incomodar

Máscaras, tiaras ou chapéus podem gerar desconforto.

5. Explique antes o que vai acontecer

Roteiros visuais e histórias sociais ajudam na previsibilidade.

6. Observe acesso a banheiros e estrutura básica

Isso evita estresse desnecessário.

7. Fique atento a sinais de cansaço ou sobrecarga

Pausas fazem parte da experiência.

8. Facilite a comunicação

Se a criança usa CAA, leve os recursos necessários.

"O mais importante: cada criança tem seu próprio jeito de viver o Carnaval. O objetivo não é fazer a criança se adaptar à festa, mas adaptar a experiência para que ela seja confortável e segura. Com planejamento, respeito às necessidades sensoriais e pequenas adaptações, muitas famílias conseguem construir memórias positivas nessa época do ano, seja em casa, seja em eventos externos. Porque, no fim, o melhor Carnaval é aquele em que a criança pode participar do seu jeito, no seu tempo e com segurança emocional.", finaliza a especialista.


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