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PEC das Praias volta à pauta do Senado e preocupa especialistas

  • Terça, 03 Dezembro 2024 18:51
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Foto: Pixabay

A PEC 03/2022, que pretende autorizar a transferência dos chamados terrenos de marinha aos seus ocupantes, havia sido arquivada em maio, após grande pressão da sociedade

Os terrenos de marinha são as áreas situadas na costa marítima que contornam ilhas, margens dos rios e das lagoas com influência marinha, em faixa de 33 metros medidos a partir da posição da maré cheia

Especialistas consideram que a PEC pode representar riscos para a conservação de áreas costeiras e ecossistemas naturais marinhos e, inclusive, permitir a privatização de praias cobiçadas pelo mercado imobiliário

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal agendou para a esta quarta-feira, 4, a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 03/2022, que prevê a transferência de propriedade de “terrenos de marinha” para estados, municípios e entes privados. Em maio deste ano, depois de grande debate público sobre as consequências da mudança constitucional, a proposta havia sido arquivada. Conforme alertam especialistas, a proposta pode viabilizar a privatização de praias, ilhas, mangues, assim como margens de rios e lagoas que sofrem influência da maré.

O texto da PEC possibilita a transferência de terrenos de marinha para estados e municípios e a expansão de “foreiros, cessionários e ocupantes”, o que na prática pode significar a venda dessas áreas para a iniciativa privada. “Esta PEC pode representar um retrocesso enorme para o gerenciamento costeiro e para as discussões da mudança do clima, que exigem o reforço de medidas voltadas à conservação da natureza em regiões costeiro-marinhas”, alerta Ronaldo Christofoletti, membro de Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (IUCN) e professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Os terrenos de marinha são as áreas situadas na costa marítima que contornam ilhas, margens dos rios e das lagoas, em faixa de 33 metros medidos a partir da posição da maré cheia. Além de colocar em risco a proteção de ambientes marinhos e a economia das comunidades costeiras, a privatização de praias pode resultar na elitização de espaços que devem permanecer públicos e acessíveis à população. “A PEC 03 claramente traz uma abertura legal para ocupação irregular de áreas costeiro-marinhas, desmatamento de manguezais e restingas e privatização de áreas públicas que são utilizadas pelas comunidades para fins sociais, econômicos, culturais, religiosos, entre outros”, acrescenta o especialista.

Para Alexander Turra, professor titular do Instituto Oceanográfico da USP e também membro da RECN, uma das principais motivações da proposta é a tributação sobre ocupantes desses terrenos de marinha, que se soma ao IPTU pago aos municípios. Os ocupantes de terrenos de marinha precisam pagar à União uma taxa de ocupação anual e o laudêmio, uma taxa cobrada em caso de venda ou transferência do imóvel. “Ao invés de buscar uma solução para a questão tributária, essa PEC desconsidera aspectos fundamentais e atuais da dinâmica costeira, tanto do ponto ambiental quanto do social e econômico. Além disso, é uma situação paradoxal, pois essas áreas correm o risco de desaparecer em função dos processos erosivos, uma tendência agravada pela elevação do nível do mar causada pelas mudanças climáticas” alerta o professor.

Sobre a Rede de Especialistas em Conservação da Natureza

A Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) reúne cerca de 80 profissionais de todas as regiões do Brasil e alguns do exterior que trazem ao trabalho que desenvolvem a importância da conservação da natureza e da proteção da biodiversidade. São juristas, urbanistas, biólogos, engenheiros, ambientalistas, cientistas, professores universitários – de referência nacional e internacional – que se voluntariaram para serem porta-vozes da natureza, dando entrevistas, trazendo novas perspectivas, gerando conteúdo e enriquecendo informações de reportagens das mais diversas editorias. Criada em 2014, a Rede é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Os pronunciamentos e artigos dos membros da Rede refletem exclusivamente a opinião dos respectivos autores. Acesse o Guia de Fontes em www.fundacaogrupoboticario.org.br


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