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Temos que ir além do curto prazo, além dos interesses particulares e mirar os interesses da sociedade

  • Quarta, 19 Agosto 2020 12:17
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Valeria Bursztein
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Afirmação é do economista e presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios e integrante do Conselho Consultivo da ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos, Cláudio Frischtak, que participou de videoconferência organizada pelo IRICE - Instituto de Relações Internacionais & Comércio Exterior

Para analisar como a infraestrutura pode ajudar a recuperação do Brasil, o Instituto de Relações Internacionais & Comércio Exterior (IRICE) convidou o economista e presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios e integrante do Conselho Consultivo da ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos, Cláudio Frischtak, para participar de videoconferência na última sexta-feira (14).

O IRICE foi fundado pelo embaixador Rubens Barbosa e tem o propósito de aglutinar diferentes setores da sociedade para discutir os interesses do Brasil e sua estratégia de inserção internacional, sendo hoje referência no debate nacional sobre a evolução das relações internacionais e inserção internacional do país.

Investimento Pífio

Frischtak iniciou a exposição afirmando que o país investe pouco em todas as áreas de infraestrutura consideradas essenciais para o bem estar da sociedade em geral e para a competitividade das empresas e do país, como telecomunicações, saneamento, transportes em todos os modais e energia elétrica. O economista citou um estudo do qual participou, em 2018, compilado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que identificou que os atrasos mais expressivos em termos de investimentos em infraestrutura são aqueles direcionados ao transporte e saneamento.

"No transporte, é fato que temos uma crise na mobilidade urbana em todas as regiões metropolitanas. No levantamento de 2018, percebemos que o capital acumulado desde 1970 em infraestrutura é da ordem de 36% do PIB, o que é muito pouco, porque países que modernizaram a infraestrutura podem chegar a quase 100% do PIB", detalha.

O que seria uma infraestrutura modernizada para o país? Para Frischtak seria algo que universalizasse o acesso às infraestruturas básicas. "Necessitaríamos pouco mais que 60% do PIB e, para chegarmos a isso, precisamos investir, em média, duas vezes o que investimos hoje para que, ao final de duas décadas, tenhamos uma infraestrutura modernizada. Nos últimos anos, investimos menos de 2% do PIB em todas as instâncias", comenta.

Na visão do economista, os recursos tão demandados pela infraestrutura virão do setor privado. "Sabemos que o setor público já estava em situação de fragilidade antes da pandemia. Sairemos desta crise mais pobres, mais desiguais e com maior fragilidade fiscal. Óbvio que existe espaço para ampliar o investimento público em infraestrutura, mas é limitado. Então, temos um desafio enorme na nossa frente", afirma.

Agenda de Modernização

O conselheiro consultivo da ABOL lembrou que existem casos que indicam que planejamento e comprometimento privado e público podem ter efeitos estruturantes para a formatação de uma nova realidade. É o caso da Índia, país com uma complexidade demográfica enorme, de dimensões ainda maiores do que o Brasil e com desafios importantes. "Lá, um conjunto de reformas muito bem definido, implementado no início dos anos 90 em um regime democrático fez com que o país se transformasse. Mesmo com seríssimos problemas persistentes, no âmbito da infraestrutura, modernizou-se. Há outros exemplos, o que nos mostra que os desafios a serem enfrentados no Brasil são importantes, mas não são insuperáveis".

Frischtak identifica uma convergência entre analistas sobre o que seria uma agenda de modernização da infraestrutura brasileira. "Em primeiro lugar, muitos de nós esquecemos que a agenda de modernização da nossa infraestrutura tem seu fulcro no congresso, porque existe um conjunto de Projetos de Lei que são extremamente relevantes para atualizar os marcos legal e regulatório dos setores de infraestrutura. O marco do saneamento básico e do gás natural são exemplos. Isto é muito importante, porque aumenta o grau de segurança jurídica e diminui a imprevisibilidade regulatória", ressalta.

Outro ponto da agenda mencionada por Frischtak é repensar a questão do financiamento da infraestrutura no Brasil. Para o economista, é preciso adotar a modalidade de Project Finance, quando é possível financiar o projeto de infraestrutura com base no fluxo de caixa futuro, sem pressionar o balanço das empresas, dos operadores e dos investidores. "Não temos essa modalidade no país. Existe uma intenção do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em avançar nisso, o que é excelente, mas temos que trazer mais gente. Por exemplo, a indústria de seguros, para ajudar no Project Finance, como acontece em outros países", explica.

Adicionalmente, Frischtak comentou que será necessário estabelecer um novo tipo de relacionamento entre governo e iniciativa privada. "Existe um outro elemento que diz respeito ao planejamento de médio e longo prazo para infraestrutura: a maneira com que o governo se relaciona com o setor privado. A ideia é simples: o setor privado tem muita informação, e algumas que o governo não tem e a ideia do planejamento da forma que se faz contemporaneamente, ao invés de ser um planejamento top down, é um planejamento interativo, de tal maneira que o setor público se ajuste à realidade. São iniciativas que custam pouco, do ponto de vista fiscal e financeiro, têm um custo político, evidentemente, mas esse deve ser o processo de modernização do país, no qual se tem que ir além do curto prazo, além dos interesses particulares e mirar os interesses da sociedade", conclui.

A íntegra da videoconferência está disponível em bityli.com/VCXYZ

Sobre a ABOL

A ABOL - Associação Brasileira dos Operadores Logísticos, sociedade civil sem fins lucrativos, tem o objetivo de reconhecer, regulamentar e consolidar a atividade do Operador Logístico no Brasil. Criada em 17 de julho de 2012, é hoje responsável por reunir as principais empresas e players do setor para fortalecer a imagem institucional do Operador Logístico em todas as esferas de atuação, como "pessoa jurídica capacitada a prestar, através de um ou mais contratos, por meios próprios e/ou por intermédio de terceiros, os serviços de transporte (em qualquer modal), armazenagem (em qualquer condição física ou regime fiscal) e gestão de estoque (utilizando sistemas e tecnologias adequadas)".

A ABOL elabora projetos e estudos em vários cenários, resgatando o histórico do setor, analisando o contexto presente e as tendências do futuro. Atualmente, a associação é composta por 30 Operadores Logísticos, entre empresas nacionais e estrangeiras, que atuam nas mais diversas cadeias produtivas, abrangendo atividades de transportes, coleta, transferência, milk run, movimentação de carga, armazenagem, gestão de estoque, expedição, e distribuição de cargas em todo o território nacional.

Em largo espectro, o Operador Logístico atende toda a cadeia de suprimento e distribuição, desde a primeira a última milha, com o conceito de one-stop-shopping, ou seja, oferecendo todas as soluções na cadeia logística de valor. A associação promove e estimula o amplo conhecimento para a cadeia de Logística e Supply Chain por meio de eventos, roadshows, diálogo com stakeholders públicos e privados, entre diversas outras atividades.


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