Empresas de mercados emergentes registram mais elevações de rating em 2025, mas cenário muda em 2026
Os mercados emergentes são vulneráveis a saídas de capital, depreciação cambial e aperto das condições de financiamento quando ocorrem choques globais. No entanto, as empresas desses mercados emergentes que possuem estruturas de capital equilibradas e boa liquidez absorveram uma onda de choques nos últimos anos e preservaram a qualidade de seu perfil de crédito, diferenciando-se de pares sem esses colchões. De acordo com relatório da Moody's, a divergência na qualidade de crédito das empresas tende a aumentar ainda mais neste ano, à medida que os efeitos secundários do conflito no Oriente Médio se propagam pela economia global.
As empresas de mercados emergentes enfrentam um ambiente de crédito mais desafiador em 2026. As empresas de mercados emergentes iniciaram 2026 em uma posição relativamente sólida , após dois anos de melhora da qualidade do perfil de crédito e condições macroeconômicas bastante favoráveis. Essa melhora persistiu apesar de bolsões de pressão setorial específica — particularmente em petroquímicos em todo o mundo e no setor imobiliário na Ásia — além de pressões de crédito em vários países.
As condições de crédito e ambientes operacionais mais favoráveis para certos setores favoreceram a desalavancagem e o refinanciamento, o que fez com que as elevações de rating superassem os rebaixamentos em 20 em 2024 e em 6 em 2025. Isso representou uma reversão em relação aos dois anos anteriores, nos quais os rebaixamentos ficaram acima das elevações.
No entanto, sinais de inflexão do ciclo de crédito já haviam surgido antes mesmo do início do conflito no Oriente Médio, no fim de fevereiro de 2026. Nos primeiros quatro meses deste ano, os rebaixamentos superaram as elevações de rating em oito e não tiveram relação com o conflito. Ao mesmo tempo, as perspectivas negativas excedem significativamente as positivas, sinalizando uma probabilidade maior de mais rebaixamentos do que elevações nos próximos 12 a 18 meses.
Decisões específicas da empresa são essenciais para os resultados de crédito. A política financeira, governança e gestão de liquidez foram os principais vetores das mudanças na qualidade do perfil de crédito suficientemente relevantes para provocar movimentações de ratings de empresas de mercados emergentes em 2025 e no início de 2026. Esses fatores, que são, em grande medida, controlados pelas administrações, respondem por cerca de metade das elevações de rating e por quase dois terços dos rebaixamentos nos mercados emergentes nesse período. As mudanças na qualidade do perfil de crédito soberano ou nas condições setoriais — fatores fora do controle das empresas — representam uma parcela menor.
A influência soberana continua a ser, em alguns casos, uma âncora vinculante para a qualidade do perfil de crédito. Das cerca de 400 empresas que avaliadas pela Moody's em mercados emergentes, aproximadamente 10% têm rating acima dos ratings de seus soberanos. Soberanos e empresas de um determinado país estão expostos às condições macroeconômicas e de mercado financeiro semelhantes. O enfraquecimento da qualidade do perfil de crédito soberano pode, por diversos canais, gerar estresse financeiro entre os setores. A Moody's atribui ratings acima dos respectivos soberanos apenas ocasionalmente, independentemente da força de crédito intrínseca das próprias empresas.
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