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Brasil perde oportunidades na economia criativa, aponta análise

Por Ciro Pedrosa, gestor de projetos na ARIES*

A declaração de 2026 como o Ano da Criatividade no Brasil coincide com uma mudança concreta na lógica de crescimento global. A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a integrar a infraestrutura produtiva, enquanto eventos climáticos extremos pressionam as cidades e a disputa por talentos redefine as vantagens competitivas entre países. Nesse ambiente, criatividade deixa de ser atributo simbólico e assume papel direto na produtividade. O Brasil percebe esse deslocamento, mas ainda o trata como agenda paralela, quando deveria colocá-lo no centro da sua estratégia de desenvolvimento.

Os dados evidenciam que o país já possui base suficiente para avançar, mas não estrutura para capturar valor. Segundo o Global Entertainment & Media Outlook 2025, da PwC (PricewaterhouseCoopers), a economia criativa global deve ultrapassar US$ 3,4 trilhões até 2028, crescendo acima da média de setores tradicionais. No Brasil, de acordo com o Observatório Itaú Cultural, as atividades culturais e criativas respondem por 3,11% do PIB e empregam cerca de 7,4 milhões de pessoas. Esse volume coloca o setor em patamar semelhante ao de segmentos industriais relevantes.

A diferença está na forma como esse potencial é tratado. Enquanto setores industriais contam com políticas de incentivo, financiamento estruturado e estratégias de inserção internacional, a economia criativa permanece fragmentada e subfinanciada. O resultado é um desperdício mensurável. Dados da UNCTAD (United Nations Conference on Trade and Development, Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) mostram que, embora o Brasil esteja entre os maiores produtores de bens criativos, sua participação nas exportações globais do setor é limitada, o que indica baixa capacidade de transformar produção em receita internacional.

Esse gargalo se intensifica quando se observa o território onde a criatividade poderia gerar maior impacto econômico e social. Segundo o Banco Mundial, mais de 87% da população brasileira vive em cidades, o que amplia a complexidade de problemas como mobilidade, habitação e adaptação climática. Ainda assim, a resposta institucional segue baseada em estruturas rígidas e setoriais. A consequência é ineficiência persistente. De acordo com a OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), políticas públicas que incorporam processos de cocriação, testes e ajustes contínuos apresentam até 30% mais eficácia na implementação. Esse dado não é marginal, ele indica que a ausência de métodos criativos não apenas limita inovação, mas gera custo econômico direto, ao prolongar problemas que poderiam ser resolvidos com maior rapidez e menor desperdício de recursos públicos.

A resistência em tratar criatividade como prioridade costuma se apoiar na ideia de que o país enfrenta urgências mais imediatas. Esse argumento perde consistência quando confrontado com a dinâmica do mercado de trabalho. Segundo o relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, habilidades como pensamento criativo e resolução de problemas complexos estão entre as mais demandadas globalmente e devem crescer de forma consistente até o fim da década. Isso significa que economias que não desenvolvem essas competências de forma estruturada tendem a perder produtividade e atratividade. No caso brasileiro, isso se traduz em um duplo risco, de um lado, a perda de competitividade internacional, de outro, a incapacidade de absorver sua própria força de trabalho em atividades de maior valor agregado.

O reconhecimento recente do Brasil como País Criativo do Ano no Cannes Lions funciona como um ativo reputacional relevante, mas sua conversão em resultado econômico depende de escolhas institucionais. Sem coordenação entre políticas públicas, investimento privado e formação educacional, o país tende a repetir um padrão conhecido, reconhecimento externo desacoplado de transformação interna. Criatividade não escala por inércia. Ela exige ambiente regulatório favorável, mecanismos de financiamento e integração com cadeias produtivas mais amplas. Sem isso, permanece restrita a nichos, incapaz de alterar indicadores macroeconômicos.

O Brasil já demonstrou que possui densidade criativa, diversidade cultural e capacidade de adaptação. O que está em jogo agora não é reconhecimento, mas decisão. Em um ambiente global em que valor está cada vez mais associado à capacidade de resolver problemas novos, países que estruturam a criatividade como política pública conseguem avançar com mais consistência. O Brasil não precisa provar que é criativo. Precisa provar que consegue transformar criatividade em crescimento, produtividade e inserção internacional.

* Ciro Pedrosa é gestor de projetos na Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES), instituição do terceiro setor dedicada a promover desenvolvimento urbano, colaboração intersetorial e soluções inovadoras para desafios complexos das cidades brasileiras.


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