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Abril Verde: saúde mental passa a integrar regras de segurança do trabalho

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Atualização da NR-1, com implementação prevista para maio, exige que empresas considerem fatores como estresse, sobrecarga e relações interpessoais na gestão de riscos ocupacionais

Na campanha Abril Verde, dedicada à conscientização sobre saúde e segurança no trabalho, cresce a atenção para as mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passam a incluir os riscos psicossociais, a exemplo de estresse, sobrecarga e ambientes tóxicos, na gestão obrigatória das empresas. A atualização, com implementação prevista para maio, amplia o conceito de risco ocupacional ao incorporar a saúde mental como fator estratégico.

Ao incorporar os chamados riscos psicossociais ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), a norma passa a reconhecer que fatores como pressão excessiva, jornadas intensas e ambientes organizacionais disfuncionais também impactam diretamente a saúde.

Segundo a professora do curso de Psicologia do UniCuritiba Alexia Soares Montingelli Lopes essa mudança dialoga com transformações recentes no mundo do trabalho. “A NR-1 amplia a compreensão de saúde e segurança ao incluir não apenas riscos físicos, químicos e biológicos, mas também os riscos psicossociais. Isso é muito importante no contexto atual, marcado pela intensificação das demandas, uso constante de tecnologias e flexibilização das relações laborais, que aumentam a exposição ao estresse crônico”, explica.

Entre os principais riscos psicossociais estão a sobrecarga de trabalho, a ambiguidade de papéis, a falta de reconhecimento, a baixa autonomia e o assédio moral. “Esses fatores impactam diretamente a saúde mental, podendo contribuir para quadros como ansiedade, depressão e Burnout. Do ponto de vista organizacional, isso se reflete em queda de produtividade, aumento do absenteísmo, presenteísmo e rotatividade”, afirma a professora.

As consequências do estresse crônico não são apenas subjetivas. A neurociência mostra que ele pode afetar diretamente o funcionamento do cérebro. “Há impactos em estruturas relacionadas à memória, à tomada de decisão e à regulação emocional, como o córtex pré-frontal e a amígdala. O aumento do cortisol compromete funções cognitivas e favorece respostas mais reativas e menos estratégicas”, destaca Alexia.

Da teoria à prática: o que muda para as empresas

Com a nova abordagem da NR-1, as empresas precisam incorporar efetivamente os riscos psicossociais em seus processos. Isso inclui desde o mapeamento dos fatores de risco até a implementação de ações preventivas.

“É fundamental realizar diagnósticos organizacionais, aplicar questionários e promover a escuta ativa dos colaboradores. Além disso, é necessário revisar cargas de trabalho, dar clareza aos papéis, fortalecer a comunicação interna e investir em programas de promoção da saúde mental”, orienta a docente.

Ela ressalta ainda a importância do monitoramento contínuo. “Não basta dizer que algo foi feito a partir de uma análise pontual. É essencial acompanhar os indicadores ao longo do tempo e avaliar se as intervenções estão, de fato, funcionando.”

Liderança é peça-chave

Outro ponto central é o papel da liderança na construção de ambientes de trabalho saudáveis. Para a professora, há uma diferença importante entre gerir e liderar. “O gestor está focado em processos e metas. Já o líder influencia pessoas, constrói vínculos e cria condições para o desenvolvimento saudável. Na gestão dos riscos psicossociais, isso é essencial. Não se trata apenas de cumprir metas, mas de traduzir a cultura organizacional em práticas concretas de respeito, escuta e adaptação”, afirma.

Segundo ela, líderes mais sensíveis às individualidades conseguem reduzir significativamente fatores como estresse e conflitos. “Mais do que reforçar valores abstratos, o papel da liderança é humanizar as relações de trabalho, equilibrando resultados com o cuidado genuíno com as pessoas.”

Riscos para trabalhadores e empresas

A negligência com os riscos psicossociais pode trazer consequências tanto para os trabalhadores quanto para as organizações. “Para os profissionais, isso pode resultar em adoecimento mental, queda na qualidade de vida e prejuízos nas relações pessoais e profissionais. Já para as empresas, há impactos como redução da produtividade, aumento de afastamentos, rotatividade, prejuízos financeiros e até riscos legais e reputacionais”, alerta.

Em um cenário em que o bem-estar no trabalho ganha cada vez mais relevância, a tendência é que empresas que não se adaptem percam competitividade. “Cuidar da saúde mental no ambiente corporativo deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade estratégica”, conclui a professora.


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