Carros elétricos exigem nova abordagem na assistência 24h
Entenda os cuidados necessários em situações de pane e emergência
O avanço da mobilidade elétrica no Brasil já impacta diretamente a operação das empresas de assistência 24 horas. Com o aumento da frota de veículos híbridos e elétricos, cresce também a demanda por atendimentos especializados, que exigem protocolos técnicos e equipes capacitadas para lidar com sistemas de alta tensão.
Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico indicam que o Brasil já superou a marca de 200 mil veículos eletrificados em circulação, com crescimento acelerado ano após ano. Os serviços devem ser capazes de lidar com sistemas de alta tensão, baterias complexas e diferentes padrões de operação. Na Europ Assistance Brasil, os atendimentos a veículos eletrificados cresceram 18% nos últimos 12 meses. Hoje, esse tipo de veículo representa 18% dos acionamentos nas capitais, com tendência de alta em períodos de maior circulação, como férias e verão.
Alta voltagem exige novos protocolos
Ao contrário dos automóveis a combustão, os veículos eletrificados funcionam com sistemas que podem atingir até 800 volts, um nível superior do que aproximadamente 12 volts dos automóveis tradicionais. Essa característica exige alterações relevantes na maneira como o atendimento é realizado.
Além disso, a própria natureza das falhas muda. Pane seca, por exemplo, dá lugar à gestão de autonomia da bateria – um fator que depende não apenas do veículo, mas também de condições externas.
Segundo Tiago Massarico, diretor executivo de Operações da companhia, a segurança é o principal ponto de atenção. “As principais diferenças estão relacionadas à alta voltagem, reboque e aos protocolos de segurança. Um veículo eletrificado deve ser tratado como potencialmente energizado até que haja confirmação técnica. Por isso, a capacitação da equipe é fundamental”, afirma.
Reboque e manuseio
Além da alta tensão, os veículos elétricos apresentam particularidades relevantes em situações como reboque, diagnóstico e atendimento após acidentes. Em muitos casos, não é possível transportar o veículo com as rodas no chão, já que o movimento pode gerar energia no motor elétrico e causar danos ao sistema.
Por isso, o uso de guincho plataforma — com o carro totalmente suspenso — é o método mais indicado, seguindo inclusive recomendações dos fabricantes.
Segundo estudos da International Energy Agency, a expansão global dos veículos elétricos acompanha uma transformação na jornada do motorista, que passa a ser mais orientada por dados e planejamento. “No caso dos veículos elétricos, não existe a possibilidade de ‘dar tranco’. Já nos modelos a combustão, muitas vezes o problema está na bateria auxiliar de 12 volts, que pode receber carga externa. Nos elétricos, a bateria de tração exige recarga em uma estação apropriada”, explica Massarico.
Alagamentos aumentam riscos
Eventos climáticos, especialmente durante o verão, também exigem atenção redobrada. Em casos de alagamento, a recomendação é não tentar ligar o veículo.
O procedimento correto envolve remoção por guincho plataforma e encaminhamento para inspeção técnica, devido ao risco de aquecimento tardio da bateria, conhecido como thermal runaway.
Assistência acompanha a evolução da frota
O crescimento da mobilidade elétrica exige que o setor de assistência evolua na mesma velocidade. Para as seguradoras e empresas de serviços, isso significa investir em capacitação técnica, equipamentos adequados e protocolos específicos.
“A tecnologia trouxe novas rotinas, e a assistência evoluiu na mesma velocidade. Hoje estamos estruturados para atender essa demanda com segurança em todo o país”, conclui o executivo.
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