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Uso limitado de IA impede empresas de alcançar economia e ganho de produtividade

Fabio Seixas - Divulgação Fabio Seixas - Divulgação

Por Fabio Seixas, especialista em desenvolvimento de sofware e IA, e CEO da Softo*

A inteligência artificial (IA) foi tratada no ambiente corporativo como uma promessa de futuro por muitos anos, mas esse cenário mudou. A tecnologia passou a ocupar um papel cada vez mais central nas decisões estratégicas das empresas, especialmente para os Chief Information Officers (CIOs), que são executivos responsáveis pela estratégia, gestão e infraestrutura de tecnologia da informação dentro das empresas. Mais do que uma ferramenta de inovação, a IA tem se consolidado como um recurso fundamental para enfrentar dois desafios constantes das organizações: controlar custos em ambientes tecnológicos complexos e criar vantagens competitivas em um mercado cada vez mais pressionado.

Esse movimento acontece em um contexto de margens mais estreitas, concorrência global e pressão crescente por eficiência. Ao mesmo tempo, os ambientes de TI se tornaram mais complexos, com múltiplos fornecedores, contratos diversos, soluções em nuvem e um volume crescente de softwares e serviços digitais. Nesse cenário, manter visibilidade sobre gastos e uso de recursos tornou-se uma tarefa cada vez mais difícil, e é justamente nesse ponto que a inteligência artificial começa a gerar impacto concreto.

Algoritmos conseguem analisar grandes volumes de dados financeiros e operacionais em tempo real, identificando padrões de consumo, contratos redundantes e softwares subutilizados. Na prática, isso permite descobrir desperdícios que muitas vezes passam despercebidos na gestão tradicional. Com esse tipo de análise automatizada, empresas conseguem otimizar recursos, reduzir custos e aumentar a previsibilidade do orçamento de tecnologia.

Um exemplo recorrente está na gestão de licenças de software. Em grandes organizações, é comum existirem ferramentas contratadas em excesso ou sistemas diferentes executando funções semelhantes. Muitas vezes, isso ocorre simplesmente pela falta de uma visão consolidada sobre o que realmente está sendo utilizado. A IA permite cruzar dados de contratos, acessos e uso efetivo das plataformas, identificando sobreposições e sugerindo ajustes que podem gerar economias significativas.

Projeções da consultoria Gartner indicam que, até o final de 2026, cerca de 40% das aplicações empresariais deverão incorporar agentes de inteligência artificial específicos, frente a menos de 5% em 2025. Esse crescimento mostra que a tecnologia tende a se tornar parte estrutural da operação das empresas, e não apenas uma ferramenta pontual. Além da gestão de custos, a IA também está transformando a forma como os processos internos são executados.

No âmbito do desenvolvimento de software, automação de tarefas repetitivas, testes automatizados, priorização de demandas e monitoramento contínuo de sistemas já permitem que equipes de tecnologia trabalhem com mais eficiência. O resultado aparece em ciclos de desenvolvimento mais rápidos, menor incidência de erros e decisões baseadas em dados mais consistentes. Mesmo assim, extrair valor real da tecnologia ainda é um desafio para muitas organizações.

Segundo estudo do Boston Consulting Group (BCG), embora cerca de 98% das empresas utilizem algum tipo de inteligência artificial, apenas 26% conseguem gerar impacto efetivo nos resultados do negócio. Isso indica que a adoção da tecnologia, por si só, não garante transformação, o diferencial está na forma como ela é integrada aos processos e à estratégia.

Parte dessa dificuldade está relacionada a barreiras culturais e à governança de dados. Sistemas de IA dependem diretamente da qualidade das informações que processam, o que exige bases de dados bem estruturadas e confiáveis. Além disso, à medida que a tecnologia se torna mais presente nos processos corporativos, cresce também a necessidade de garantir segurança da informação e conformidade regulatória, especialmente em setores mais sensíveis.

Apesar desses desafios, a inteligência artificial já começa a redefinir o papel do CIO dentro das organizações. Em vez de atuar apenas como gestor estratégico, esse profissional passa a ter que considerar a IA tanto como ferramenta operacional quanto como ferramenta no próprio processo de definição da estratégia. Quando aplicada com planejamento e visão de longo prazo, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta tecnológica e se transforma em um dos principais motores de competitividade e crescimento sustentável das empresas.

*Com mais de 30 anos de experiência em tecnologia e negócios digitais, Fabio Seixas é empreendedor, mentor e especialista em desenvolvimento de software. Fundador e CEO da Softo, uma empresa de tecnologia especializada em IA aplicada e engenharia de software orientada a resultados, Fabio já criou e dirigiu oito empresas da economia digital. Sua trajetória inclui expertise em software, inteligência artificial, infraestrutura em nuvem, produtos digitais e web3.


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