Como a crise logística no Brasil impacta o preço dos produtos nacionais
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Nathália Bellintani
- SEGS.com.br - Categoria: Seguros
Por Alexandre Pierro
O Brasil produz, exporta e movimenta uma das maiores economias do mundo — mas ainda esbarra em um gargalo básico: a ineficiência em fazer seus próprios produtos chegarem aos destinos em nosso próprio território. Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e alta no preço do petróleo, a dependência quase absoluta do transporte rodoviário revela uma fragilidade estrutural que encarece nossa produção e, inevitavelmente, limita o crescimento do país. Um cenário preocupante, mas que pode ser revertido e aperfeiçoado através da inovação.
Dados compartilhados no estudo anual “Custos Logísticos e o Impacto nas Empresas Brasileiras” mostraram que os custos logísticos no Brasil atingiram R$ 1,96 trilhão em 2025, valor equivalente a 15,5% do PIB nacional. Em países desenvolvidos, essa porcentagem costuma variar entre 8% e 12% do Produto Interno Bruto, o que evidencia a ineficiência brasileira em nossa malha rodoviária.
Não se trata de um problema pontual, mas sim de falhas estruturais que vêm agravando cada vez mais nos últimos anos e comprometendo, diretamente, nossa economia. Essa distorção se torna ainda mais evidente em cadeias que dependem, fortemente, do transporte rodoviário, como é o caso da soja. Produzida majoritariamente no interior do país, muitas vezes a milhares de quilômetros dos portos, percorre longas distâncias em caminhões movidos a diesel — um insumo diretamente impactado por oscilações internacionais do petróleo.
O efeito cascata disso no preço é inevitável. Isso porque, além de o produtor rural arcar com fretes elevados para escoar a safra, os exportadores também incorporam esse custo ao valor de venda – fazendo com que, ao final da cadeia, o preço da soja brasileira, mesmo sendo altamente competitiva em termos de produtividade, chegue mais caro ao mercado, reduzindo a margem de lucro dos produtores.
Há, ainda, o agravante da ineficiência da malha rodoviária. Estradas em condições precárias aumentam o consumo de combustível, elevam o tempo de transporte, geram perdas de carga e encarecem a manutenção dos veículos. Sem falar dos impactos das crises climáticas nesse sentido, como os que vimos em 2024 quando as enchentes que atingiram o RS impediram que suprimentos e atendimentos chegassem ao estado por via terrestre, ficando conhecido como um dos maiores desastres naturais que já impactaram o local.
O modelo logístico nacional precisa, urgentemente, ser repensado, de forma que deixemos de ser tão dependentes de uma única malha ineficiente, passando a explorar e diversificar outras rotas tão benéficas quanto essa. Há quantas décadas, por exemplo, não investimos em nossas ferrovias, que já foram consideradas a única via de transporte de cargas e pessoas no país? Ou, ainda, nossa rede hidroviária, já que temos milhares de quilômetros de rios navegáveis com potencial para serem desenvolvidos com mais intensidade, e por um custo bem menor em comparação a outras opções.
Mesmo que não sejam iniciativas com resultados a curto prazo, explorar essas inovações pode gerar benefícios enormes em termos econômicos, impulsionando a geração de empregos e mercados, assim como estimulando o compartilhamento de ideias, ao invés de ficarmos à mercê desses eventos e guerras internacionais que impactam, diretamente, nossa dependência no petróleo e, consequentemente, nas rodovias – da mesma forma que está acontecendo, atualmente, com a Guerra no Irã.
A crise logística brasileira não será resolvida apenas com ajustes pontuais, mas com uma mudança estrutural na forma como o país pensa sua própria movimentação de riquezas. Diversificar esses modais e incentivar a inovação não é apenas uma agenda de infraestrutura, mas uma estratégia para reduzir custos, aumentar a competitividade e proteger a economia de choques externos. O Brasil já tem os recursos suficientes para dar esses primeiros passos, só falta transformar esse tamanho potencial em prioridade.
Alexandre Pierro é doutorado em energia e mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.
Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
https://www.facebook.com/groups/portalnacional/
<::::::::::::::::::::>
IMPORTANTE.: Voce pode replicar este artigo. desde que respeite a Autoria integralmente e a Fonte... www.segs.com.br
<::::::::::::::::::::>
No Segs, sempre todos tem seu direito de resposta, basta nos contatar e sera atendido. - Importante sobre Autoria ou Fonte..: - O Segs atua como intermediario na divulgacao de resumos de noticias (Clipping), atraves de materias, artigos, entrevistas e opinioes. - O conteudo aqui divulgado de forma gratuita, decorrem de informacoes advindas das fontes mencionadas, jamais cabera a responsabilidade pelo seu conteudo ao Segs, tudo que e divulgado e de exclusiva responsabilidade do autor e ou da fonte redatora. - "Acredito que a palavra existe para ser usada em favor do bem. E a inteligencia para nos permitir interpretar os fatos, sem paixao". (Autoria de Lucio Araujo da Cunha) - O Segs, jamais assumira responsabilidade pelo teor, exatidao ou veracidade do conteudo do material divulgado. pois trata-se de uma opiniao exclusiva do autor ou fonte mencionada. - Em caso de controversia, as partes elegem o Foro da Comarca de Santos-SP-Brasil, local oficial da empresa proprietaria do Segs e desde ja renunciam expressamente qualquer outro Foro, por mais privilegiado que seja. O Segs trata-se de uma Ferramenta automatizada e controlada por IP. - "Leia e use esta ferramenta, somente se concordar com todos os TERMOS E CONDICOES DE USO".
<::::::::::::::::::::>