Falta de planejamento sucessório pode gerar prejuízos futuros
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Christiane Alves
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*Liz Azevedo, sócia e especialista de Consultoria Societária e Patrimonial da BLB Auditores e Consultores, do Grupo BLB
O Brasil entrou em um novo ciclo para a transmissão de patrimônio, e ele é mais caro e mais complexo. Em 2025, o país registrou 38.740 testamentos, o maior número da série histórica, segundo o Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal. Ao mesmo tempo, mudanças nas regras do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), impulsionadas pela reforma tributária, elevaram o custo e a complexidade da sucessão, com alíquotas progressivas e maior alcance sobre bens no exterior.
O movimento revela uma mudança de comportamento, mas também escancara um descompasso: mais brasileiros passaram a se preocupar com o tema, porém muitos ainda adiam decisões, mesmo diante de um cenário mais oneroso.
Na prática, esse atraso cobra um preço. Empresas e famílias que deixam o planejamento sucessório para depois tendem a enfrentar menos alternativas, maior carga tributária e mais riscos no momento da transferência de patrimônio. Em muitos casos, o tema só entra na agenda quando há um gatilho, como venda da empresa, reorganização societária ou eventos inesperados, quando já é mais difícil e caro estruturar soluções.
O impacto vai além da esfera familiar e chega ao centro das decisões empresariais. Empresas familiares, que respondem por cerca 65% do PIB nacional, segundo dados apresentados no Vision Tech Summit Agro 2025, são particularmente expostas. Sem uma estrutura sucessória clara, aumentam os riscos de conflito, descontinuidade na gestão e perda de valor.
Esse efeito já é percebido pelo mercado. Bancos, fundos e investidores passaram a olhar com mais atenção para a organização societária e patrimonial das empresas. Falhas nesse campo são interpretadas como risco, o que pode afetar o acesso a crédito, pressionar o valuation e até travar operações de fusões e aquisições.
Outro ponto de atenção é a internacionalização do patrimônio. A maior incidência do ITCMD sobre ativos no exterior adiciona uma camada de complexidade que exige planejamento mais sofisticado, e reduz o espaço para decisões de última hora.
Nesse cenário, o planejamento sucessório deixa de ser uma medida patrimonial e passa a ser uma alavanca estratégica. Mais do que definir herdeiros, trata-se de organizar ativos, reduzir ineficiências tributárias e garantir continuidade e governança.
O aumento no número de testamentos mostra que o tema entrou no radar. Mas, com as novas regras, a discussão muda de patamar, não é mais sobre “se” planejar, mas “quando”. E, no atual ambiente, esperar pode significar uma decisão mais cara, e com menos controle.
*Liz Azevedo é especialista em Consultoria Jurídico-Societária, Patrimonial e em operações de M&A no Grupo BLB, onde lidera projetos estratégicos nessas frentes. Com mais de 11 anos de experiência, atua diretamente na coordenação de processos de due diligence legal e na estruturação, elaboração e revisão de contratos em transações complexas, incluindo fusões, aquisições e rodadas de captação públicas e privadas. Sua trajetória integra conhecimentos jurídicos, contábeis e financeiros, o que confere uma visão abrangente e estratégica das operações. É formada pela FACAMP, com pós-graduação em Direito de Família e Sucessões pela Damásio Educacional e especialização em Direito Empresarial pela FGV.
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