Venda de empresa deve ser decisão estratégica e não último recurso
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Iago Almeida
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Por David Denton, especialista em M&A e sócio da OKTO FINANCE*
A decisão de vender uma empresa ainda costuma ser cercada por interpretações equivocadas no ambiente empresarial. Em muitos casos, a venda é vista como consequência de dificuldades financeiras ou como uma medida adotada apenas quando o negócio já enfrenta problemas. No entanto, no cenário atual de negócios, essa leitura tem perdido espaço. A venda de uma companhia pode representar uma escolha estratégica tomada no momento adequado para preservar valor, reduzir riscos e abrir novas possibilidades de crescimento.
O movimento recente do mercado ajuda a explicar essa mudança de percepção. Após a desaceleração registrada entre 2022 e 2023, o mercado global de fusões e aquisições voltou a apresentar sinais de recuperação em 2024 e 2025. Relatórios da consultoria Bain & Company e dados da London Stock Exchange apontam para a retomada das transações, impulsionada por consolidações setoriais, busca por escala, avanços tecnológicos e reposicionamentos estratégicos de grandes grupos. Nesse cenário, empresas com crescimento consistente, governança estruturada e perspectivas claras de expansão passam a atrair maior interesse de investidores estratégicos e fundos de private equity.
Esse contexto reforça um ponto importante: o melhor momento para vender uma empresa raramente é quando ela já enfrenta dificuldades. Negócios que apresentam bons resultados, margens estáveis e uma trajetória de crescimento tendem a despertar maior interesse do mercado e alcançar múltiplos mais elevados nas negociações. Quando a companhia demonstra estabilidade e potencial, a percepção de risco diminui e as possibilidades de sinergia para o comprador aumentam.
Outro fator que influencia esse tipo de decisão está ligado ao próprio ciclo de vida do empreendedor. Construir uma empresa exige anos de dedicação, energia e visão estratégica, mas nem sempre o fundador deseja conduzir a próxima fase do negócio. Projetos de expansão, internacionalização ou transformação tecnológica podem exigir um nível de investimento e envolvimento diferente daquele que o empresário está disposto a assumir naquele momento. Nesses casos, capturar o valor construído ao longo dos anos pode ser uma decisão racional.
Questões relacionadas à sucessão também aparecem com frequência nesse tipo de processo. No Brasil, muitas empresas ainda possuem estrutura familiar de controle, e a transição entre gerações nem sempre ocorre de forma simples. Herdeiros podem não demonstrar interesse em assumir a gestão ou podem surgir divergências societárias que dificultam a continuidade da empresa. Quando o negócio depende fortemente da presença do fundador, a venda pode representar uma forma de organizar a sucessão e preservar o patrimônio acumulado.
Também merece atenção o risco de esperar demais. Problemas de caixa, aumento do endividamento ou dependência crescente de capital de giro podem indicar que a empresa está entrando em uma fase mais vulnerável. Quando a venda acontece apenas em situações emergenciais, o número de interessados tende a ser menor e o poder de negociação diminui, o que frequentemente resulta em avaliações mais baixas.
Planejar uma transação enquanto a empresa ainda apresenta fundamentos sólidos amplia as alternativas estratégicas. Processos estruturados e competitivos costumam atrair mais interessados e aumentar a probabilidade de capturar prêmios relevantes na negociação. Mais do que um encerramento, a venda de uma empresa pode representar uma transição estratégica. Reconhecer o momento adequado para essa decisão é parte da maturidade empresarial e pode ser tão importante quanto ter construído o negócio desde o início.
*David Denton é formado em Administração de Empresas e possui MBA pela Universidade de Bath. Com mais de 25 anos de experiência no mercado financeiro, já atuou em empresas como Banco Real de Investimento, Grupo Habitasul, Deloitte & Touche e Royal Bank of Scotland, estas tanto no Brasil quanto no exterior. Também foi Membro Executivo do Comitê Internacional da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil e membro do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Relações (IBREI) e do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). É autor do livro "Navigating Cross-Border Mergers and Acquisitions: a Global Perspective" e sócio da boutique de M&A OKTO FINANCE.
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