Quando ir trabalhar na concorrência?
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Nathália Bellintani
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Por Jordano Rischter
Receber uma proposta da concorrência costuma gerar muitas dúvidas nos executivos. À primeira vista, muitos benefícios evidentes podem ganhar bastante relevância, como um aumento salarial, posição mais estratégica ou maior autonomia. Mas, por trás, existe uma decisão muito mais complexa: não se trata apenas de trocar de empresa, mas sim de reposicionar a própria trajetória profissional, rever valores, avaliar riscos e refletir sobre qual caminho faz mais sentido a longo prazo.
Apesar da movimentação no mercado sempre ter sido comum, dados divulgados pelo Caged em 2025 identificaram que 36% dos profissionais – o equivalente a 8,8 milhões de pessoas – com carteira assinada mudaram de emprego voluntariamente, o maior percentual observado desde o início da série histórica do indicador, em 2004.
Em ofertas de concorrentes, os pontos a serem levados em consideração são ainda mais delicados, indo muito além do que a remuneração em si. Neste processo profundo de autoanálise e alinhamento de estratégia para a carreira e vida pessoal, veja algumas perguntas importantes de serem respondidas a fim de orientar na melhor decisão a ser tomada:
#1 Qual a realidade na minha empresa atual? O primeiro exercício de análise precisa ser interno. Entenda de que forma o negócio atual está alinhado com seus objetivos e realizações de carreira, se já atingiu o teto, ou ainda pode ter saltos maiores de crescimento; se está estagnado ou sendo constantemente desafiado; e se possui voz ativa e visibilidade internamente. Respostas negativas tendem a fazer com que os executivos se abram a outras oportunidades.
#2 Qual a cultura, missão e valores da nova empresa? Essa tríade pode ser extremamente atraente no papel – mas, se não for vista na prática e alinhada com os times, há um risco inevitável de falta de compatibilidade entre as partes. Qualquer divergência entre esses pontos do executivo com os da organização é um sinal amarelo de que ele, talvez, não deva considerar essa mudança.
#3 Quão compatível meu salário atual é, em comparação com a oferta do mercado? Muitas vezes, há uma discrepância entre o que o executivo ganha atualmente e o que os concorrentes ofertam a seus profissionais. Isso faz com que, ao receberem uma proposta com uma remuneração bem maior e mais aderente, se sintam bastante atraídos em aceitá-la. É importante analisar esse tópico com bastante profundidade, compreendendo o quanto que uma possível diferença nesses valores pesa nesta decisão.
#4 Quais oportunidades de aprendizado eu tenho, atualmente? Toda movimentação de carreira, inevitavelmente, tira os executivos da zona de conforto, fazendo com que tenham que se adaptar a uma nova realidade. Ao mesmo tempo, também é uma oportunidade de ganho de habilidades e aprendizado, ainda mais em mudanças setoriais completamente diferentes. Caso o profissional esteja se sentindo estagnado nesse sentido em sua ocupação atual, é mais provável que aceite uma proposta que lhe ofereça essa trilha.
#5 Qual a reputação da empresa? Analise quanto que uma possível movimentação para o concorrente pode potencializar – ou prejudicar – sua imagem no mercado. Leve em consideração se a empresa possui uma boa imagem, liderança forte, e a capacidade de alavancar sua marca pessoal, enquanto executivo, ao assumir a posição no local. Essas respostas trarão uma visão mais clara sobre a capacidade de conquistar benefícios como ampliação do networking e maior visibilidade, ou se será só mais um dentre tantos profissionais em um meio que já conhece e está acostumado.
Claro que ainda há todas as questões legais, cláusulas contratuais relacionadas e termos de não concorrência e confidencialidade que não podem ser deixados de lado – o que torna essa decisão um cálculo complexo que envolve uma série de variáveis como ambição, satisfação pessoal, alinhamento cultural, remuneração e valorização, compensação justa e avaliação rigorosa de riscos.
Respostas mais positivas que indiquem uma mudança que irá alavancar a carreira de forma significativa, certamente se mostram mais estratégicas para a jornada profissional. Por outro lado, caso não haja essa sustentação, é melhor não se arriscar nesse sentido. No final, o que sempre acabará balizando qual escolha tomar é até que ponto essa mudança o levará ao próximo passo de realização profissional que a empresa atual não proporciona.
Jordano Rischter é headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.
Sobre a Wide
Com mais de 50 anos de experiência combinada, a Wide é especialista em recrutamento executivo alinhado às necessidades e objetivos de cada empresa. Seu foco é fortalecer a governança corporativa, com atendimento exclusivo e processos ágeis e assertivos, conduzidos pela expertise de seus sócios.
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