Juros altos e endividamento aumentam procura por consórcio
O administrador Fábio Eduardo de Carvalho Pinto, membro do Grupo de Excelência em Administração Financeira - GEAF, do CRA-SP, detalha como o cenário econômico impulsionou o setor em 2025 e aponta as diferenças entre este modelo e o financiamento tradicional
O sistema de consórcios no Brasil encerrou o ano de 2025 consolidando uma trajetória de crescimento significativa e quebra de recordes sucessivos. De acordo com dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o setor comercializou cerca de 5,16 milhões de novas cotas ao longo do ano, o que representa um aumento de 15% em relação a 2024.
Este desempenho superou, inclusive, a previsão inicial de 6% para o período, validando os levantamentos do Índice de Confiança do Setor de Consórcios - ICSC divulgados no decorrer do ano passado. Atualmente, o país conta com mais de 11 milhões de participantes ativos, distribuídos em segmentos como imóveis, veículos leves e pesados e serviços, movimentando um volume de créditos que ultrapassou a marca histórica de R$ 500 bilhões.
Segundo o Adm. Fábio Eduardo de Carvalho Pinto, membro do Grupo de Excelência em Administração Financeira - GEAF, do Conselho Regional de Administração de São Paulo - CRA-SP, o avanço da modalidade é explicado pelo atual cenário econômico. O crescimento expressivo deve-se ao elevado patamar de juros do sistema bancário, que encarece os encargos financeiros para o consumidor final que deseja financiar um veículo ou imóveis, estes últimos pelo Sistema Financeiro da Habitação - SFH.
"O patamar de juros elevados, aliado à restrição cadastral dos tomadores de empréstimos devido ao alto nível de endividamento bancário da população e famílias em geral, direciona os poupadores e investidores ao sistema de consórcio", explica o especialista.
Diferenças entre consórcio e financiamento bancário
Embora ambos sirvam para a aquisição de bens e serviços, suas naturezas são distintas. De acordo com o administrador, o consórcio funciona como um autofinanciamento coletivo que exige disciplina financeira, enquanto o financiamento é um empréstimo individual junto ao banco ou financeira regulado pelo Banco Central do Brasil - Bacen.
No consórcio, não há incidência de juros ou de IOF - Imposto sobre Operações Financeiras, apenas uma taxa de administração diluída nas parcelas e o fundo de reserva. Já o financiamento tem incidência de juros elevados, que variam conforme a taxa Selic e o perfil do cliente, além de exigir o pagamento de IOF e, geralmente, uma entrada de capital. “Se os juros forem pré-fixados, o financiamento pode embutir um elevado prêmio de risco ao consumidor”, detalha o especialista.
A principal contrapartida reside no tempo de acesso ao bem: no financiamento, a posse é imediata após a aprovação do crédito; no consórcio, o acesso não é imediato, dependendo de sorteio mensal ou da oferta de lances em assembleia. Em ambos os casos, o bem serve como garantia, mas no financiamento o risco de retomada por inadimplência existe desde o início do contrato.
Cuidados na hora de escolher um consórcio
Com mais de 43 anos de atuação em instituições financeiras e mercado de capitais, Fábio Eduardo ressalta que a maturidade do mercado traz confiança, mas exige cautela do consumidor. O especialista orienta que o interessado deve sempre realizar uma simulação comparativa detalhada antes de fechar o negócio.
De acordo com administrador, é fundamental comparar o "custo efetivo total" do financiamento com o valor das parcelas do consórcio para o mesmo bem e prazo. Nessa conta, devem ser incluídas a taxa de administração e o fundo de reserva.
Ele reforça que, embora o consórcio costume ser financeiramente mais vantajoso, a escolha deve estar alinhada à capacidade do investidor de aguardar a contemplação ou de ofertar lances para antecipar a aquisição.
Sobre o CRA-SP: O Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP é uma autarquia federal, criada em 1968 (três anos após a regulamentação da profissão de Administrador) que atualmente reúne cerca de 8 mil empresas e 60 mil profissionais registrados. Embora suas principais funções sejam o registro e a fiscalização do exercício profissional nas áreas da Administração, o CRA-SP tornou-se referência na qualificação de profissionais, ao disponibilizar, de forma gratuita, palestras e eventos em um ambiente onde o conhecimento é tratado como uma poderosa ferramenta, capaz de promover profundas mudanças sociais. Atualmente, o CRA-SP é presidido pelo Adm. Alberto Whitaker.
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