Digitalização de duplicatas reduz custo do crédito para pequenas e médias empresas
A modernização do registro de títulos comerciais traz mais transparência ao fluxo de recebíveis e amplia as opções de financiamento para o pequeno e médio empreendedor
Conseguir capital de giro a taxas acessíveis continua sendo um dos maiores obstáculos para a gestão de pequenas e médias empresas (PMEs) no Brasil. Frequentemente, o empreendedor se vê limitado às condições do banco onde possui conta, com pouca margem para negociar taxas ou diversificar seus financiadores. Esse cenário, no entanto, começa a mudar com a consolidação da duplicata escritural.
Diferente do modelo tradicional, a duplicata escritural é um título de crédito que já nasce em formato eletrônico e registrado em centrais autorizadas pelo Banco Central. Na prática, isso significa que o título passa a ter uma "identidade única" no sistema financeiro, mitigando problemas crônicos como a emissão de títulos sem lastro ou a antecipação do mesmo documento em mais de uma instituição.
Visibilidade e construção de histórico
Para Magno Lima, CEO da SPC Grafeno, o maior benefício para a PME não é apenas a segurança tecnológica, mas a construção de um histórico de crédito sólido. "Quando os recebíveis são registrados de forma centralizada, a empresa passa a ter uma vitrine de sua saúde financeira. Isso gera visibilidade para o mercado: outros financiadores podem enxergar a qualidade desses ativos e competir para oferecer crédito", explica Magno Lima.
Essa dinâmica altera a lógica de negociação. Com o registro digital, o ativo pertence à empresa e não fica vinculado a uma única instituição . Isso permite que o gestor busque taxas mais competitivas em factorings, FIDCs ou outros bancos, utilizando o próprio faturamento futuro como uma garantia real e auditável.
Impactos práticos na gestão financeira
A transição para o modelo escritural digital endereça pontos críticos que antes elevavam o custo do dinheiro (o chamado "spread") para o pequeno e médio empresário, como a redução do risco operacional, já que o registro impede que o título seja cancelado ou alterado sem que o financiador saiba, o que diminui a insegurança jurídica e, consequentemente, aumenta as oportunidades de crédito.
Além disso, também haverá competição entre financiadores, já que com o título disponível no sistema, a PME ganha portabilidade, podendo escolher a melhor oferta de antecipação. Outro destaque é a eficiência no fluxo de caixa, com a integração com sistemas de gestão (ERPs) e plataformas financeiras agiliza o processo de aceite e liquidação, reduzindo erros manuais que costumam travar o caixa.
Segundo Magno Lima, o impacto é direto na sustentabilidade do negócio: "Ao remover a subjetividade do risco, o crédito deixa de ser uma barreira e passa a ser uma ferramenta de planejamento. O empreendedor deixa de pagar pelo 'custo da incerteza' do mercado e passa a ser precificado pelo seu desempenho real".
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