Reforma tributária exige atenção à tributação internacional nos sistemas ERP
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Thainná Bastos
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Empresas ainda não pressionam por soluções para serviços internacionais, mas o cenário tende a mudar com reformas
A evolução dos sistemas de gestão empresarial (ERPs) no Brasil tem sido limitada menos por barreiras tecnológicas e mais por um fator estratégico, a ausência de demanda clara por parte das empresas. Esse cenário tem mantido fora do radar dos principais fornecedores soluções voltadas à gestão fiscal da importação de serviços e tecnologia, uma lacuna que pode ganhar relevância com a reforma tributária.
“Os temas relacionados à tributação de serviços internacionais ainda aparecem de forma incipiente nas operações corporativas e, por isso, não são priorizados por desenvolvedores de ERPs nem por consultorias de implementação”, afirma Sergio Arsky, Head Comercial da WTM, empresa que oferece soluções para importação e exportação de serviços e tecnologia. “Hoje, esse tema simplesmente não está no radar dos ERPs porque não existe demanda dos clientes. Sem essa pressão, não há desenvolvimento de módulos ou soluções específicas”, complementa o executivo.
O comportamento das consultorias segue a mesma lógica. Embora exista capacidade técnica para integrar novas soluções, a atuação tende a ser reativa, guiada exclusivamente pelas necessidades dos clientes. Além disso, muitas consultorias sequer receberam este tipo de demanda.
Outro movimento que reforça esse cenário é a transformação dos ERPs em plataformas cada vez mais abertas. Em vez de desenvolver funcionalidades próprias, os fornecedores têm priorizado a integração com soluções especializadas como CRMs, plataformas de pagamento, ferramentas de inteligência artificial e sistemas fiscais. “Os ERPs estão cada vez menos inclinados a desenvolver novos módulos do zero. A lógica é integrar soluções já existentes, testar a aderência e, a partir da demanda, escalar”, explica Sergio Arsky.
A nova demanda vinda da Reforma Tributária
Apesar do cenário atual, a expectativa é de mudança nos próximos anos, impulsionada pela reforma tributária. A nova estrutura de tributação, especialmente em relação a serviços e operações internacionais, deve aumentar a complexidade fiscal enfrentada pelas empresas e isso pode gerar uma demanda até então inexistente.
Essas percepções foram trazidas durante o ERP Summit 2026 - um dos principais encontros do setor de software de gestão empresarial no país - realizado nos dias 17 e 18 de março, em São Paulo, onde os principais players do mercado tecnológico se reuniram para discutir estas mudanças e tendências, e a WTM esteve presente acompanhando de perto as discussões e interagindo com empresas e especialistas do setor.
“Quando trazemos o contexto da reforma tributária, a visão muda completamente. Os players passam a enxergar que pode haver um aumento relevante de demanda, o que torna o tema mais estratégico”, diz Nicolas Ricardo Junkes, CTO da WTM. Nesse contexto, soluções voltadas à gestão fiscal da importação de serviços tendem a ganhar espaço, especialmente aquelas que consigam se integrar facilmente aos principais ERPs do mercado.
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