Competitividade baseada no improviso expõe vulnerabilidades nas empresas
Alta de falências e margens pressionadas mostram que falta de estrutura de gestão segue como um dos principais fatores de perda de competitividade no Brasil
O aumento de 18,9% nos pedidos de falência no primeiro semestre de 2025, segundo a Serasa Experian, e levantamentos do IBGE que indicam que uma parcela significativa das empresas opera com margens reduzidas, frequentemente abaixo de 10%, evidenciam um problema estrutural: boa parte dos negócios no Brasil ainda compete por circunstância, não por organização.
Para Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em reestruturação empresarial, a diferença entre crescer e sobreviver está na forma como a empresa se prepara para cenários adversos. “O empresário brasileiro ainda toma decisão com base em urgência, não em estratégia. Isso cria negócios que funcionam enquanto o mercado ajuda, mas não resistem quando o cenário muda”, afirma.
Marcos explica que empresas sustentadas por oportunidades pontuais ou brechas operacionais tendem a apresentar crescimento desorganizado, sem controle real de margem, estrutura de custos e gestão de passivos. “Muitas vezes o faturamento cresce, mas a empresa não sabe se está lucrando. Sem estrutura, qualquer aumento de custo ou queda de receita expõe fragilidades rapidamente”, diz.
Esse padrão aparece também nos dados de sobrevivência empresarial. Levantamento do Sebrae mostra que apenas 6% dos empresários buscaram orientação especializada em 2024, enquanto mais de 70% dos negócios que fecharam não passaram por qualquer tipo de capacitação. A ausência de suporte técnico contribui para uma cultura reativa, em que decisões são tomadas apenas quando o problema já compromete o caixa.
Na prática, isso se traduz em margens corroídas por desorganização interna, erros tributários, falta de planejamento financeiro e ausência de indicadores de desempenho. “A empresa que opera sem estrutura não consegue antecipar risco. Ela reage quando já perdeu margem, cliente ou capacidade de investimento”, aponta.
Ao mesmo tempo, cresce a demanda por reorganização empresarial. Dados do Serasa Experian indicam aumento nos pedidos de recuperação judicial, movimento que reflete não apenas a pressão econômica, mas também a falta de preparo prévio. “A recuperação judicial deveria ser uma ferramenta estratégica, mas ainda é usada como último recurso. Isso mostra que a gestão preventiva ainda não foi incorporada na cultura empresarial”, completa.
O especialista aponta cinco caminhos para sair da competitividade por acaso e estruturar a gestão empresarial
A transição de um modelo reativo para uma gestão estruturada passa por decisões práticas que envolvem organização financeira, governança e apoio técnico especializado.
- Diagnóstico real da empresa
- Antes de crescer, é necessário entender a operação. Isso inclui análise de custos, margens, fluxo de caixa e passivos. “Sem diagnóstico, o empresário toma decisão no escuro e compromete o negócio sem perceber”, afirma.
- Separação entre operação e gestão
- Empresas que misturam execução com tomada de decisão estratégica tendem a perder eficiência. Estruturar processos e responsabilidades melhora previsibilidade e controle.
- Planejamento tributário e financeiro contínuo
- A ausência de estratégia fiscal está entre os principais fatores de deterioração financeira. Revisar enquadramento tributário e estrutura de custos reduz pressão sobre o caixa.
- Adoção de indicadores de desempenho
- Monitorar dados como margem, ticket médio, inadimplência e custo fixo permite antecipar problemas. “Quem mede, corrige antes. Quem não mede, descobre tarde”, diz.
- Apoio de especialistas e mentoria
- Contratar profissionais com experiência prática em reestruturação acelera decisões e evita erros recorrentes. “O empresário precisa entender que não é sobre pedir ajuda, é sobre ganhar eficiência e evitar prejuízo”, afirma Pelozato.
O custo da falta de estrutura
Empresas que operam sem organização tendem a depender de fatores externos para manter competitividade, como preço, crédito facilitado ou momentos de aquecimento do mercado. Quando essas condições mudam, o negócio perde sustentação.
“A competitividade baseada em circunstância é temporária. A baseada em estrutura é sustentável. Quem não profissionaliza a gestão fica vulnerável a qualquer variação econômica”, afirma.
Segundo ele, a profissionalização deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica de sobrevivência. “Hoje, não basta vender bem. É preciso saber operar, controlar e tomar decisão com base em dados. É isso que separa empresas que crescem daquelas que desaparecem”, conclui.
Sobre Marcos Pelozato
Marcos Pelozato é advogado, contador e empresário com 14 anos de atuação no setor de reestruturação empresarial e recuperação judicial. Reconhecido como referência no segmento, presta assessoria estratégica a empresas em crise financeira, com foco em reorganização societária, gestão de passivos e recuperação de negócios. À frente de um escritório especializado, Marcos também atua como conselheiro para advogados e contadores interessados em ingressar na área de reestruturação, com o objetivo de ampliar o número de profissionais capacitados a atuar diante da crescente demanda por soluções eficazes em gestão de crise.
Para mais informações, acesse: youtube.com/@marcospelozato.oficial, instagram ou pelo LInkedin.
Fontes de pesquisa
SERASA EXPERIAN
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas)
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