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Backup estratégico: evitando crises em empresas causadas por má gestão de dados

Rodrigo Gazola, CEO da Addee Rodrigo Gazola, CEO da Addee

Por Rodrigo Gazola, CEO da Addee

O Dia Mundial do Backup, celebrado em 31 de março, costuma ser marcado por campanhas de conscientização e discursos sobre a importância da proteção de dados. Mesmo assim, quando olhamos para a realidade do mercado brasileiro, o que se vê está longe do ideal e, na maioria dos casos, muito distante do que as empresas acreditam ser suficiente.

Recentemente, um diagnóstico que fizemos do mercado de MSPs no Brasil revelou preocupação. Embora praticamente todos os provedores de serviços gerenciados afirmem utilizar soluções profissionais de backup, essa ampla adoção não se traduz, necessariamente, em proteção efetiva. Existe, na prática, uma diferença crítica entre ter backup e estar preparado para recuperar dados. E essa diferença costuma se tornar evidente apenas em situações de crise.

Os números ajudam a ilustrar esse desalinhamento. Apenas 60% dos MSPs reportam taxas de sucesso superiores a 95% nos backups realizados nos últimos 30 dias, o que indica que falhas ainda são tratadas como algo tolerável dentro da operação. Mais do que isso, uma parcela relevante dos provedores não realiza testes regulares de restauração: 14% simplesmente não testam, enquanto quase um terço faz isso apenas uma vez por ano. Ou seja, a confiança no backup, muitas vezes, não é baseada em evidência, mas em expectativa.

Esse é um dos principais equívocos que ainda permeiam a maturidade digital das empresas. Backup não é, por si só, sinônimo de segurança, tampouco garante continuidade. Sem governança, monitoramento consistente e testes frequentes, ele se torna apenas uma promessa técnica. Algo que existe no papel, mas cuja efetividade real permanece desconhecida até que seja colocada à prova.

O avanço da computação em nuvem adiciona uma camada extra de complexidade a esse cenário. Ambientes como o Microsoft 365 são frequentemente percebidos como intrinsecamente seguros, o que leva muitas organizações a assumirem, de forma equivocada, que seus dados já estão devidamente protegidos. No entanto, nossos dados mostram que mais da metade dos MSPs possui menos de 70% de cobertura de backup nesses ambientes, expondo empresas a riscos silenciosos, que dificilmente são percebidos no dia a dia. Em momentos de perda de dados, por outro lado, se tornam críticos.

Quando isso acontece, as consequências vão muito além da área de tecnologia. Interrupções operacionais, perdas financeiras, danos à reputação e até implicações legais passam a fazer parte do problema. Em um ambiente cada vez mais dependente de dados e sujeito a regulamentações, a indisponibilidade de informações deixa de ser um problema técnico e passa a representar uma ameaça direta à continuidade dos negócios.

A discussão não pode mais se limitar à adoção de ferramentas, como se tecnologia, por si só, resolvesse o problema. O verdadeiro desafio está na operação, na disciplina de monitorar resultados, garantir cobertura abrangente, validar continuamente a capacidade de restauração e integrar o backup à estratégia de resiliência da empresa.

É inevitável, portanto, questionar a forma como o mercado ainda encara o backup dentro da estratégia de segurança cibernética. Essa reflexão é especialmente relevante para as empresas que contratam esses serviços.

No contexto atual, a maioria ainda trata a segurança cibernética como um custo isolado, e não como um investimento contínuo de proteção e resiliência. Isso se reflete diretamente na forma como o backup é priorizado, pois mesmo com os prestadores reforçando a importância de soluções mais completas, muitas empresas optam por coberturas limitadas.

Em situações de crise, essa economia pontual pode se transformar rapidamente na velha história do “barato que sai caro”.

Nesse momento de conscientização, o ponto central não deveria ser apenas reforçar a necessidade de fazer cópias de dados, mas provocar uma reflexão mais profunda sobre como essas cópias estão sendo gerenciadas. É a maturidade da gestão. Porque, no fim, não é o backup que protege uma empresa, e sim a capacidade comprovada de recuperar informações com rapidez, previsibilidade e segurança.

E isso, definitivamente, não pode ser tratado como uma aposta.


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