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Incêndios e tempestades levam perdas globais a recordes em 2025

Estudo do Swiss Re Institute aponta que perdas seguradas globais chegaram a US$ 107 bilhões

As catástrofes naturais causaram perdas seguradas de US$ 107 bilhões em 2025 segundo o relatório anual do Swiss Re Institute. Apesar de ser o menor valor dos últimos cinco anos, o número reflete uma tendência estrutural de alta: incêndios florestais e tempestades severas dominaram o cenário global, respondendo por 92% das perdas seguradas.

O destaque do ano foram os incêndios de Palisades e Eaton, em Los Angeles, em janeiro de 2025. Juntos, os dois eventos geraram perdas seguradas de US$ 40 bilhões, tornando-se os maiores da história para essa categoria de risco. Mais de 16 mil estruturas foram destruídas, mesmo com a área queimada correspondendo a apenas um terço da média do período.

Sem furacão nos EUA, perdas ficam abaixo da tendência

Com relação às tempestades, o resultado abaixo da média deveu-se principalmente à ausência de um grande furacão com landfall, que move-se para a terra após passar sobre a água, nos Estados Unidos. A temporada de ciclones no Atlântico Norte foi, na verdade, acima da média em termos de atividade, com três furacões de categoria 5. Contudo, as condições atmosféricas direcionaram as tempestades mais intensas para o Atlântico aberto ou para regiões de baixa penetração de seguros.

O furacão Melissa atingiu a Jamaica em outubro, tornando-se o mais intenso e custoso da história do país, com perdas seguradas de até US$ 2,5 bilhões. O evento evidenciou a importância de mecanismos de transferência de risco: em poucos dias após o desastre, o país recebeu US$ 91,9 milhões do Fundo de Seguro contra Riscos de Catástrofe do Caribe (CCRIF) e mais US$ 150 milhões de um título catástrofe vinculado ao Banco Mundial.

Tendência de alta é estrutural, alerta o estudo

O Swiss Re Institute reforça que um ano abaixo da tendência não significa redução de risco. Desde 1996, as perdas seguradas por catástrofes naturais crescem entre 5% e 7% ao ano em termos reais. Com base nessa trajetória, as perdas em 2026 devem atingir US$ 148 bilhões e chegar a US$ 186 bilhões em 2030.

Em um cenário de pico, com probabilidade de 10% de ocorrência, as perdas globais poderiam alcançar US$ 320 bilhões em 2026 e US$ 400 bilhões em 2030, mais que o dobro do último ano de pico registrado (2017).

Exposição crescente é o principal motor das perdas

A análise do Swiss Re Institute sobre os últimos 55 anos conclui que o crescimento da exposição, expansão de ativos em áreas de risco, valorização imobiliária e urbanização, responde por mais de 80% do aumento histórico das perdas seguradas por eventos climáticos. Os chamados riscos secundários (tempestades convectivas severas, incêndios florestais e inundações) respondem por cerca de dois terços desse crescimento.

Em regiões específicas, no entanto, o avanço das perdas supera em dobro o crescimento da exposição: é o caso dos incêndios florestais na América do Norte e das tempestades convectivas na Europa, onde a intensificação dos fenômenos e mudanças de vulnerabilidade amplificam os efeitos.

América Latina permanece desprotegida

Apesar de os danos econômicos totais terem somado US$ 235 bilhões globalmente, as lacunas de proteção permanecem expressivas. Em economias emergentes, entre 80% e 90% das perdas por catástrofes ainda não são cobertas por seguros.

Guilherme Perondi, CEO da Swiss Re Corporate Solutions, destacou a vulnerabilidade específica da região: "A América Latina está sendo impactada pelo aumento da ocorrência de riscos secundários, como chuvas intensas, tempestades de vento, inundações e granizo, que agora representam altos riscos em toda a região. Ao mesmo tempo, as perdas seguradas por catástrofes em nossos países permanecem baixas, especialmente quando comparadas a outras regiões, com empresas e comunidades ainda subprotegidas diante do impacto crescente de eventos climáticos severos. Fortalecer a resiliência por meio de maior conscientização sobre riscos, medidas de prevenção e soluções de seguro será fundamental à medida que a exposição aumenta e a volatilidade climática continua."

Adaptação é caminho para conter as perdas

O relatório aponta que medidas de adaptação têm demonstrado eficácia quando implementadas de forma consistente. Na Europa, investimentos em proteção contra enchentes em países como França, Reino Unido e Suíça ajudaram a conter o crescimento das perdas seguradas. Nos Estados Unidos, casas reformadas com padrões construtivos reforçados apresentaram reduções de 55% a 70% na frequência de sinistros e de 14% a 40% na severidade.

Para os riscos de incêndio florestal e tempestades convectivas, onde os modelos ainda apresentam maior incerteza, o estudo recomenda planejamento territorial baseado em risco, gestão de vegetação e atualização contínua de dados de exposição e modelos de precificação.

O Swiss Re Institute conclui que uma abordagem integrada, combinando cobertura de seguros, investimentos em prevenção e engajamento público-privado, é essencial para reduzir as lacunas de proteção e sustentar a resiliência das sociedades frente ao avanço das catástrofes naturais.


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