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Empresas recorrem mais à recuperação extrajudicial diante de dificuldades financeiras

Alta dos juros, crédito restrito e mudança na estratégia de renegociação de dívidas impulsionam crescimento do mecanismo no país.

O número de empresas que recorrem à recuperação extrajudicial no Brasil vem crescendo e já bateu recorde recente, em um cenário marcado por juros elevados e crédito mais restrito. Dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (OBRE) apontam que 68 empresas utilizaram o mecanismo em 2025, superando os 62 casos registrados em 2024, o maior volume desde o início do monitoramento.

Os dados do observatório ainda indicam que o país registrou 288 casos entre 2005 e 2026, sendo que 231 ocorreram após a reforma da Lei de Falências em 2020, o que representa mais de 80% do total. Além disso, os valores renegociados por meio desse instrumento já ultrapassam R$ 103 bilhões, impulsionados por grandes reestruturações financeiras no país.

Especialistas avaliam que o aumento desses pedidos revela um cenário de pressão financeira sobre empresas brasileiras. Segundo o advogado Luciano Gomes, Sócio Fundador do STG Advogados, o ambiente econômico atual tem sido marcado pelo alto custo do capital e maior seletividade na concessão de crédito.

“O crescimento dos pedidos de recuperação extrajudicial revela, antes de tudo, um ambiente de pressão financeira relevante sobre as empresas brasileiras, especialmente a alta taxa de juros. Ele indica que muitas companhias seguem operando sob custo de capital elevado, tomada de crédito mais seletiva e dificuldade de reperfilamento de dívidas”, afirma.

Alternativa mais rápida e menos onerosa

Nos últimos anos, cada vez mais empresas têm optado pela recuperação extrajudicial em vez da recuperação judicial tradicional. A principal razão, segundo especialistas, é a eficiência e a menor complexidade do procedimento.

Ao contrário da recuperação judicial, em que a empresa precisa negociar com praticamente todos os credores e enfrentar maior supervisão do Judiciário, a recuperação extrajudicial permite acordos prévios com determinados grupos de credores, com posterior homologação judicial.

Segundo Gomes, essa característica torna o processo mais ágil e menos desgastante para a empresa. “A recuperação extrajudicial permite uma reestruturação mais cirúrgica, com foco em determinadas classes ou grupos de credores, preservando com maior facilidade a rotina operacional da empresa. Na prática, ela tende a ser mais rápida, menos onerosa e propicia menos exposição reputacional”, explica.

Casos recentes envolvendo grandes empresas também ajudaram a ampliar a visibilidade do instrumento. Um exemplo é o da Raízen, cuja reestruturação extrajudicial envolve mais de R$ 65 bilhões em dívidas, considerada a maior operação do tipo já registrada no país.

Sinal de alerta para o mercado

Apesar de ser vista como um mecanismo moderno de reorganização financeira, a expansão do uso da recuperação extrajudicial também acende um alerta sobre a situação das empresas brasileiras.

Dados recentes mostram que o país também registrou recorde de empresas em recuperação judicial. Em 2025, cerca de 1,6 mil empresas entraram em processos de reestruturação, e o estoque total chegou a mais de 5,6 mil companhias, alta de 24,3% em relação ao ano anterior.

Para Luciano, o crescimento da recuperação extrajudicial pode ser interpretado sob dois aspectos: como um reflexo das dificuldades financeiras e, ao mesmo tempo, como um sinal de maior maturidade do mercado.

“É, sim, um sinal de alerta, porque o aumento desses pedidos representa, na grande maioria das vezes, juros elevados e recordes recentes de inadimplência. Mas também revela uma maturação do mercado de reestruturação, pois empresas estão buscando instrumentos preventivos antes que a crise se agrave”, afirma.

Caso o cenário de juros altos e crédito restrito persista, especialistas avaliam que a tendência é de continuidade no crescimento das renegociações de dívidas nos próximos meses. De acordo com Gomes, muitas empresas devem priorizar soluções menos traumáticas antes de recorrer à recuperação judicial.

“Se o custo do dinheiro continuar alto e o crédito seguir seletivo, mais empresas devem buscar primeiro soluções menos traumáticas — como reperfilamento bilateral de dívidas e recuperação extrajudicial — antes de migrar, quando necessário, para a recuperação judicial”, conclui.

O avanço do mecanismo reforça uma mudança gradual na forma como empresas brasileiras lidam com crises financeiras: cada vez mais, a reestruturação preventiva passa a ser vista como estratégia para preservar negócios e evitar colapsos empresariais.


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