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Corretoras ganham destaque na gestão de riscos complexos

Jairo Brandeburski, CEO

Especialistas apontam que a análise técnica e o desenho de coberturas sob medida são essenciais diante de mudanças

Eventos climáticos extremos têm exposto limites importantes das soluções tradicionais de seguros e ampliado a relevância do trabalho consultivo das corretoras na gestão de riscos complexos. Situações como enchentes, deslizamentos e danos em larga escala exigem análise técnica e estruturas de proteção que vão além das coberturas padrão do mercado.

Um exemplo recente ocorreu em Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais, onde um forte temporal provocou destruição em diferentes áreas da cidade. Após duas semanas do episódio, veículos ainda estavam sendo retirados do leito do rio. De acordo com estimativas da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), os prejuízos na região devem gerar cerca de R$ 40 milhões em indenizações.

O impacto humano também foi significativo. A tragédia registrada na última semana de fevereiro tornou-se o quarto maior desastre natural do Brasil na última década, segundo levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Diante disso, especialistas apontam que a simples contratação de um seguro tradicional muitas vezes não é suficiente para a proteção adequada. É nesse ponto que a atuação estratégica das corretoras passa a ter papel decisivo. Para Jairo Brandeburski, CEO da Pansera, o aumento da complexidade dos riscos exige uma abordagem mais técnica e personalizada na estruturação das apólices.

“Nem sempre o seguro padrão consegue responder a todas as situações de risco. Eventos climáticos extremos, operações industriais específicas ou exposições patrimoniais mais complexas exigem uma análise detalhada e soluções estruturadas sob medida”, afirma.

Segundo o executivo, o papel da corretora vai além da intermediação de produtos. Em muitos casos, envolve diagnóstico de vulnerabilidades, avaliação de cenários e desenho de programas de seguros que combinem diferentes coberturas e limites de proteção. “Quando falamos em riscos complexos, estamos tratando de situações que exigem planejamento. A corretora precisa entender profundamente a operação do cliente e identificar quais são os pontos de exposição que podem gerar prejuízos relevantes”, explica.

Esse estudo adquire relevância no cenário climático. Chuvas fortes, inundações e mudanças climáticas drásticas tornaram-se comuns em várias áreas do país, o que altera a forma de resguardo de empresas e bens.

Para Brandeburski, a experiência recente em Minas Gerais reforça a necessidade de ampliar a cultura de gestão de riscos no Brasil. “A tragédia mostra que muitas perdas poderiam ser mitigadas com planejamento adequado e estrutura de proteção mais robusta. O seguro precisa ser pensado de forma estratégica”, afirma.

Nesse cenário, corretoras especializadas assumem prioridade na orientação de empresas e pessoas que enfrentam exposições complexas. O desafio está em construir soluções capazes de acompanhar a evolução dos sinistros e reduzir impactos financeiros diante de eventos imprevisíveis.

“O seguro continua sendo uma ferramenta fundamental de proteção, mas ele precisa ser estruturado corretamente. É justamente aí que entra o trabalho consultivo da corretora”, conclui o CEO.


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